domingo, 10 de novembro de 2013

Profissão: Mãe



Sônia andava nas nuvens, imaginando a roupa que iria usar no jantar de homenagem ao presidente da multinacional que seu marido trabalha. Ela, que quase não faz programas diferentes, com esse convite não parava de sonhar! Digo isso, pois Sônia era dona de casa e mãe de três filhos pequenos.  Afastada totalmente do meio corporativo, seu mundo atual era de fraldas e mamadeiras. Vivia de roupa de ginástica, tênis, cabelos presos e sem nenhuma maquiagem... Falta de tempo total!

Adorava ser mãe, mas também sentia falta do glamour dos seus saltos altos de outrora. Sônia era professora e quando seu primeiro filho nasceu parou de trabalhar, quando pensou em voltar engravidou de gêmeos, ficando impossível retornar a antiga rotina.

Pediu então para Dona Margo, sua sogra, dormir em sua casa no dia tal festa, havia feito um regime, mas mesmo assim não entrava em suas roupas, precisava de roupas novas, ir ao salão de beleza, se produzir, se sentir bonita e notada.

O Jantar num hotel de luxo já mostrava a elegância do evento, mulheres lindas, homens bem vestidos, flores, velas, música, tudo perfeito. Mas o grande momento foi o convite do Dr. Vinicius, que pediu para que ela se sentasse ao seu lado. Ela gelou por um momento... O que iriam conversar? Sobre papinhas? Sobre a fadinha do dente? Ou de noites mal dormidas?


Dr. Vinicius, logo de cara, fez um elogio ao marido Raul: “Bem que se diz que atrás de um grande homem existe uma linda mulher”.  Já relaxada, apreciava agora o jantar que se iniciava. Primeiro um coquetel de frutas com camarões e uma bela salada verde, logo em seguida um medalhão com peras tingidas de vinho. 

Papo vem, papo vai, um prosecco geladíssimo aqui, outro lá e aconteceu o inevitável! Sônia assumiu o comando. Pegou o prato do Dr. Vinicius e, como para uma criança, cortou em pedacinhos o medalhão. O chefe do marido, vendo a situação, se aproximou dela e perto do ouvido sussurrou : "Agradeço a gentileza, mas eu sei cortar.". 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Encontro marcado

Ana coloca uma música, tudo pronto para aquele momento especial, a mesa posta com capricho, a louça rosa de porcelana inglesa e a toalha de renda branca. Sobre a mesa um pequeno arranjo de mini rosas coloridas enfeita e perfuma a sala de jantar, copos de cristal e um porta-gelo de prata no aparador completam a decoração. Há muito tempo ela espera por esse momento, quase 20 anos, seu coração esta em festa...

Quando conheceu Eduardo teve a certeza de que já se conheciam, pensava até que era de outras eras, de outras vidas, mas apenas se encontraram nos olhares e sorrisos e nada mais... ficou o sonho! Cantarola uma canção: “Hoje eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier, para enfeitar a noite do meu bem...”

O interfone avisa, ele chegou... Ana sente suas mãos molhadas, um frio congela sua alma, Eduardo a abraça e com lindas flores silvestres a presenteia... Quanto tempo! Conversam sobre tantas coisas, contam suas historias do passado, riem das banalidades da vida, do que construíram e a noite prossegue com suas estrelas e luar. Seus olhos ainda se encontram, os sorrisos são os mesmo de antigamente. Eduardo convida Ana para dançar, uma música do passado, poderia até ser a música deles... Não sei! Suas mãos se procuram, se enlaçam, era muita saudade...


domingo, 4 de agosto de 2013

Para sempre...


Hoje acordei com saudades de você, senti sua presença e tive muita vontade de te escutar, saber como vai, segurar na sua mão, fazer um carinho... Faz tempo não é?

Foi numa manhã que seus olhos se fecharam e a despedida foi algo que até hoje não sei explicar, pois ainda tenho dificuldade de exteriorizar. É como se quisesse pular esse capítulo, mas mesmo assim sei que foi no dia 9 de maio de 2009 que senti essa dor doída, a dor de ficar órfã.

Sempre que sonho com você, você está feliz e seus olhinhos azuis ainda estão curiosos, acordo e fico contente: te vi, te vi, te vi... Mas hoje foi diferente, sonhei que o papai, você e nós filhos estávamos num gostoso bate-papo, falando coisas comuns, noticias de agora, você ria, sua rizada ecoava dentro de mim, tive total sensação que eu ria também, era tão real que acordei rindo, saudade, saudade, saudade...

Mãe, de repente você ficou tão longe, de fato não te escuto mais, você não me telefona, nem vai me visitar, como fazia antigamente. Adorávamos tomar café, ouvir seus CDs, você era tão apaixonada pela suas músicas... E intensa nos seus sentimentos, que até hoje quando seus netos e nós filhos escutamos certas musicas, nem precisamos falar, basta um olhar, já sabemos de quem estamos lembrando.

Numa manhã, tão bonita manhã, véspera do Dia das Mães, te levamos para um jardim, ele estava coberto de flores, flores para te receber, nossas lagrimas te molharam... Um silêncio, uma ausência, você não estava mais lá. Hoje quando nos encontramos no sonho, mesmo que bem rápido, pude te sentir... Seu calor, seu aconchego... Por um instante você estava aqui!


terça-feira, 25 de junho de 2013

Um minutinho comigo


Há quanto tempo não me encontro, não me sento comigo e não rio de mim mesma. Presto atenção na moça do ponto de ônibus, calada e triste. Penso: Quais os sonhos que a encantam? Reparo em casais sentados à mesa de restaurantes, silenciosos e distantes, penso no significado daquele encontro. Viajo no metrô olhando as pessoas, vou construindo histórias, imaginando o porquê da pressa de cada um, a correria da vida, o colorido das roupa e o quanto o meu semelhante é diferente de mim... Digo isso pois bem pequena me ensinaram que nós éramos imagem e semelhança de Deus....  Intrigante, muito intrigante... Vejo um mar de pessoas que se esbarram e nem ao menos se reconhecem. Também não me conheço!

Interessante imaginar o quanto me tornei distante de mim, talvez seja bem mais difícil olhar para si mesma, olhar para dentro, dar uma espiadinha, ter um contato imediato, varar os porões abarrotados  e cantos vazios. Quem sou eu?! Do que mesmo gosto? O quanto sou espontânea e verdadeira, me respeito? Faço jogos para viver, qual é o papel que represento, sou imagem do Criador? Onde está o melhor de mim? O que é o melhor de mim? Não sei.

Na frente desse espelho que me reflete a um ser, uma mulher, me observo. As marcas evidentes do tempo, meu sorriso, meu olhar, posso fazer várias caras e bocas... Prendo o cabelo, passo batom, pinto meus olhos, falo comigo, canto... Como é bom cantar! Dentro de mim, às vezes não há vontade cantar e nem sorrir, há um silencio secreto, há sonhos e fantasias adormecidas, falta tempo e espaço. Olho para mim de forma penetrante, como se pudesse mergulhar nesse universo... É uma caverna, cheia de cristais sedimentados, é o  meu lado avesso, sem maquiagem  sem retoques.

Psiu, psiu... Quero falar com você, escutar sua voz, dividir nossas metades... Que idade tem? Qual é a sua maior saudade? Onde está seu medo? Faz tempo, muito tempo que não  nos vemos, acho que vai me estranhar... Não tenho mais 20 anos!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Passeando pelo passado




Estava arrumando uma gaveta, aquela que guardo fotos antigas, cartas com registros de coisas já sentidas... Gosto dessas lembranças, me surpreendo com essas recordações como se estivesse vendo pela primeira vez... Sempre me emociona! É onde guardo o passado, mas, toda vez que o visito, um sentimento presente me carrega para o futuro, pois tudo isso faz parte da minha bagagem, levarei comigo para eternidade...

“Minha querida Clotilde, Saudosamente estou lhe ofertando a inclusa foto instantânea da nossa juventude. Foi ela produzida em uma tarde de domingo de 1975 em frente ao Cine Gazeta, lembra? Fomos assistir a Opera Rock, Tommy.  Éramos  jovens e confiantes, o mundo era nosso... Você usava calça Lee, uma bata indiana cor de pêssego e uns tamancos bem altos, de cor marrom, era a ultima moda, plataforma escandalosamente alta, mas a gente se sentia gigante, só faltávamos voar, tudo era azul, me lembro do céu dessa tarde, inesquecível céu dessa tarde... Uns hippies mostravam seus trabalhos na mesma calçada e tiramos algumas fotos juntos, poesia pura, paz e amor! Nada menos que três décadas ultrapassaram essa data, toda via fatores circunstanciais ao longo do tempo tolheram nosso convívio quase diário...”


E assim gravado na minha memória, pinceladas desenham toda essa caminhada de tantos anos, atrás, faço esse mesmo trajeto, meu peito se aperta, saudade! Guardo novamente essa carta, ela não é apenas uma carta, ela é o termo de garantia dessa a  amizade que carrego cimentada no meu coração feito joia rara.



sábado, 25 de maio de 2013

Um dia assim


Sexta–feira, dia 24 de maio

Chego no Salão, hoje é o dia da beleza. Três da tarde, faço minhas unhas com a Teca e o que mais precisar... Lá encontro com minha amiga Deolinda e papeamos bastante, no meio de tudo isso chamo o Carlos, ele é o cabeleireiro e dono do salão, e mais ou menos sigilosamente e meio constrangida confesso: “Carlos, todas as vezes que me sinto com problemas existenciais, pego uma tesoura e faço um estrago no meu cabelo,  queria que você desse um jeito...”. Ele olhou para mim e bem piedosamente falou: “Sabe o que faço nos meus dias de problemas existenciais? Eu pego a tesoura  e minhas clientes saem felizes daqui”. Tipo Eduard mãos de tesoura... Achei ótimo!

Olha que me senti linda, acho que o espelho do Carlos já é preparado para elevar a autoestima de suas clientes. Bem na frente do espelho havia um tubo bem grande de laque e não pude acompanhar todo o processo de repaginação, mas quando pedi licença para retirar aquele tubo me senti de alma nova.

Saí correndo do salão, já era quase noite e ainda precisava passar no mercado pois Terezinha Romano ia jantar na minha casa... Tínhamos combinado que ela levaria o antepasto e a sobremesa e eu cuidaria do resto. Como estava frio, iria fazer uma bela sopa de abobora, com peras e queijo gorgonzola, deliciosa e bem apropriada! Fiquei encarregada de comprar algumas garrafas de vinho tinto, andei xeretando algumas sugestões no face do meu amigo Lenine Marcato, ele tem uma forneria em Guarulhos, cidade bem perto de são Paulo e pelas suas postagens, pratos que engordam só de olhar e vinhos que dão agua na boca... Sempre ótimas dicas!


Ontem a temperatura estava bem fria, da varanda do meu apartamento o céu era da cor de um jeans bem escuro e as nuvens borravam a escuridão. Conversa vai, musicas antigas, não sei porque sempre opto por escutá-las, não sei, mas fiz varias viagens no tempo, hora Tietê, lembrei das minhas lindas primas Ilze Maria, Ilka e Ieda - nos nossos tempos de carnaval... Hora Ubatuba, hora Guarulhos, amigos e lembranças... Senti uma infinita saudade da Bebel, minha irmã - partilhamos desses momentos juntas. Terezinha Romano veio de Táxi, ainda bem, conversamos até o galo cantar. 


domingo, 19 de maio de 2013

Jamanta e Bico Fino


Jamanta é um cachorro Vira-Lata, todo preto e tem esse nome porque é um tanto gorducho. Cativante e amigo adora se deitar na soleira da barbearia de seu Manuel, lá todo cliente que entra o trata de forma peculiar, pois Jamanta recebe as pessoas com seu rabo cumprido abanando alegria e participa das conversas atento. Seus olhos pretos parecem uma jabuticaba, quando ouve algumas palavras - comida, vamos dar uma volta e como está bonito - faz festa e mais festa... Parece que entende! Simpático, fica horas no seu banho de sol, Jamanta adora quando percebe que o assunto é ele, aí ele entorta o olhar e levanta as orelhas se fingido de morto. Seu Manuel comentou outro dia que era frequente o sumiço do “moço”, às vezes sumia por mais de uma semana, principalmente ás sextas-feiras... Passava o fim de semana sem noticias e se preocupava. Mas Jamanta era mesmo do mundo, ele já tentara leva-lo para sua casa, em vão, o danado dava um jeito e sumia...

Bico Fino, era assim que Dona Marlene chamava seu cachorro de estimação, todo preto e com  focinho cumprido e pelos arrepiados na cabeça, fazia o maior sucesso. Bico Fino sabia do seu carisma e conseguia ganhar muitos ossinhos e brinquedinhos, tinha vida de paxá, era o rei da casa, não podia chegar alguém que ele colocava sua barriga para cima... Mesmo sendo vira–lata se portava como lorde. Ganhava uma atenção de filho, melhor ração, banho e tosa... Estava sempre limpo e perfumado. Como era esperto, seus olhinhos, as vezes só o branco dos olhos ficava a mostra e entendia tudo. Bico Fino tinha certas manias, adorava dar umas voltas, deixava Dona Marlene quase louca, sumia por horas, mas sempre no final da tarde regressava, parecia descansado e feliz.

 Um belo dia Bico Fino sumiu mesmo, não voltou no horário que sempre retornava. Nesse dia Dona Marlene não pregou os olhos, melhor dizendo, chorou até não ter mais lagrimas. No dia seguinte começou sua peregrinação, andou por toda vizinhança, mas ninguém sabia do tal Bico Fino. Tentou ir mais longe, foi quando deu de cara com o danado, ele assim todo bonachão no seu banho de sol... Furiosa deu de cara com seu Manuel, que contava as últimas peripécias do seu Jamanta: “Veja o Jamanta ficou a noite toda dentro da barbearia, dormindo como anjo, nem se levantou quando fechei a porta, parecia que queria  mesmo ficar por aqui”, era o papo do dia.

Marlene entrou na conversa: “Esse cachorro é meu, meu senhor!”. “Não é possível, senhora, ele passa todas as tardes comigo, é meu companheiro!”. Bem se via que a disputa estava começando e lá o cão fingia que não tinha nada com isso. Por horas e nada de uma decisão, Seu Manuel vermelho e suado não entregava o Jamanta, dona Marlene já tinha tentado todas as artimanhas para que o Bico Fino a acompanhasse... Na confusão foi juntando plateia... Uma loucura! O que fazer?

 Do outro lado da rua um Padre que observava a história resolveu se intrometer: “Por que não deixam como está?”. Marlene e Manuel torceram o nariz, o cão num ato repentino se levantou e começou a lamber o padre e abanar o rabo, foi como se dissesse, alguém aqui tem sensatez. Depois disso, como Bico Fino acompanhou Marlene até sua casa. Na manhã seguinte como Jamanta, esperava Manuel na porta para abrir a barbearia. Disso tudo surgiu uma nova amizade, Seu Manuel sempre recebia a visita de Dona Marlene, ela gostava de levar para ele seu doce predileto, ambrosia...  Começou a pintar um clima!






sábado, 13 de abril de 2013

Ela é dona do jogo


Estou no aconchego dos meus pensamentos, a água morna da torneira lava a espuma do detergente, então nos meus devaneios, sinto uma baforada que me assusta, é Zenaide... Chega nervosa para contar: “Menina, Marco Aurélio intrometeu um soco no sínico do meu prédio, sabe?!” Me conta assim, como se eu conhecesse os protagonistas da história!

Zenaide - com todo respeito - vai contando e eu formando imagens... Nesse momento seu rosto se transforma na cara de um espantalho - aqueles que espantam os pássaros em hortas e jardins - é que seus olhos arregalados, seus cabelos despenteados e a vassoura que traz nas mãos me levam à história do "Magico de Oz".

Ela tem sempre uma novidade, até já viu disco voador.  Limpa a casa, narrando tudo que está fazendo: “Vou virar sua mesinhaaaa!”; ”Vou ‘alimpar’ o ‘vridro’!”; “Vou molhar suas ‘prantinhas’ pra você ficar contenta.”...

Nunca acerta meu nome, me chama de Cleotilde o tempo todo... Outro dia perguntou por que eu não me chamava Cleópatra, já que era mais bonito... Ontem, na hora de se despedir, me viu desformando um pudim e toda sorridente comentou: “Nossa, Cleotilde  tá aspirada hoje!”.

Aspirada fico com as historias da “mulé”, me contou até que um dia estava no ponto de ônibus e um tarado a “futucou”. Indignada perguntei: “O que você fez?” “Ah, Cleotilde, nada, ele era bonito!”. Ai, ai, ai... Coisas de Zenaide!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Visita ao senhor



A sala está na penumbra, sento ao seu lado, sua mão ainda forte se entrelaça com a minha, há apenas a sintonia das nossas almas. Pela tela da televisão apagada, o reflexo em branco e preto faz com que eu o observe. O relógio de Parede toca suas seis badaladas, hora dos Anjos.... Percebo que ele reza baixinho sua oração predileta: Ave-Maria.

Me lembro dele moço, declamando para nós sua primeira poesia, insisto para ele declamar novamente, por um momento ele se empolga: “Pelo escuro da rua estreita ninguém me vê... Não me lembro mais!” E eu digo: “E o lampião e o vaga-lume que enroscou no seu sapato?”. Repete: “Não eu mão me lembro, faz tanto tempo!”

Um dia me disse da fragilidade da vida: “A vida é um fio delicado...”. São os acordes tocados em seu Violoncelo que ecoam agora em sua memória... Sua canção predileta - “Reverie”, de Shumann - que, nas cordas desse instrumento, o deixa nostálgico... “As vezes sinto o afago das mãos da minha mãe no meu rosto e a voz do meu pai”, me confessa timidamente. Diz ainda da saudade da sua esposa e dos filhos, sua maior conquista, frutos colhidos que se multiplicaram.

Há uma dor em seu olhar, posso escutar sua voz embargada, seu choro triste... Vem a noite, nasce o dia, ele é um homem cansado da vida, uma árvore centenária com raízes fincadas no solo, não há mais água para sevá-lo.... Sem frutos para colher.


Me diz, agora, o que ele espera da vida: “Espero todos os dias o relógio tocar as seis badaladas, hora dos Anjos... Espero que eles venham em revoadas, com suas flautas e harpas. Quero voar e ser novamente feliz!”.

sábado, 30 de março de 2013

Feliz Páscoa!!!



Sexta-feira Santa, lembro do céu desse dia, era sempre cinza, era um dia mudo, sem música. Mamãe dizia: “Hoje lembramos o dia da morte de Cristo!”. O sábado trazia resquícios da sexta–feira da paixão, o céu não estava totalmente claro, mas a morte de Cristo ainda era motivo de silencio. Manhã de Domingo, papai nos acordava de maneira afetuosa, falava assim: “Olhem o que o coelhinho trouxe!”. Nós pulávamos da cama, nossos olhos brilhavam... “O meu é vermelho”, mas tinha azul, verde, amarelo.... uma porção de ovos coloridos! E pelo caminho cenouras mordidas, não é que o coelho esteve por lá!

Papai gostava de nos reunir nessa data. Íamos para o quintal de casa, era um quintal cheio de árvores, Acácia Mimosa era a sua preferida. Acho que suas flores amarelas e seu perfume davam um toque especial e lá fazíamos uma pequena Missa, ao som do violino tocando Ave-Maria, ficávamos em silencio, escutando as palavras saídas do coração do meu pai, era singelo esse momento, nos confraternizávamos.

Mamãe colocava uma toalha branca com uma estampa bem delicada, minúsculas rosinhas rosas de miolinhos amarelos, sobre a grama ainda molhada de orvalho... Mamãe caprichava, nos servia um delicioso café da manhã. O perfume do café atraia até os passarinhos, que atentos esperavam as migalhas dos pães e restinhos de bolo.

 Olhos azuis da minha mãe se divertiam, olhos azuis que riam... É o que eu tenho mais saudade, desse rizo maroto nos olhando enquanto corríamos, corríamos entre as copas das arvores e os raios do sol! Assim eram nossos domingos de Páscoa!

sexta-feira, 15 de março de 2013

O pão nosso de vários tempos



“A canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa da vovó que não soube remar!” Fim de tarde, os meninos subiram da quadra onde estavam jogando bola. Enrico e Enzo são meus netos, Enrico tem seis anos e o Enzo tem três, os dois são filhos da minha filha mais velha, Ana Carolina.

 Então, Enrico e Enzo subiram suados e esfomeados: “Vovó quero pão na chapa!”. Llá fui eu fazer pão na chapa... Hum que delicia! Quando cheguei na sala com os pãezinhos devidamente “chapados” - sim pães na chapa, a frigideira precisa estar bem quente, se coloca manteiga (gosto muito da manteiga Aviação), manteiga derretida, então lá vão os pãezinhos abertos para dentro da frigideira, por uns minutinhos e ficam deliciosos! Enquanto os pães estão sendo preparados, água para ferver, pois pão na chapa combina perfeitamente com um café feito na hora!

Escuto a Carol comentar com os filhos: “A Vovó fazia todo dia pão na chapa para o tio Lu, tia Cacau, tia Ia e para mim... A gente adorava! Viajei na saudade, fui parar na rua Apinajés... Meus filhos eram pequenos, tempo bom, me visualizei entrando na sala com os famosos pães na chapa para as crianças, na época chamávamos de canoinhas. Toda manhã minha casa se transformava em uma verdadeira lanchonete, os quatro ficavam sentados no sofá assistindo os desenhos da época aguardavam o café da manhã. Cada um escolia o que queria comer, preparava um mingau  de chocolate , as vezes fazia bolinhos de chuva... Era tão bom que hoje, contando assim para vocês, senti o cheirinho do pão fritinho na manteiga... Fui mais longe, muito mais longe nas minhas lembranças...

Eu era pequena, minha avó Clotilde também fazia pão na chapa para nós netos. Eu também adorava! Agora me vem o barulhinho da manteiga derretendo, que delicia!  Volto na infância, no tempo que se foi, mas as lembranças habitam meu coração... Refletido no espelho do guarda-louça da vovó Beatriz, minha outra avó. Vejo os pães doces e a manteiga Aviação, a embalagem era uma lata, precisava usar até um abridor para abrir... Sinto o perfume desse tempo, tempo de descobertas.

“Nós queremos uma valsa , uma valsa para dançar, uma valsa que fale de amor, como aquela dos patinadores. Vem meu amor, vem meu amor, um passinho pra cá, um passinho pra lá,  a mamãe quer dançar com o papai.” Lembranças da vovó tocando piano, tempo de tantos sonhos!

sábado, 2 de março de 2013

Amor predileto




Quero falar de uma coisa.... Uma vez, há muito tempo atrás, conversava com Ana Maria e Luís Fernando... Acho que há uns dez anos atrás.... Lembro bem da cena!

Estávamos jogando conversa fora, deitados na minha cama, nós três. Eu era uma eterna pedinte de cafuné e a Ana Maria, sempre muito disponível para esse carinho gostoso... Fazíamos uma troca, uma hora ela me maquiava e outra hora eu a maquiava, tudo virtual, a base cor terra-montanha, pó de Arroz branco nuvem e lá íamos inventando moda... Tudo para receber um carinho no rosto. Lembra filha? Sinto muita saudade desse tempo passado, mas marcado para sempre!

 O Lu, o próprio aprendiz, me falava da sua empresa, Viação da licença... Seus ônibus e seus sonhos de madrugar para conhecer São Paulo, era para ele uma alegria conversar com os motoristas, seus amigos Zé, Bahia, Mineiro... Pegava ônibus e ia até o ponto final, depois contava todo feliz das viagens e dos amigos que fazia.

Bom voltando para o cenário dessa historia, veio um assunto um tanto questionador. O Lu comentou que a Maria Claudia, Cacau, é a filha predileta da mamãe. Virou a Ana Maria e disse não , o filho predileto é você Lu. Minha curiosidade me fez ligar na mesma hora para Cacau , ela estava voltando da faculdade, e pelo celular perguntei: “Cacau, quem é meu filho predileto?” Ela respondeu: “A Ia!” Liguei para a Carol e fiz a mesma pergunta: “Filha, qual é meu filho predileto?” Ela me respondeu na cara dura: “Sou eu!”. Achei o máximo sua segurança do meu amor!

Foi divertido saber dessa avaliação tão íntima de cada um dos meus filhos, porém, sem concordar, pois acho que amo de forma idêntica. Cada um é amado de forma única, mas na mesma intensidade... O amor é individual, mas seguramente igual!!!

Hoje, estávamos na casa do meu pai e surgiu mais uma vez esse assunto, pois meu pai tem seis filhos. Eu comecei a contar para ele e a Carol como eu havia sido conquistada, digo assim, qual foi o momento que eu realmente fui fisgada pela flecha do amor materno. Cada filho foi olhado de forma, não apenas pelo fato de ser mãe e ser cumpridora desse amor inerente, mas quando me dei conta do que cada filho me trazia... Um olhar, um sorriso, um abraço e que não poderia mais viver sem a história pessoal de cada um deles. Relembrei também a resposta que ela me deu na ocasião... Ela morreu de rir e me disse assim: “Não acho mais que eu sou sua filha predileta, seu filho predileto é o Lu!” Como ser mãe é difícil!

Bom, perguntei para ela: “Filha de quem você gosta mais, do Enrico ou do Enzo?” E tenho certeza que sua resposta foi sincera e de coração: “Amo os dois da mesma forma!”. A minha resposta também é a mesma: Mamãe ama seus filhos e agora mamãe virou avó... E o que dizer desse sentimento? Amo meus filhos e netos!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Abrindo o jogo



Terezinha Romano, ai amiga... Depois de tanto assunto, fiquei pensando no número de vezes que surtamos e fazemos coisas muitas vezes trágicas. Lembrei de que há anos atrás, quando minhas filhas eram bem pequenas, me encontrava no auge de uma enorme exaustão. Na hora de preparar as três mamadeiras, em vez de colocar açúcar, coloquei detergente! Lembro que chorei, chorei.... Elas não tomaram as mamadeiras, graças a Deus, percebi a tempo.

 Essas coisas que fazemos muitas vezes por excesso de distração me faz lembrar da noite que fui rezar com as crianças - Carol, Cacau, Ia e Lu - era um costume nosso. Nessa época passava na Globo uma novela que tinha como tema de abertura a musica Love is in the air e eu ficava cantando o tempo todo essa música. Bom, voltando a reza, fui puxar a primeira oração e comecei: “Love is in the air...” No mesmo tom do Pai nosso... Imaginem como ficou! As crianças caíram em gargalhadas... Foi hilário! Será que isso tem explicação? Acho que estava mesmo no ar! Pelo menos a sintonia do amor.

Sabe, eu tenho uma pendência com meu pai, por causa dessas apagadas que temos de vez em quando... Quando eu tinha uns três aninhos, portanto era praticamente um bebê, morávamos numa cidade do interior de São Paulo, Descalvado. Meu pai foi passear comigo na praça da cidade e lá encontrou um amigo, conversa vem conversa vai, e pirirí e pororó... Papai se despediu do amigo e simplesmente foi embora. Quando chegou em casa minha mãe perguntou: “Cadê a Clotilde*?” (*Isso é nome de um bebê? rs) Ele tinha me esquecido na praça! Até hoje eu brinco, se ele tem certeza que “resgatou” o bebê certo... Falo assim: “Pai quem garante que eu sou mesmo a Clotilde?” 

Coisas assim acontecem, sei de um caso interessante... Acho que já contei num outro texto, mas toda vez que lembro, choro de rir! Foi no dia que Edna foi pegar uma carona com Irati. Edna deu a volta no carro, ia sentar bem atrás de Irati, no banco do passageiro, pois na frente já tinha outra pessoa, pois é, ela deu a volta, mas a Irati esqueceu da “carona” e  arrancou com o carro e ainda passou por cima do pé da Edna. Lembrei ainda do dia que Irati estava passando roupa - o ferro estava bem quente - o telefone tocou e Irati num impulso colocou o ferro na orelha. Sua orelha quase virou torresmo! A Irati tem muitas histórias. Em um outro caso inesquecível, depois de chegar em casa com seu guarda- chuva encharcado, pois caia uma tempestade, percebeu um bilhete sobre a mesa. No momento que foi ler o papel abriu novamente o guarda-chuva em vez de pegar os óculos. Doida de mais!

Terezinha Romano, olha como é a vida... Fazemos verdadeiras loucuras! Ainda bem que para esses pequenos espasmos de memória, as consequências são as divertidas lembranças... Precisamos estar atentos, serenos e nunca perder a alegria de ser feliz!



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Só para mulheres




Bom, não sei como contar essa historia... Como diria Dona Morena: “real e verídica”. Mas é tão surreal que vou mudar a identidade de quem me contou. Quando pedi autorização para escrever sobre isso, ela me faz jurar que jamais revelaria seu nome, por isso baseado na personagem Frô, da Marianna Armellini em Guerra do Sexo, escolhi um nome fictício...

Terezinha Romano, amiga da vó da Carmem, foi a uma consulta rotineira a sua ginecologista, saiu de lá com uma lista enorme de exames, exames de imagem e de sangue. Prometeu fazê-los... Ao regressar com os resultados sua medica constatou uma pequena infamação nos seus países baixos, o que não é nada fora do normal, nada de mais... Tirando o “probleminha” estava quase boa , uma leve osteopenia no fêmur, colesrerol um pouco alto, diabetes controlado e seu triglicérides alterado... Tirando esses pequenos detalhes, estava tudo perfeito. Que bom!

Dra. Ângela, depois de espiar todos os resultados, tirou seus óculos, pegou seu receituário e começou a prescrever alguns medicamento. Na medida que ia escrevendo, olhava para Terezinha Romano e explicava como usá-los. Terezinha Romano bem atenta não perdia nada. No final, Dra. Ângela pediu sua atenção especial, estava passando para ela um procedimento para seu problema inflamatório - aquela nos países baixos. O remédio seria assim, uns óvulos bem grandes e uns outros comprimidos para serem usados durante uma semana, entendido? Sim!

Terezinha Romano saiu do consultório, passou na farmácia e pensava começar o tratamento naquela mesma noite. A noite chegou... Ela abriu a caixa dos óvulos, achou estranho, tinha um aplicador, não entendeu muito bem, mas o guardou novamente na caixa. Seguindo a orientação de sua médica, pegou dois óvulos e foi até a cozinha buscar um copo de água... Depois de um gole grande e de um engasgo quase mortal, aos poucos foi conseguindo engolir.

Enquanto aquilo descia pela garganta, começou a lembrar do aplicador... Foi quando, como um flash, lembrou do que Dra. Ângela havia falado... Já era tarde demais! Terezinha Romano ficou em pânico... O buraco era mais embaixo. Quase foi para o hospital, mas constrangida, preferiu ligar para a médica que a tranquilizou: “Acidentes acontecem, querida.”

Conto isso, um pouco vexada, vergonha alheia... Disse para minha amiga que também já fiz algumas confusões, coloquei um produto para higienizar verduras, a base de cloro no meu nariz... Achei que era Sorine!  Morremos de rir... Tomamos um café gostoso e o papo foi longo, tínhamos muitas historias para contar!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Hoje é o Dia da Saudade...




Perguntei para mim, “Clotilde do que você sente saudade”?

Respondi rápido para mim mesma, lembrando do quintal da casa dos meus pais... As árvores, olhava o céu, tinha uns trinta e poucos anos, filhos pequenos, meus pais eram jovens, irmãos. Éramos uma família... O quebra cabeça estava composto, era colorido... Mamãe adorava escutar Pavaroti, a música era sempre animada. Lembro nesse momento de algo que me emociona... É a saudade batendo forte na minha memoria!

 Penso na minha irmã Bebel e recordo algo que tenho certeza que ela lembra também... Papai adora escutar Zorba, canções gregas, e a gente vibrava, todos nós dançávamos, papai fazia uma coreografia, as crianças se empolgavam e nós ficávamos em sintonia... Dançávamos e riamos muito!

Lembro do meu irmão Francisco, sempre com seu sonho de ser Herói, acho que seu maior inspirador foi Che Guevara... Lembro do seu encanto de menino ao olhar uma foto do Che com a estrela no meio de sua testa.  Zezo fazendo campeonato de botão, São Paulino roxo, melhor, tricolor de corpo e alma.

 Mario e Marcelo, meus irmãos gêmeos, os eternos nenês da casa, amados como se fossem filhos de todos nós. Mario trouxe o Rangue, um cachorro Pastor Alemão herança concedida depois que ele serviu o exército,  virou seu fiel  amigo... A respiração do Rangue  e do Mario eram sintonizadas. Marcelo, Celinho, acho que ele foi minha primeira experiência de mãe, quando pequenininho e tinha medo à noite ia para minha cama... Adorava!

Bebel meiga, amiga e companheira, encostávamos nossas camas para conversarmos até madrugada, conversávamos sobre amores, amigos... Presenciei até ela engolindo o coelhinho (Para quem me acompanha, já contei em um outro texto.).

Volto lá trás, no quintal da minha casa de menina, tantas saudades! O Bem-te-vi cantava seu canto breve e eu perguntava a ele  em seguida:  “Bem-Te-Vi, vou ser Feliz?” Minha mãe dava rizada, uma rizada gostosa. Saudade!  E o Bem Te Vi respondia com seu canto forte firme e sincero... Sim você vai ser feliz!

 Sinto Saudade do tempo da inocência, do tempo do amor que nos aconchegava, da minha mãe, do Bem-te-Vi, dos meus filhos pequenos...  Dos meus trinta e poucos anos!!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Como uma onda no mar





Olhava o mar tão imenso, não sei onde é o começo e nem aonde ele acaba... Estava perdida em pensamentos. Atravesso esse oceano, como se fizesse a travessia da minha vida. Não sei em que ponta  se encontra o inicio, se fica lá perdido, longínquo , aonde já não consigo enxergar ou aqui nesse ponto em que sinto os meus pés molhados, tocados suavemente pelas ondas que chegam mansas me tragando um pouco para dentro, o mar me abraça!  As ondas vão e vem... Quanta história elas trazem. Uma garrafa encosta em meus pés e dentro dela um papel umedecido me chama a atenção. Não pude deixar de ler...

Havia uma mulher que amara um violinista. Conhecera esse amor numa viagem de navio, ficou tão encantada... Sua música, sua beleza, fez tantos poemas, tantos sonhos. Apesar da distância de um enorme mar, havia a melodia das ondas, as estrelas que estavam lá e mais que tudo isso a memória da pele, o calor do coração...  A lembrança do olhar, do sorriso, já nem se importava em viver, a saudade era de dor!

O amor é um sentimento tão único, sentido de maneira particular, cada um sabe seu modo de amar: “O Amor é fogo que arde sem se ver”, o amor é dom de doação, “Chore essa saudade estrangulada”, “Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim”... Abraço o mar, fecho  meus olhos, ouço a música que o vento traz de longe, das histórias das pessoas... Do silêncio das pessoas que ecoam pelo universo... E assim continuo a minha travessia, mesmo que ontem já não exista, caminho para o amanhã, com a sensação que precisou existir um passado para saber o quanto vale a pena viver!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

As luzes de 2013







Uma mesa linda, um banquete,  para a confraternização de uma data tão importante. Todos esperavam os sinos tocar, a meia noite, os fogos explodirem, à meia noite, as taças bridarem, meia noite, nossos corações e seus pedidos secretos na meia noite... Sonhos e tantos desejos, tantas lagrimas... Olho o meu pai, seus 87 anos, feliz Ano Novo! Penso nos pais daquelas crianças assassinadas nos Estados Unidos, feliz Ano Novo! Vejo a barriga da Ana que cresce, feliz Ano Novo! Penso em mim, feliz Ano Novo!

Um ano que nasce assim como tantos, o que há de diferente? As estrelas riem, o céu escuro é o mesmo céu do ano passado, do século passado, de milênios atrás! O homem também ainda é igual.... Alimenta seus sonhos, seus desejos. A família está linda, toda de branco, num ritual de esperança... Sete ondas, lentilhas, semente de romã. Cor amarela para ter dinheiro, cor vermelha para o amor, cor branca para a paz!

Nessa festa de virada me encontro com seu José e Lavinia, tanto tempo não nos encontrávamos... Ideli, faz uns três anos que não nos abraçamos! Elza, nos falamos por telefone, pelo menos isso, já é alguma coisa! Darcy, tenho pensado muito em você e torcido pela sua recuperação!  Ângela, Bel e Graça, amigas tão queridas, espero que esse ano possamos nos encontrar, sinto muita saudade. Amigos, é muito bom ter vocês aqui!

 Como seria delicioso hoje olhar nos olhos de todos os meus amores, lindo amores, amores de toda uma vida... Pais, filhos, irmãos, amigos... Enfim, poder mesmo estar junto nessa enorme vibração e ter a certeza que, ESSE ANO SERÁ O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS! Feliz Ano Novo!