Perguntei para
mim, “Clotilde do que você sente saudade”?
Respondi
rápido para mim mesma, lembrando do quintal da casa dos meus pais... As
árvores, olhava o céu, tinha uns trinta e poucos anos, filhos pequenos, meus
pais eram jovens, irmãos. Éramos uma família... O quebra cabeça estava
composto, era colorido... Mamãe adorava escutar Pavaroti, a música era sempre
animada. Lembro nesse momento de algo que me emociona... É a saudade batendo
forte na minha memoria!
Penso na minha irmã Bebel e recordo algo que
tenho certeza que ela lembra também... Papai adora escutar Zorba, canções
gregas, e a gente vibrava, todos nós dançávamos, papai fazia uma coreografia,
as crianças se empolgavam e nós ficávamos em sintonia... Dançávamos e riamos
muito!
Lembro do meu
irmão Francisco, sempre com seu sonho de ser Herói, acho que seu maior inspirador
foi Che Guevara... Lembro do seu encanto de menino ao olhar uma foto do Che com
a estrela no meio de sua testa. Zezo
fazendo campeonato de botão, São Paulino roxo, melhor, tricolor de corpo e
alma.
Mario e Marcelo, meus irmãos gêmeos, os
eternos nenês da casa, amados como se fossem filhos de todos nós. Mario trouxe o
Rangue, um cachorro Pastor Alemão herança concedida depois que ele serviu o exército,
virou seu fiel amigo... A respiração do Rangue e do Mario eram sintonizadas. Marcelo, Celinho,
acho que ele foi minha primeira experiência de mãe, quando pequenininho e tinha
medo à noite ia para minha cama... Adorava!
Bebel meiga,
amiga e companheira, encostávamos nossas camas para conversarmos até madrugada,
conversávamos sobre amores, amigos... Presenciei até ela engolindo o coelhinho
(Para quem me acompanha, já contei em um outro texto.).
Volto lá trás,
no quintal da minha casa de menina, tantas saudades! O Bem-te-vi cantava seu canto
breve e eu perguntava a ele em seguida: “Bem-Te-Vi, vou ser Feliz?” Minha mãe dava
rizada, uma rizada gostosa. Saudade! E o
Bem Te Vi respondia com seu canto forte firme e sincero... Sim você vai ser
feliz!
Sinto Saudade do tempo da inocência, do tempo
do amor que nos aconchegava, da minha mãe, do Bem-te-Vi, dos meus filhos
pequenos... Dos meus trinta e poucos
anos!!!