sábado, 31 de dezembro de 2011

Festa quase trágica

Fomos passar o ano novo em um haras, no interior de São Paulo, um lugar muito bonito. Todos nós estávamos felizes, a familha toda reunida, até a Nina estava. Fora da casa havia um espaço coberto, como se fosse outra casa, porém sem portas. Lá tinha uma cozinha bem grande, era o lugar perfeito para nossa reunião. A piscina ao lado, tudo perto, dia de sol, musica, risadas.
Quando dei inicio aos preparativos da ceia, ainda de manhã, pedi ao meu filho Luís Fernando sua ajuda, pois ele é um ótimo chef, os demais curtiam aquela gostosa manhã , na piscina. Entretida, me divertia escutando o falatório, o Lu, todo ocupado, preparava o tender, com uma faca bem afiada, fazia os famosos losangos para colocar os cravos, tudo tranquilo... De repente, o Lu, branco e muito pálido, me fala assim: “Mãe cortei o pulso!” O que qualquer pessoa pensaria? 
Entrei em desespero, primeira providencia, sem olhar, joguei um pano de prato para ele cobrir o braço.... Ele continuava nervoso e me pareceu muito assustado, comecei a gritar feito louca, já imaginando meu filho se esvaindo em sangue e como seria seu socorro pois era bem longe da cidade. Todos vieram correndo, saíram da piscina assustados com os meus gritos... O terror tomou conta, quem iria levar o Lu ou mesmo olhar a gravidade do ferimento. Foi quando o Hilton se aproximou, tentando parecer calmo, tirou a toalha do braço do Lu...
            Para nossa surpresa, o tal corte no pulso era totalmente insignificante, um risquinho de sangue. Que sangue? Apenas um leve corte, bem inexpressivo! Graças a Deus, mil graças! Por um momento achei que aquele final de ano seria a maior tragédia.
Na hora da Ceia, recordávamos e riamos muito do incidente. Foi um delicioso jantar, comida caprichada, noite linda! E juntos, todos felizes brindávamos o novo ano, inesquecível, estávamos ansiosos a espera do Enrico meu primeiro neto...
Recordo desse réveillon e aproveito o tema para desejar a todos  que o ano de 2012 seja um ano de PAZ, AMOR e de realizações plenas!! Beijos! Que o velho adormeça e o novo nos traga a esperança da vida!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Parei e refleti



Olhando a Avenida Paulista toda enfeitada e linda, movimentada, em clima total  de Natal, não  consegui deixar de refletir. A mesma Avenida Paulista, palco de tantas intolerâncias e vandalismo, nesse mês de dezembro o que mais se vê por lá são pessoas se divertindo com toda a magia de enfeites e papais-noéis.  Lembrei de um filme que assisti na seção da tarde, na época que era gostoso e gratificante passar a tarde vendo filmes românticos de humor, filmes de grandes mensagens...não me lembro do nome desse filme, sei que era numa cidade do interior dos Estados Unidos e mostrava a vida de uma menina, vou chama-la de Greice, pois não me lembro do seu nome.
Greice era ma criança linda, loirinha e de olhos azuis, vivia com sua mãe na maior pobreza. A mulher era alcoólatra  e muito revoltada, a filha não era amada por ela, era tratada com indiferença  e desprezo e não recebia nenhum tipo de cuidado... Literalmente abandonada! Um casal da cidade, o marido era médico, que não tinha filhos, condoídos com a situação de Greice, pediram para a mãe a adoção da menina, para poder cuidar e também ama-la.
Adoção concedida, Greice chegou em sua casa nova - pais novos, vida nova – blindada, não se permitia ser amada. Seus novos pais percebendo essa dificuldade de se adaptar, com muito carinho deram pra ela um pássaro, também vou batiza-lo de Sol. Greice se tornou inseparável e o considerou seu melhor amigo, com ele sim ela demonstrava amor confiança e carinho.
Matriculada na melhor escola da cidade e lá todos conheciam a sua historia de abandono, novamente foi rejeitada. Nenhuma criança de sua classe conversava com ela... Ficou totalmente excluída! Um dia sua professora perguntou para ela se Greice tinha amigos, então, a menina contou do Sol, seu único e melhor amigo, quase um pássaro encantado.  Foi aí que, pela primeira vez, seus coleguinhas fizeram contato com ela, todos queriam conhecer o Sol.  Greice convidou sua classe toda para conhecer seu famoso amigo.
  Sol fez o maior sucesso, voava livre em seu quarto....era tão pequeno e delicado.... Mas, nesse alvoroço de novidade, um coleguinha de Greice tirou do bolço de seu uniforme varias pedrinhas e começou a jogar no sol, as crianças se agitaram e, gargalhando, começaram a fazer o mesmo. Greice o que fez? Vendo aquele bando de crianças, todas unidas e ela toda fazendo parte da turma, pegou uma pedrinha, depois outra, mais uma e  seu melhor amigo todo machucado, morto... Morto por um bando de crianças!
Ao ver seu melhor amigo sem respirar, parado, sem voar, ela saiu correndo do seu quarto e pela primeira vez procurou o abraço de seus pais adotivos. Foi naquela hora que se abriu e se deixou ser abraçada por eles. Em  prantos sentiu a dor do que fez! Matou seu melhor amigo!
Não maltrate seu coração e nem a sua alma. A beleza do ser humano é ser puro e muitas vezes para nos sentirmos aceitos e acolhidos esquecemos a nossa essência. Que o desejo  do amor seja sempre nosso verdadeiro caminho.  Quem se sente amada e respeitada sempre vai amar e respeitar o outro! Um feliz Natal pra todos!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sou ré, confesso!

Estava de antena ligada na conversa de três meninos, sentada a beira de uma árvore num parque gostoso e me divertindo com a conversa dos três. Um falou para os outros: “Você já matou formiga?” Um deles respondeu: “Claro, várias!”. O terceiro menino deu uma risada desafiadora e disse: “Eu mato formigas com meu berro”. “Como assim?”, quiseram saber. “É fácil, capturo a formiga e ponho dento de um copo, quando ela começa a subir eu dou um grito bem forte e ela cai, outro berro ela fica tonta, grito tanto que ela morre.”
Também já matei formiga, barata, sempre achei correto matar pernilongos, mosquitos e ratos. Matar, palavra feia... mas muitas vezes matamos! Até com inocência. Sei que alguns bichinhos são mortos com crueldade... Essa conversa das crianças, provavelmente crianças de sete, oito anos, me fez viajar no túnel do tempo... Estava, com a minha família, na casa de meus cunhados e sobrinhos participando de um lanche bem bacana. Na hora de arrumar a bagunça fui incumbida de tirar a mesa, isso é, pratos, copos e talheres... a toalha toda suja de coca-cola teria de ir direto para a máquina de lavar roupa, mas minha cunhada pediu para eu coloca-la no banheiro das crianças... foi o que eu fiz! Fomos embora felizes, uma tarde bem especial. No dia seguinte: bomba, bomba, bomba!!! Matei as tartaruguinhas de estimação do meus sobrinhos, Fê e Giu. As tartaruguinhas estavam dentro do bidê, justamente onde coloquei a toalha, não enxerguei, pois eram pequenos cágados, não vi. Me senti assassina! Elas morreram sufocadas... considero uma verdadeira maldade! Que dó! 
Bem eu que só mato baratas, que são asquerosas. Sou do tipo que tenho horror de matar, mesmo que seja um grilo... Adoro encontrar joaninhas, mandorovás e borboletas me encantam. Esse meu delito, com as pequenas tartaruguinhas, só me fez prestar mais atenção e ter mais cuidado. Sempre olho bem quando vou colocar a roupa suja na máquina, pois acabei de me lembrar que numa dessas, já lavei uma perereca*.




*Perereca, animal anfíbio da família Hylidae, também conhecido por rela.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Por que não era José?


Participei outro dia de um jantar de negócios com quatro senhores, um evento bem formal. Fui acompanhada de um irmão e ele antes de chegar ao restaurante me disse: “Você está tão acostumada a fazer os pratos dos seus filhos que é bem capaz de querer cortar o filé do prato do dono da empresa, presta atenção, pois hoje você é uma mulher de negócios”.
No restaurante, estrategicamente, meu irmão sentou ao meu lado. Descobri depois o intuito, sai de lá com minha canela cheia de pequenos roxos, por varias vezes, quando ia falar sentia seus delicadinhos chutes me censurando.  Já bem segura do meu papel de mulher de negócios, resolvo perguntar o nome de um dos senhores, “Como é mesmo o seu nome?” Que pregunta mais infeliz que fiz, antes tivesse ficada calada.
Preciso fazer um aparte, foi na semana que eu ia postar o texto contando sobre o meu nome e como superei chamar Clotilde, pois por muito tempo meu nome me dava muito desgosto, fiz nessa mesma semana algumas pesquisas para encontrar nomes estranhos em desuso, encontrei vários, bem piores que o meu, tipo:  Bocetildes, Gervasio, Pauterio..... Então eu estava povoada com tantos nomes não comuns, tudo muito fresco na minha cabeça.
Voltando a minha pergunta “como é  mesmo seu nome? Ele respondeu: “Eucario”. Não teve como escapar, na hora me deu um ataque de riso, momento de silencio, as lagrimas escorriam dos meus olhos, evitei olhar par o meu irmão, fingi estar tendo um acesso de tosse. Não conseguia parar de rir...todos na mesa perceberam, mas continuaram a conversa, foi o momento que o chutinho do meu irmão doeu mais, levantei da mesa, fui ao toalete e nada, estava chorando de rir!
Dr. Eucario, no mínimo, gostaria de me dar o troco. Na hora, me fuzilou com os olhos, devia estar pensando que moral eu tinha para tirar sarro do nome dele...Como se meu nome fosse lindo... Na saída meu irmão falou, “Clotilde você não é filha da mesma mãe” entre outras coisinhas mais!
                Só para constar, Dr. Eucário, naquele momento de riso me senti super solidária ao senhor e, digo mais, nossos nomes não são lindos mas são exclusivos, não é mesmo?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Te conheço...

Consuelo era amiga da minha mãe na década de 70, uma mulher Alemã, um rosto nada comum.  Não era do tipo que se parece com fulana, tem o jeito de cicrana... Era bem diferente, não era possível existir duas Consuelos.
                Quase trinta anos sem ter notícias de Consuelo, estou com meu carro estacionado na rua da estação do metrô Clinicas quando vejo parada perto de mim alguém muito familiar, me encho de emoção e  saio do carro toda risonha... Nossa quanto tempo!  Me aproximo e digo: “Você não é a Consuelo?” Levei um banho de agua fria após ela responder que não. Voltei para o carro sem graça, ela era muito parecida. Bom, enganos acontecem!
Uma semana depois, estou em frente a uma casa de material de construção, vejo se aproximar de mim alguém muito “familiar”, mesma emoção, mesmo sorriso, pergunto:  “Você é a Consuelo?” A mulher olha para mim indignada e diz: “Você já me perguntou isso outro dia! Eu não sou a Consuelo.” e continuou andando. Que fora...
Nunca mais achei ninguém igual à Consuelo e se encontrar alguma pessoa parecida com ela, juro, fingirei que não conheço.....
Ficará para um próximo texto a historia do Dr Eucário. Não consigo me concentrar, pois ainda é muito recente e quando começo a escrever sobre isso tenho ataques de riso. Também foi muito constrangedor! Fato verídico e não tão inédito na minha ficha de precipitações.
Mirtes, espero que nossa amizade seja repleta de boas historias e que sempre, entre nós, o carinho seja o elo dessas fraternas e gostosas precipitações.