sábado, 31 de dezembro de 2011

Festa quase trágica

Fomos passar o ano novo em um haras, no interior de São Paulo, um lugar muito bonito. Todos nós estávamos felizes, a familha toda reunida, até a Nina estava. Fora da casa havia um espaço coberto, como se fosse outra casa, porém sem portas. Lá tinha uma cozinha bem grande, era o lugar perfeito para nossa reunião. A piscina ao lado, tudo perto, dia de sol, musica, risadas.
Quando dei inicio aos preparativos da ceia, ainda de manhã, pedi ao meu filho Luís Fernando sua ajuda, pois ele é um ótimo chef, os demais curtiam aquela gostosa manhã , na piscina. Entretida, me divertia escutando o falatório, o Lu, todo ocupado, preparava o tender, com uma faca bem afiada, fazia os famosos losangos para colocar os cravos, tudo tranquilo... De repente, o Lu, branco e muito pálido, me fala assim: “Mãe cortei o pulso!” O que qualquer pessoa pensaria? 
Entrei em desespero, primeira providencia, sem olhar, joguei um pano de prato para ele cobrir o braço.... Ele continuava nervoso e me pareceu muito assustado, comecei a gritar feito louca, já imaginando meu filho se esvaindo em sangue e como seria seu socorro pois era bem longe da cidade. Todos vieram correndo, saíram da piscina assustados com os meus gritos... O terror tomou conta, quem iria levar o Lu ou mesmo olhar a gravidade do ferimento. Foi quando o Hilton se aproximou, tentando parecer calmo, tirou a toalha do braço do Lu...
            Para nossa surpresa, o tal corte no pulso era totalmente insignificante, um risquinho de sangue. Que sangue? Apenas um leve corte, bem inexpressivo! Graças a Deus, mil graças! Por um momento achei que aquele final de ano seria a maior tragédia.
Na hora da Ceia, recordávamos e riamos muito do incidente. Foi um delicioso jantar, comida caprichada, noite linda! E juntos, todos felizes brindávamos o novo ano, inesquecível, estávamos ansiosos a espera do Enrico meu primeiro neto...
Recordo desse réveillon e aproveito o tema para desejar a todos  que o ano de 2012 seja um ano de PAZ, AMOR e de realizações plenas!! Beijos! Que o velho adormeça e o novo nos traga a esperança da vida!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Parei e refleti



Olhando a Avenida Paulista toda enfeitada e linda, movimentada, em clima total  de Natal, não  consegui deixar de refletir. A mesma Avenida Paulista, palco de tantas intolerâncias e vandalismo, nesse mês de dezembro o que mais se vê por lá são pessoas se divertindo com toda a magia de enfeites e papais-noéis.  Lembrei de um filme que assisti na seção da tarde, na época que era gostoso e gratificante passar a tarde vendo filmes românticos de humor, filmes de grandes mensagens...não me lembro do nome desse filme, sei que era numa cidade do interior dos Estados Unidos e mostrava a vida de uma menina, vou chama-la de Greice, pois não me lembro do seu nome.
Greice era ma criança linda, loirinha e de olhos azuis, vivia com sua mãe na maior pobreza. A mulher era alcoólatra  e muito revoltada, a filha não era amada por ela, era tratada com indiferença  e desprezo e não recebia nenhum tipo de cuidado... Literalmente abandonada! Um casal da cidade, o marido era médico, que não tinha filhos, condoídos com a situação de Greice, pediram para a mãe a adoção da menina, para poder cuidar e também ama-la.
Adoção concedida, Greice chegou em sua casa nova - pais novos, vida nova – blindada, não se permitia ser amada. Seus novos pais percebendo essa dificuldade de se adaptar, com muito carinho deram pra ela um pássaro, também vou batiza-lo de Sol. Greice se tornou inseparável e o considerou seu melhor amigo, com ele sim ela demonstrava amor confiança e carinho.
Matriculada na melhor escola da cidade e lá todos conheciam a sua historia de abandono, novamente foi rejeitada. Nenhuma criança de sua classe conversava com ela... Ficou totalmente excluída! Um dia sua professora perguntou para ela se Greice tinha amigos, então, a menina contou do Sol, seu único e melhor amigo, quase um pássaro encantado.  Foi aí que, pela primeira vez, seus coleguinhas fizeram contato com ela, todos queriam conhecer o Sol.  Greice convidou sua classe toda para conhecer seu famoso amigo.
  Sol fez o maior sucesso, voava livre em seu quarto....era tão pequeno e delicado.... Mas, nesse alvoroço de novidade, um coleguinha de Greice tirou do bolço de seu uniforme varias pedrinhas e começou a jogar no sol, as crianças se agitaram e, gargalhando, começaram a fazer o mesmo. Greice o que fez? Vendo aquele bando de crianças, todas unidas e ela toda fazendo parte da turma, pegou uma pedrinha, depois outra, mais uma e  seu melhor amigo todo machucado, morto... Morto por um bando de crianças!
Ao ver seu melhor amigo sem respirar, parado, sem voar, ela saiu correndo do seu quarto e pela primeira vez procurou o abraço de seus pais adotivos. Foi naquela hora que se abriu e se deixou ser abraçada por eles. Em  prantos sentiu a dor do que fez! Matou seu melhor amigo!
Não maltrate seu coração e nem a sua alma. A beleza do ser humano é ser puro e muitas vezes para nos sentirmos aceitos e acolhidos esquecemos a nossa essência. Que o desejo  do amor seja sempre nosso verdadeiro caminho.  Quem se sente amada e respeitada sempre vai amar e respeitar o outro! Um feliz Natal pra todos!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sou ré, confesso!

Estava de antena ligada na conversa de três meninos, sentada a beira de uma árvore num parque gostoso e me divertindo com a conversa dos três. Um falou para os outros: “Você já matou formiga?” Um deles respondeu: “Claro, várias!”. O terceiro menino deu uma risada desafiadora e disse: “Eu mato formigas com meu berro”. “Como assim?”, quiseram saber. “É fácil, capturo a formiga e ponho dento de um copo, quando ela começa a subir eu dou um grito bem forte e ela cai, outro berro ela fica tonta, grito tanto que ela morre.”
Também já matei formiga, barata, sempre achei correto matar pernilongos, mosquitos e ratos. Matar, palavra feia... mas muitas vezes matamos! Até com inocência. Sei que alguns bichinhos são mortos com crueldade... Essa conversa das crianças, provavelmente crianças de sete, oito anos, me fez viajar no túnel do tempo... Estava, com a minha família, na casa de meus cunhados e sobrinhos participando de um lanche bem bacana. Na hora de arrumar a bagunça fui incumbida de tirar a mesa, isso é, pratos, copos e talheres... a toalha toda suja de coca-cola teria de ir direto para a máquina de lavar roupa, mas minha cunhada pediu para eu coloca-la no banheiro das crianças... foi o que eu fiz! Fomos embora felizes, uma tarde bem especial. No dia seguinte: bomba, bomba, bomba!!! Matei as tartaruguinhas de estimação do meus sobrinhos, Fê e Giu. As tartaruguinhas estavam dentro do bidê, justamente onde coloquei a toalha, não enxerguei, pois eram pequenos cágados, não vi. Me senti assassina! Elas morreram sufocadas... considero uma verdadeira maldade! Que dó! 
Bem eu que só mato baratas, que são asquerosas. Sou do tipo que tenho horror de matar, mesmo que seja um grilo... Adoro encontrar joaninhas, mandorovás e borboletas me encantam. Esse meu delito, com as pequenas tartaruguinhas, só me fez prestar mais atenção e ter mais cuidado. Sempre olho bem quando vou colocar a roupa suja na máquina, pois acabei de me lembrar que numa dessas, já lavei uma perereca*.




*Perereca, animal anfíbio da família Hylidae, também conhecido por rela.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Por que não era José?


Participei outro dia de um jantar de negócios com quatro senhores, um evento bem formal. Fui acompanhada de um irmão e ele antes de chegar ao restaurante me disse: “Você está tão acostumada a fazer os pratos dos seus filhos que é bem capaz de querer cortar o filé do prato do dono da empresa, presta atenção, pois hoje você é uma mulher de negócios”.
No restaurante, estrategicamente, meu irmão sentou ao meu lado. Descobri depois o intuito, sai de lá com minha canela cheia de pequenos roxos, por varias vezes, quando ia falar sentia seus delicadinhos chutes me censurando.  Já bem segura do meu papel de mulher de negócios, resolvo perguntar o nome de um dos senhores, “Como é mesmo o seu nome?” Que pregunta mais infeliz que fiz, antes tivesse ficada calada.
Preciso fazer um aparte, foi na semana que eu ia postar o texto contando sobre o meu nome e como superei chamar Clotilde, pois por muito tempo meu nome me dava muito desgosto, fiz nessa mesma semana algumas pesquisas para encontrar nomes estranhos em desuso, encontrei vários, bem piores que o meu, tipo:  Bocetildes, Gervasio, Pauterio..... Então eu estava povoada com tantos nomes não comuns, tudo muito fresco na minha cabeça.
Voltando a minha pergunta “como é  mesmo seu nome? Ele respondeu: “Eucario”. Não teve como escapar, na hora me deu um ataque de riso, momento de silencio, as lagrimas escorriam dos meus olhos, evitei olhar par o meu irmão, fingi estar tendo um acesso de tosse. Não conseguia parar de rir...todos na mesa perceberam, mas continuaram a conversa, foi o momento que o chutinho do meu irmão doeu mais, levantei da mesa, fui ao toalete e nada, estava chorando de rir!
Dr. Eucario, no mínimo, gostaria de me dar o troco. Na hora, me fuzilou com os olhos, devia estar pensando que moral eu tinha para tirar sarro do nome dele...Como se meu nome fosse lindo... Na saída meu irmão falou, “Clotilde você não é filha da mesma mãe” entre outras coisinhas mais!
                Só para constar, Dr. Eucário, naquele momento de riso me senti super solidária ao senhor e, digo mais, nossos nomes não são lindos mas são exclusivos, não é mesmo?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Te conheço...

Consuelo era amiga da minha mãe na década de 70, uma mulher Alemã, um rosto nada comum.  Não era do tipo que se parece com fulana, tem o jeito de cicrana... Era bem diferente, não era possível existir duas Consuelos.
                Quase trinta anos sem ter notícias de Consuelo, estou com meu carro estacionado na rua da estação do metrô Clinicas quando vejo parada perto de mim alguém muito familiar, me encho de emoção e  saio do carro toda risonha... Nossa quanto tempo!  Me aproximo e digo: “Você não é a Consuelo?” Levei um banho de agua fria após ela responder que não. Voltei para o carro sem graça, ela era muito parecida. Bom, enganos acontecem!
Uma semana depois, estou em frente a uma casa de material de construção, vejo se aproximar de mim alguém muito “familiar”, mesma emoção, mesmo sorriso, pergunto:  “Você é a Consuelo?” A mulher olha para mim indignada e diz: “Você já me perguntou isso outro dia! Eu não sou a Consuelo.” e continuou andando. Que fora...
Nunca mais achei ninguém igual à Consuelo e se encontrar alguma pessoa parecida com ela, juro, fingirei que não conheço.....
Ficará para um próximo texto a historia do Dr Eucário. Não consigo me concentrar, pois ainda é muito recente e quando começo a escrever sobre isso tenho ataques de riso. Também foi muito constrangedor! Fato verídico e não tão inédito na minha ficha de precipitações.
Mirtes, espero que nossa amizade seja repleta de boas historias e que sempre, entre nós, o carinho seja o elo dessas fraternas e gostosas precipitações.


sábado, 26 de novembro de 2011

Ela é de mais

Mirtes é uma pessoa diferente, tudo acontece com ela. Só para ilustrar: Mirtes é do tipo que quando acerta três números na sena já sai gastando por conta. Sem saber quanto ganhou, ela comemora e depois descobre que seu premio foi dividido por muitos, não sobrando quase nada. Ela é tão precipitada que foi a um casamento uma semana antes do dia e, o pior, encontrou amigos comuns, só se ligou do erro ao ver a noiva entrar na igreja. Mirtes me mandou rosas de presente, detalhe, um mês antes do meu aniversário.
Ela é dentista, falante simpática... Um dia atendendo um paciente, em uma época que não se usavam luvas de proteção, depois de se assustar com o barulho de um trovão, cometeu uma barbeiragem. O paciente se movimentou na cadeira e voou sangue pra todo lado. A mão da Mirtes ficou encharcada! Pasmem, ele tinha o vírus da Aids. Mirtes ficou em pânico.
E olha essa...Mirtes estava em sua chácara, no interior de São Paulo, com sua família e resolveu se deitar antes de seu marido. Lá pelas tantas, acordou num sobre salto escutando vozes desconhecidas. Ela achou que se tratava de um assalto. Entrou em desespero. Levantou-se, foi até o quarto de seus dois filhos. Eles estavam dormindo sãos e salvos. Encontrou a porta do corredor fechada e ficou paralisada escutando o que se passava na sala. “Não se mexa moço. Nem pisque.” Ficou desesperada. O que fazer?
Pé ante pé, bem devagar e tremendo muito, conseguiu chegar novamente em seu quarto, lá pegou o telefone e ligou 190. Foi atendida imediatamente pela polícia, enquanto isso as vozes continuavam altas lá na sala. Pegou seu terço e rezava incessantemente. Que pesadelo! Não via a hora de salvar seu marido. Foi aí que a policia chegou...Ufa! Graças a Deus a casa foi cercada, as luzes das viaturas não paravam de piscar, respirou. Aguardou em silencio a rendição dos bandidos. Seu marido, desesperado, abriu a porta de sua casa. Não estava entendendo nada. Saiu com suas mãos levantadas, certo de que algo muito estranho estava acontecendo, os policiais perguntaram: “Tudo bem?” “Cadê os ladrões?” Ele respondeu: “Que ladrões?” O policial perplexo respondeu: “Sua esposa nos ligou aflita contando que o senhor estava sendo assaltado”. Domingues quase desmaiou, não havia assalto coisa nenhuma, Mirtes se enganou, era apenas o barulho da televisão. Domingues estava assistindo um filme de faroeste, “Chaparral”. Mirtes meio que surpresa e envergonhada não sabia como sair dessa enrascada. Pediu mil desculpas, olhou para o marido e com cara de tacho e sorriso amarelo disse, “Meu bem, achei que você estava em apuros!”.
Ainda bem que só foi um engano. E que engano, não é amiga? Mirtes, um ser único, intenso e real!



sábado, 19 de novembro de 2011

O dólar furado

Selma, amiga de tanto tempo me contou uma...Parece até historia de filme! Anos atrás, quando ainda seus dois filhos eram bem pequenos, foi passar férias num hotel em Mato Grosso. Em meio a uma natureza bonita, com árvores frondosas e crianças levadas, achou algo que lhe chamou muito a atenção, toda enroladinha e bem amassadinha, num canto, quase no lixo, uma nota de dez dólares. Achou aquilo um sinal de sorte e guardou em sua carteira, seria seu talismã.
Depois de alguns meses, Selma recebeu um convite, passar alguns dias na casa de uns parentes nos Estados Unidos e pra lá foi toda feliz.  

Selma fez muitas compras, aproveitou como ninguém sua estadia na América e, com dor no coração, se desfez do seu amuleto da sorte. Sua nota de dez dólares ficou por lá em alguma loja... Esbanjando felicidade, regressou com muitos presentes.
Alguns dias se passaram e surpresa...recebeu um telefonema de sua prima Carmem, ela estava apavorada, seus parentes estavam sendo investigados... telefone grampeado e quase foram  interrogados...Um pesadelo! O serviço secreto dos Estados Unidos, lá na casa de Carmem e Roberto.
Bom, trocando em miúdos, resumindo a história, chegando nos finalmentes... Descobriu-se que aquela notinha amassadinha era falsa!!! Foi um momento bem constrangedor, Selma ficou pasma.
Tudo deu certo, seus primos, Carmem e Roberto, se entenderam com o FBI.  Para concertar a situação, Selma, como sinal de gratidão, os convidou para uma visita aqui no Brasil. Curtiram o carnaval, foram para o Rio de Janeiro assistir as escolas de samba num camarim especial muito chopp, a pizza mais gostosa do mundo e, claro, muitas risadas com a lembrança de algo tão inusitado.
 Selma, agora, trocou seus dólares por euros......gosta mais de ir para França. Amiga, nunca esquecerei essa...beijos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Muito prazer, Clotilde!

Ficava muito brava com a minha mãe, como ela teve coragem de me chamar de Clotilde? Que nome mais antigo, fora de moda, pesado... imagina você ninar  um bebê, ”nana Clotilde nana Clotilde!!!!”Escutar sua bebê chorar no berço e tira-la dizendo, vem Clotilde... Clotilde... Esse nome não combina nada com uma criança. Quando mocinha, por várias vezes, mudava meu nome quando conhecia algum garoto, ficava com vergonha e dizia que me chamava Claudia. Lembro que um dia na cidade da minha mãe, Tietê, era comum passear na praça, as meninas de um lado e os meninos ao contrario, era o famoso “footing”, assim aconteciam as paqueras. Foi assim que veio conversar comigo um garoto e quando perguntou meu nome fiquei roxa de vergonha, só me tranquilizei quando ele disse seu nome....Virgulino! Foi a primeira vez que não sofri em falar Clotilde. Acho que ele percebeu minha solidariedade. Percebia que algumas pessoas, logo de cara, já me batizavam com um apelido para amenizar a tragédia... Como Dedê, mas Dedê parecia totalmente distante, não me identificava com ele.
Era comum em propagandas de televisão a galinha ter o nome de Clotilde, uma cabra de nome Clotild e até no Zoológico uma girafa famosa chamada Clotilde. Uma vez minhas filhas estavam numa praça com uns amigos, eis que, de repente, sai de um canteiro uma baratona, um amigo fala: “A Clotilde foi passear”. Também já usaram meu nome para representar bonequinhas de maquetes em trabalhos escolares... E o que dizer da bruxa do71 do seriado do "Chaves"? E nas novelas, que sempre tem uma perua, a “Clotilde”?
Depois de muitos anos de terapia, descobri um certo charme em meu nome. Aprendi a gostar de ser Clotilde e não me imagino com outro nome. Tenho cara e alma de Clotilde. E para ficar mais na moda – Ainda mais depois da rainha do lixo da novela “Passione” - muitos me chamam de “Clô”. Portanto mamãe, obrigada, ser Clotilde me deixa muito feliz.
P.s.: Minha Mãe Isa me chamou assim para homenagear sua mãe, minha saudosa avó. Com muito respeito e honra, levo em minha certidão de nascimento esse querido nome de batismo.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Joaquina voou alto


                 Uma tarde de sexta-feira bem estranha, como se uma espécie de foice rodeasse o apartamento. Naquele dia meu pai tinha acordado debilitado, não conseguia sair da cama...Eu estava bem preocupada.
                Tinha algo estranho no ar, meu coração estava apertado. Fui telefonar para meu irmão, para falar que papai precisava da visita do médico, estava com dor e só queria ficar deitado. Ao pegar o telefone, a Dona Noi, pessoa querida que trabalha conosco há anos, trouxe a notícia, uma tragédia havia ocorrido, “Você ouviu o barulho?”. Do que ela estava falando? Fui ver e fiquei muito entristecida, a gaiola da minha Joaquina, a nossa querida passarinha estava no chão...Ela estava imóvel.
                Às pressas ela foi levada ao veterinário, não tinha nenhum ferimento aparente. Foi recomendado que ela ficasse quietinha, pois poderia ter tido algum machucado interno. Horas depois fui vê-la, estava com o coração em pedaços. Ela tinha parado de respirar. A “Joaquininha” morreu.
                O interessante nesta história é que, após o ocorrido, o meu pai se levantou da cama e parecia estar muito bem. Como disse o meu irmão, o Anjo da morte passou por aqui, queria levar alguém e levou a passarinha. Agora ela é um anjinho e está voando bem alto...Voa Joaquina, voa...


sábado, 29 de outubro de 2011

Beatriz


Lá pelos idos de 1958, meus pais Isa e Paulo, minha irmã Beatriz e eu fomos morar em uma cidade do interior chamada Igarapava. Foi a primeira comarca do meu pai como juiz. Eu tinha um ano e a Beatriz era recém-nascida. Lá a vida andava tranquila, tínhamos bons amigos, a cidade era muito acolhedora. Havia uma família especial, Alves da Cunha, e para provar que esse mundo é pequeno descobriu-se um parentesco do meu pai com essa querida família, tornando os mais unidos. Beatriz fez um ano no dia 27 de outubro de 1959, um bebe alegre e expressivo, já encantava a todos! No dia 15 de dezembro, dias antes do Natal, Beatriz adoeceu e em três dias morreu. Imagino a dor dos meus pais, sozinhos, no momento mais triste de suas vidas...Tio Gilberto e Tia Leia Alves da Cunha, num gesto de grande generosidade, cederam o jazigo da família para enterrar o “corpinho” da Bea.
Passados dois meses deste triste episódio nasceu minha irmã Bebel. Depois de um ano, já morávamos em outra cidade, Descalvado, mamãe deu a luz ao meu irmão Francisco. Mesmo sem tocar no nome da Beatriz, sentíamos que havia uma dor continua na vida dos meus pais....depois veio o José Paulo, e  em 1971 os gêmeos Mario e Marcelo, cada vez mais a Beatriz se tornava uma lenda. Não se falava nada a respeito dela, era um segredo calado em nossos corações, só que havia as fotografias, um vestidinho rosa, um xale e num jazigo bem distante uma plaquinha com o nome “Beatriz Camargo Magano”. Não havia duvida, ela esteve aqui, e mesmo longe nunca deixou de pertencer a nossa família.
Esse ano de 2011, pela primeira vez, meu pai exteriorizou essa dor, como se em fim pudesse falar para nós um pouco da Beatriz. Fomos tomados por um sentimento forte. Por que não trazer os restos mortais da Bea para perto da minha mãe, falecida em 2009? Minha irmã Bebel entrou em contato com o cemitério de Igarapava e ficamos sabendo que precisaríamos da autorização da família do tio Gilberto, já falecido, então nos comunicamos com Jõao Samuel, seu filho. Ele que mora em Igarapava prontamente se solidarizou e já estávamos providenciando o translado da Beatriz para que ela viesse para bem perto de nós. Só que a noticia nos calou, não havia mais nada em seu cachãozinho, apenas aquela plaquinha com seu nome.
Um dia desses, meu pai entrou em seu quarto, ficou parado por uns momentos, e disse: “A Beatriz sorriu e acenou para mim”. Ele que sempre foi cético, nunca viu vultos ou imagens, me perguntou: “Será que foi minha imaginação?”. Não sei responder, apenas indagar...Faz 52 anos da morte de minha irmã, nesse ano ela foi tão falada, esteve tão presente...penso que enfim a desenterramos e agora Bea está mais feliz, pois ela já não é mais uma dor e sim um anjo que olha por nós.  E como bem disse minha filha, Ana Maria, o sorriso que ela deu para o meu pai veio mostrar que não há distância que nos separe, ela está aqui, bem pertinho, do nosso lado.
P.s. Agradeço o carinho do João Samuel que quando nos ligou e nos deu a notícia, comovido, se sentiu frustrado, pois ele queria nos trazer a Bea. Obrigada ao Ricardo e funcionários da Prefeitura de Igarapava, que com muito carinho lutaram para que nosso desejo pudesse acontecer.


sábado, 22 de outubro de 2011

O dilema de Maria


Já fazia dias que Dona Joana observava Maria. Via-lhe praticamente nua, tentando desfazer seu vestido de festa. Ficava horas na frente de uma máquina de costura, como se na vida pudesse perder tanto tempo.
Maria estava paralisada por uma dor, não conseguia enxergar alternativas para recomeçar. Joana, com seu jeito prático de ser, pensava como fazer para Maria sair de dentro de si e encontrar armas para enfrentar o que no momento era seu maior problema, “viver”.
Foi então que resolveu agir...Estava na sala com Maria, Dona Joana com seus “oclinhos”, enxergando mais do que havia lá, disse: “Numa guerra você atira ou morre”. Maria encolhidinha escutava toda aflita, pois sabia que Dona Joana tinha toda razão.
Maria precisava crescer, mas era bem difícil encarar as mudanças da sua vida. Dona Joana dizia: “Você é o único ser adulto que acredita em Papai Noel”. Maria sentia seu coração bater mais forte, pois tudo o que queria era acreditar em sonhos, era bem mais confortante, muito melhor do que encarar o mundo real.  Quando Maria se imaginava em uma guerra, de sua arma saia bolinhas de sabão ou lacinhos cor de rosa...não queria matar ninguém. No seu mundo ideal tudo era bom, céu e mar, sol, as pessoas...
Dona Joana com o dedo indicador em riste e com um tom firme fazia Maria tremer. “Maria decida sua vida, se não os acontecimentos decidirão por você”. Era tudo muito certo e claro, mas como fazer? Era “A escolha de Sofia” , nascer de novo ou apenas morrer...

domingo, 16 de outubro de 2011

E aconteceu assim...

Uma família. Pai, mãe, Iara filha do casal e Suzana, filha adotiva.
Todos se amavam muito, havia uma ligação plena de respeito, admiração...
...Passaram-se os anos.
Os laços de Suzana com seu pai adotivo eram enormes, existia uma afinidade de almas. Já moça, Suzana casou e foi morar em outra cidade, mas os encontros da família continuavam frequentes.
Iara também se casou, mas continuou perto de seus pais.
Suzana teve três filhos, Gil, Mara e Lucy. Iara, dois, Samuel e Rodrigo. Existia uma amizade forte que selava aquela família, pois o fato de Suzana ser adotiva não mudava absolutamente nada, pelo contrário, o amor parecia ser bem maior.
Foi que numa manhã de outono, Suzana recebeu um telefonema de sua mãe Dona Nair, dizendo: - Filha, seu pai não está muito bem! Chamou-a várias vezes e está ardendo em febre.
Suzana, mais do que depressa se arrumou, pegou seu carro e foi ao encontro de seu pai. A distância não era muita, apenas 100 quilômetros, em uma hora estaria lá.
Quase para chegar, Suzana parou para abastecer seu carro em um posto numa cidade de interior, que de tão pequena, quase todos se conheciam. Suzana aproveitou e ligou de seu celular para avisar que estava chegando, porém, ficou toda paralisada, caiu sobre a direção de seu carro, teve um enfarte fulminante, do outro lado da linha Dona Nair gritava desesperada, seu Antônio acabava de morrer também de enfarte fulminante. Morreram os dois na mesma hora.
Isso é real! Coincidências de vida, a morte de pai e filha, assim juntos, como se o amor de um pelo outro fosse o complemento de suas existências e um não poderia viver sem o outro. Como explicar? 

sábado, 8 de outubro de 2011

Quem chora a dor do outro?

           Outro dia senti pena de mim mesma por uma situação vivida, até chorei e pensei: Quem sentirá a dor que sinto? Alguém consegue sentir o sofrimento do outro?
          Naquele momento me lembrei do trecho de uma música do Chico Buarque, que diz: “A dor da gente não sai no jornal”.
          A dor é tão íntima e tão pessoal, um buraco, um vazio, um pesadelo abstrato e real.
          Chorei... Quem sabe as lágrimas fossem bálsamos cicatrizantes...
          De que órgão provêm as lágrimas que escorrem,  dos olhos, que olham para fora, ou do coração, que está lá dentro e vibra a cada instante mas não vê e nem percebe que o outro chora também?


sábado, 1 de outubro de 2011

Nino: voou , voou, voou, voou!



Esta é a história do Nino, o papagaio da minha amiga Fátima. É bem interessante.  Clique no play e escute.

domingo, 25 de setembro de 2011

Minha Nina

Desta vez fiz diferente, abri meu coração e falei da minha linda filhinha. Espero que gostem desta novidade...Clique no play e escute!


domingo, 11 de setembro de 2011

Direito de resposta

Iraty leu meu texto e mandou um e-mail para mim, bem humorado, ainda bem! Não ficou nada chateada, só que pediu para eu também contar meus desastres. Concordei! Então, lá vai o que foi inédito e verídico.
Fui buscar minha filha Carol em seu apartamento, entrei na garagem para esperá-la, na hora de sair de lá olha o que aconteceu...Havia uma cordinha para puxar, ela abria o portão de saída...bem moderno e eficiente, só que comigo não foi assim. Na hora de sair puxei a bendita e nada, só depois de colocar mais força foi que o portão abriu, fechei a janela do carro e só descobri depois que a corda ficou presa na janela. Consegui levar a cordinha comigo, olha, fiquei muito mal. Acabei com aquele sistema, ri para não chorar...Que vexame.
Outra coisa inédita na minha vida de motorista foi o seguinte, morava em um prédio e tinha muitos amigos, Angela e Helinho, que são amigos até hoje, e outros mais. Eu não tinha garagem, meu carro ficava na rua. Num final de semana, depois de voltar com compras de mercado, estacionei o carro na vaga dos meus amigos, eles tinham viajado para Barretos, fiquei tranquila, não estaria atrapalhando ninguém!
Bom, no dia seguinte, na hora de pegar o carro, que situação...meus amigos tinham um Scort e quando cheguei na garagem vi um Scort estacionado ao lado do meu carro. Que vergonha, eles haviam chegado durante a noite e precisaram colocar em outra vaga...Fiquei de todas as cores. Foi aí que entrei em ação...Tirei meu carro rápido de lá, peguei o Scort que estava com a chave no contato e coloquei na vaga da Angela e do Helinho. Estava super desconcertada.
Pasmem, o Scort não era o dos meus amigos e sim de outros moradores. Manobrei o carro errado!
Iraty, espero que meus foras te consolem. Sem contar que quando estaciono na rua, preciso chamar um táxi, pois é bem comum ficar distante da calçada, preciso sempre de carona pra chegar até ela...coisas de mortais. Já cheguei a pedir para um flanelinha estacionar pra mim. Tudo era segredo , mas me senti endividada  com você. Então vamos partilhar nossos momento “íntimos”.


sábado, 3 de setembro de 2011

Ira no volante, que perigo!

Iraty é uma amiga do peito, mas no quesito dirigir ela é bem perigosa!
Outro dia fomos juntas tomar um café na Offner e ela estacionou seu carro numa descida. Saímos do automóvel, quando olho para Iraty, ela estava em cima do capô, segurando os para-brisas, como se assim ela pudesse parar o carro que estava descendo. Ela tinha esquecido de puxar o breque.  Ainda bem que uma árvore gigantesca interrompeu a catástrofe.
Tomamos o café, nos acalmamos, conversamos um pouco e até rimos. Na volta, ela iria me deixar em casa. Mesmo assustada, nervosa, tentei não demonstrar, mas foi impossível. Ela dirigia conversando e olhando para mim, como se estivéssemos numa sala de visitas, tirava finas e finas dos outros carros e quase atropelou uma pomba.  Percebemos um cheiro forte de borracha queimada...Não é que o trajeto todo ela dirigiu com o freio de mão puxado. Meu Deus...cheguei sã e salva.
Liguei para minha amiga Edna, uma amiga que temos em comum, para desabafar. Ela morreu de rir e contou mais. Uns meses antes, estava em uma festa e, na hora de ir embora, Iraty ofereceu uma carona pra ela. Foram para o carro, Iraty sentou no banco do motorista, Tereza, uma outra amiga, no banco do carona e Edna iria se se sentar no banco de trás, mas não teve tempo nem de abrir a porta, Iraty arrancou com o carro, deixando-a plantada na rua. E o pior, passou com a roda em cima de seu pé.
Ira, vamos combinar, dá próxima vez vamos de táxi.




sábado, 27 de agosto de 2011

Livre como um peixe

 
Quando era adolescente, morava em Vila Galvão, um bairro de Guarulhos. Era um lugar privilegiado, havia um lago muito bonito e a natureza era bem abundante,
Mas o que eu mais gostava era do Clube, o “Nosso Clube”, considerava a minha segunda casa. Lembro com saudade dos bailes e festas juninas, também de pessoas que, sem dúvida, não dá para esquecer, Seu Silvio, Seu Nelson, Seu Eduardo, Dona Marina, Dona Inez e uma turma de amigos bem bacana.
As piscinas deliciosas me fizeram ter uma grande identificação com a água, portanto nadar era uma paixão, adorava mergulhar e atravessar 25 metros de baixo d’agua. Nadava clássico, crawl e borboleta, tinha meus talentos atléticos e me considerava um peixe. Talvez por isso, tenha sido convidada para participar de um campeonato de natação, o “Inter Clubes”, aceitei convicta, era uma forte concorrente.
No dia da prova clube lotado, torcidas organizadas, todo mundo estava em festa. Meus pais e irmãos todos lá para me prestigiar. Já me via com as medalhas penduradas no pescoço, corria de um lado para o outro fazendo aquecimento, me sentindo a dona do pedaço, pois na minha prova eu era a representante oficial do “Nosso Clube”.
Chegou enfim o momento mais importante, a torcida já gritava meu nome e me preparei para o mergulho, o juiz apitou.
Sai nadando clássico, o estilo mais lento da natação...Da para acreditar?! Isso mesmo, quando o apresentador do evento anunciou a prova e disse nado livre eu entendi que era mesmo livre e então caprichei achando que eu poderia escolher qualquer estilo, só que pela regra era pra sair no crawl.  Só escutei as vaias...Uhhhhhh! Fui a última a chegar...Que mico! Passei a maior vergonha...


sábado, 20 de agosto de 2011

Joaquim e Joaquina

Estava na sala de jantar observando o Joaquim, nosso canário amarelo.
Ele passa seu tempo no poleiro, praticamente é só isso que ele faz, sempre na mesma posição. Achei bem sem graça sua vida, logo me imaginei nessa posição, parada, olhando sempre o mesmo lugar, que triste!
Será que lá no céu os anjos voam? Ou ficam em suas nuvens branquinhas, silenciosos e sonolentos?
Como o Joaquim se diverte? E os anjos?
Resolvi fazer uma experiência, comprei uma canarinha para fazer companhia para o Joaquim e pedi para nossa secretária, a Noi, que há muito tempo trabalha em nossa casa, para escolher um nome para a nossa mais nova agregada e com muita criatividade ela a batizou de Joaquina.
Percebi que algo mudou na vida do Joaquim, ele está mais feliz, se agita, pula de um poleiro para outro...Ele não é mais o mesmo.
Agora o Joaquim olha para a Joaquina... Se olham e cantam, um par de namorados, um casal de amigos!
E acho que os anjos também se divertem... Eles usam suas nuvens para namorar as estrelas, o luar, fecham seus olhinhos para contemplar o arco ires, deslizam pelos raios do sol, pulam de nuvem em nuvem brincando de amor, rindo de paixão...Tendo no universo a paz . Como os anjos e os pássaros, nós seres humanos precisamos da beleza do amor para existir e realmente ser feliz!!!


sábado, 13 de agosto de 2011

O Baile da “Graça”

Salve, salve as nossas memórias...Não é que fui buscar no meu baú de Narizinho uma historia que eu achei ótima.
Tenho uma amiga de muito tempo e ela me revelou que seu primeiro baile de mocinha ficou marcado para sempre. Não como uma boa lembrança e sim como algo que até hoje a faz corar de vergonha.
Foi na década de 60, os tempos eram bem diferentes, primeiro preciso dar algumas informações:
Na preparação do dia do baile, as mocinhas acordavam cedo, iam ao salão de beleza, lá passavam a manhã inteira com bobs e pequenas redes para preservar os cabelos até a noite, pintavam as unhas com cores claras e delicadas, faziam as sobrancelhas a Lá Greta Garbo, bem fininhas. Depois, passavam a tarde imaginando qual vestido e sandálias que ficariam mais bonitos para a ocasião.
Era um dia de muitos sonhos, afinal era comum encontrar um príncipe encantado, todas as moças se esmeravam, o dia era todo voltado a esse evento. Esqueci de contar, as meninas usavam vestidos longos e os rapazes ternos, era bem formal, as mocinhas nunca iam desacompanhadas ou iam com seus pais ou com uma tia solteirona...Eu tive uma tia solteirona, tia Irma muito querida, ela era a nossa guardiã nos bailes de mocinhas!
Segunda informação: O salão ficava todo propicio ao amor. As mesas tinham arranjos lindos, flores e velas.  A orquestra era toda preparada para esse clima, era noite de romance e musicas, para namorar até casar...
Voltando ao que aconteceu com minha amiga... ELA cumpriu todas as exigências, foi linda para o baile. Mas ficou horas esperando...esperando e não recebia um convite para dançar. Estava toda cheia de si, mas nada acontecia.  Já estava ficando entediada ou talvez infeliz, foi quando um rapaz se aproximou e  falou com ela. Mais que depressa ela se levantou, pronta para a dança, mas ele repetiu: “Dá licença para eu passar!!!”
Ela sorriu um sorriso amarelo e o rapaz passou...Coitada, Ficou com enxaqueca, precisou ir embora e ate tomar Engov.


domingo, 7 de agosto de 2011

Dona Irene

Sábado, 6 de agosto de 2011, 9:30 da manhã, atendo meu celular, é dona Irene. Ela é amiga da minha tia Estela, ligou para saber o numero do celular da minha prima Ligia, pois queria cumprimentar minha tia, que faz aniversario.
Falei que eu não estava na minha casa, portanto sem a minha agenda. Perguntei por que ela não ligava para a casa do meu pai, assim conseguiria o numero.
Ela me falou: “Já liguei e ele esta assistindo a missa, não quis interrompê-lo”.
Meu pai vê todas as missas da Rede Vida, momentos “Sagrados”, ele não fala com ninguém. Dona Irene e eu começamos uma conversa bem gostosa, ela quis saber a idade do meu Pai , contei: “86 anos e a senhora?” Toda orgulhosa diz: “89”.
Sua voz firme e sua lucidez me impressionaram: “A senhora deve estar muito bem...”
“Graças a Deus, agradeço a ele todos os dias, ainda dirijo, viajo, faço compras, sou feliz.”
Como é bom escutar pessoas entusiasmadas pela vida. E ela ainda me diz, tenho uma filosofia de vida: “Tem pessoas que só olham para baixo e só vêem os buracos, eu não, gosto de olhar para cima, vejo o céu e as flores.”
Nossa quanta sabedoria. E ainda bem humorada finaliza rindo: “Olho tanto para cima que às vezes levo uns tombos, o último que levei quebrei uma costela, só que quando levanto há sempre uma nova flor para eu olhar!”
Lindo, dona Irene, que haja sempre um jardim em sua vida, Parabéns.


sábado, 30 de julho de 2011

A estrela cadente


Era uma noite escura de outono, sim, haviam estrelas pipocadas no céu, uma lua gorda e generosa olhando pra mim. 
Estava distraída dirigindo meu carro, ouvindo a música de sempre (My way), pois a acho linda.
O farol fechou e eu, tão envolta em meus pensamentos, nem percebi um cadeirante se aproximar do carro e falar: “Me dá um sorriso?” Eu na hora respondi: “Não tenho!”. Então ele disse: “Mas eu só te pedi um sorriso..." e eu sorri pra ele. Foi um sorriso puro e espontâneo, como se de repente tivesse visto uma estrela caindo do céu. Como alguém te pede um sorriso? Quer coisa mais gratuita que isso? Sem saber, ele me proporcionou uma enorme vontade de rir, não apenas um sorriso, fiquei feliz,  me senti feliz...
Temos cinco sentidos, visão, audição, olfato, paladar e o tato. Não somos parados, estáticos, temos movimentos e vivemos. Executamos todos os nossos sentidos e sorrir me fez ver o quanto estou viva.
Mudei de música, aumentei o som do CD e cantei: “É bonita, é bonita e é bonita...viver e não ter a vergonha de ser feliz...” Simbora gente!


sábado, 23 de julho de 2011

Um mistério intrigante!


Há muito tempo minha irmã Bebel e eu dormíamos no mesmo quarto, era muito bom. Às vezes encostávamos nossas camas e ficávamos horas conversando, sempre havia um radinho embaixo do nosso travesseiro, adorávamos ouvir a Difusora ou Excelsior, naquele tempo as rádios AM mais badaladas, músicas como Feeling, Bem e tantas outras que até hoje fazem a gente sonhar. Adoro voltar ao passado... Dá para perceber, não é mesmo? Tenho algo nostálgico no meu DNA, não é coisa de idade pois sempre fui assim, não se trata de crise ou Alzheimer, acho que fui é muito feliz! A Bebel tinha um coelho de feltro verde com armação de arame, ele era um pouco grande e segurava uma cenoura laranja, era seu enfeite de prateleira. Era comum acontecerem coisas estranhas no nosso quarto (numa próxima vez eu as conto), ta bom, uma só, já plantei até bananeira dormindo... Coisas incríveis num quarto das meninas... Lembra Bel? Dos travesseiros...isso é impublicável! A gente morria de rir.... Bom, voltando ao coelho verde; coitado, jamais encontrado... Bebel acordou no meio da noite engasgada, desesperada, fazendo movimentos estranhos que eu não conseguiria descrever, só sei dizer o que vi e ouvi; ela dizia: “comi o coelhinho, comi o coelhinho, comi o coelhinho!”. Colocava a mão na garganta desesperada e chorava. Meus pais se levantaram e ninguém entendia tanto barulho, luzes se ascenderam e todos acordaram, até os cachorros latiram, foi quase um drama. Bebel suada, transtornada, acho que seu pescoço estava até maior, ela ficou muito assustada e jurava que tinha comido o coelho verde. Mas o incrível dessa história vem agora, a verdade é que nunca mais encontramos o tal coelho, nem verde nem azul, nunca mais se viu o tal enfeite. Quando olho para o passado, fico abismada e pergunto: “Bebel, onde estão os arames? A cenoura? O feltro verde? O Que aconteceu?” É... não temos respostas.

Ela jura que seu coelhinho foi tragado num momento de bocejos e depois, de um susto enorme, não conseguiu colocá-lo para fora. Segundo ela, ele está alojado em uma de suas vértebras e quando o tempo muda, ela sente muita dor.

A verdade é um mistério, não tenho provas concretas, mas percebo que às vezes Bebel me lembra vagamente uma coelhinha. Beijos Clô.


sábado, 16 de julho de 2011

Como é seu Deus?

 
Ele tem olhos orientais ou olhos ocidentais??? É gordo ou magro???
Suas roupas são de surfista ou usa terno e gravata??? Fala inglês ou alemão? Tem mãos grandes, mais de 2 metros de altura, é um atleta que faz caminhada no céu e conversa com todo mundo? Ele dá risada, chora, ouve música... Qual é seu filme predileto, será que gosta de assistir novela?
Como é seu Deus? Ele te escuta sempre e troca idéias com você? Ele é jovem ou velho? Seu Deus tem sonhos... Se comove, se agita, fica perplexo com o mundo? Ele gosta de um vinho ou prefere Coca Zero... Como é seu Deus?  Você é íntimo dele? Ele conhece seus desejos, te visita? Ele gosta de pizza?
Te carrega, te levanta, com qual igreja Ele se identifica e em quais esquinas Ele para, toca e abraça as pessoas?  Seu Deus tira férias... Faz viagens para o Nordeste, vai para a África, Pólo Norte ou faz maratonas...Investe na bolsa? Ah, já sei, assiste Datena! Escuta as previsões do tempo...
Como é seu Deus? Você o chama de amigo ou Ele te chama de filho?  Ele fica bravo, tem depressão, se encontra num happy hour para relaxar com seus escolhidos? Ele é só ou namora? Como é seu Deus? E a Sua casa, tem grades nas janelas, portas grandes, jardim, cachorro de estimação ou gato, talvez canários!
Já sei, vai convidar um exército de homens influentes para seu próximo almoço e talvez mulheres tristes para um chá  das 5 horas. Espere, acabo de escutar um trovão, acho que ouço Sua voz, escuto um sussurro que vem com o vento... Nossa, que calor! É ele que chega me dizendo: “Filha, - Numa voz de violino - você não Me vê , mas você pode Me  escutar. Sou o regente e criador desse infinito de luz, do dia, da noite,  do mar. Você gosta?”. “Sim”, por isso pensei numa canção para mostrar o quanto gosto daquilo que me mostra. Como ele consegue criar tudo isso? Deve ser por muito amor! Devo olhar e me encantar, afinal faço parte de tudo isso.
Talvez seu Deus deva ser do jeito que você imagina... o meu Deus pode voar, se multiplicar, se dividir, estar agora aqui e também em vários outros lugares. Ele não é exclusividade  minha, mas segura minhas mãos, me abraça, me escuta....