terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Caro Visitante

São Paulo. 30 de- janeiro de 2017



Caro Visitante...

Hoje me sinto mais forte, ainda tenho perguntas que ficaram sem respostas...
Como a vida é breve e ao mesmo tempo longa?
Mas consigo olhar para o céu e te mandar beijos!!!
As suas fotos, estão recolhidas na memória da alma!!!
Já me divirto e dou rizada com as suas brincadeiras,
pois foi assim que você me conquistou...
Estive pensando,  o quanto fui premiada por ter te
conhecido, só posso agradecer, que sortuda que fui,
Aquele dia , lembra, que você me achou, alias, quantas
vezes você me achou?
Era precisar de alguma coisa, para saber quem iria chamar...
Caro visitante, você me cativou...
Aprendi através dos seu olhos, a me enxergar mais bonita,
Descobri nos seus olhos, que os olhos também sorriem,
O seu olhar sempre de criança, curiosa, e sabia!!!
Caro visitante, pedi seus olhos para cuidarem de mim...
quantas vezes eles me disseram, vá e seja feliz!!!
Teu coração generoso, sim, generoso, todos dizem...
orgulho!!!
Seus braços fortes para amparar, abraços e laços!!!
Caro visitante, deixou saudade, e não sei muito bem
o seu novo endereço...
Se tem saudades vem me visitar, sabe, nos sonhos?
Rondo a noite a te procurar, busco o dia, queria
apenas poder te dizer pessoalmente, obrigada,
 obrigada, mais que obrigada, ainda é muito
pouco, para tanta gratidão por ter feito parte da
minha história!!!







quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Esperança

A Dor, andava machucada, doida, triste, amoada,
só tinha vontade de andar pela casa de pijama,
ha tempos, deixara sua vaidade sobre a poltrona
do quarto!!
A Dor amargurada, lamentava a sua falta de
sorte.
A Dor recolhida, pouco abria as janelas
da casa, musica, não tinha mais gosto para
escolher e nem vontade de escutar!!!
Mialgia, a Dor sentia, dor na alma!!!
a Dor andava sem paciência com o seu vizinho!
O vizinho cantava alto, ria uma risada larga...
O vizinho se vestia de cores, "Aparecido,"resmungava!!!
Barulhento, animado, sempre com um riso bobo,
A Dor até se irritava!!!
A Dor andava cansada das dores!!!
O Amor. radiante molhava as flores da varanda
de sua casa.
O Amor contava estrelas no firmamento,
embora sempre se perdesse na contagem,
muitas estrelas, mas era inquieto demais
para desistir!!!
O Amor se vestia do luar!!!
O Amor gostava de Rok Roll,
Mozart,  gostava de tudo!!!
Da vida, do dia, o Amor era entusiasta!!!
O Amor era gentil, delicado...
Foi em um descuido da Dor, que se esbarraram,
A Dor e o Amor!
Não posso esquecer esse dia, a Dor abriu a porta,
um pouco, da pota da sua casa, para pegar umas cartas e, lá
estava o Amor todo enfeitado!!!
O Amor também notou sua presença!!!
"Olá!"
disse com sua voz, firme e confiante,
A Dor, não teve como escapar, respondeu,
"Olá!"
Fazia tempo que a Dor não ficava vermelha,
sem graça!!!
O Amor nem um pouco encabulado,
chamou a para passear!!!
a Dor, pasmem, aceitou!!!
As ultimas noticias que tenho,
foi seu Juvenal que me contou...
Disse que se casaram!!!
estão a rodear o mundo, agora
contam juntos as estrelas...
Ah!, a Dor mudou seu nome,
achei bem bacana, afinal o nome
tem poder...





A imagem pode conter: flor, planta e natureza

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

NOME/SOBRENOME- Primeira Parte.

Paro em frente a uma casa, no Largo dos Guimarães, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro,
bato palmas.
A casa antiga guarda o tempo, o tempo que paira em partículas coloridas, no alpendre,
há uma imagem de São José desenhada no azulejo branco e azul, vindo do alem mar...
Entro, a mesa esta posta para a refeição da manhã, a toalha de  renda do Porto, é alva!
Sobre a mesa, biscoitos e sequilhos guardados em latas decoradas com lindas imagens!
aqui, uma casa portuguesa com certeza, a doçaria é de dar água na boca!!!
Preciso contar, estou  tentando juntar um quebra cabeça, não tão antigo, mas muito
distante, final de 1890.
A sala esta intacta, o perfume que vem da cozinha, me lembra a infância, o aroma
doce,  papos de  anjo nas compoteiras de vidros coloridos....
Estou entre meus parentes, família Soares Fernandes, quisera então, ser abraçada
pela minha bisavó Mathilde, mãe da minha avó Clotilde.
Sou recebida com sorriso, meu bisavô Joaquim, elegante em seu terno bem cortado, de linho
branco sua voz é familiar me convida a sentar.
Fecho meus olhos de navegadora, numa viagem ao contrario, de frente para traz....
Tudo tão calmo...
Minhas tias Tilinha, Alzira, Tereza, conversam suas histórias, enquanto bordam peças
delicadas, para o enxoval da irmã Clotilde.
Meus tios, Joaquim e José se encarregam de outros assuntos, estão entretidos com mapas...
O piano e a maquina de costura, decoram a sala principal, na sala de jantar a cristaleira é toda
enfeitada, bibelôs, bonequinhas e bailarinas, licoreiras de cristal!!!
No gabinete de trabalho, a maquina de escrever peça importante, a marca estampada Reming,
que orgulho, meu bisavô era engenheiro, e veio de Portugal a convite do governo, participar da
construção de obras no Brasil.
Ainda o Brasil era governado  pelo Imperador D Pedro  (1822/ 1889)
As fotografias emolduradas da família, conservam seus tons do passado...
Estou encantada, gosto das pessoas que fui visitar!
A empatia é reciproca, gentilezas nos olhares, o amor natural, reconheço uma almofada
de trico, é a mesma que enfeitava o sofá da sala da casa da minha avó!
O relógio de parede badala, conheço as badaladas, elas tocam a Ave- Maria!
São as memorias perdidas em partes esquecidas, o véu da saudade, empoeirado,
pelo tempo.
Pergunto então para mim, por que não reparei nas roseiras brancas do quintal da minha avó?
Por que não olhei mais para os seus olhos?
Seus olhos que eram as janelas de tantas histórias,  não fui a fundo a tantos detalhes, não me
emocionei, com as suas perdas!!!
não aprendi a bordar...
Eu só tinha pressa para o futuro!!!

Resultado de imagem para fotos de latas decoradas dos biscoitos aymore









quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Porta retrato


Sobre a mesa de canto, me chama a atenção a  fotografia em branco e preto, era de uma família de revista, todos de branco, sorrisos,  felicidades compartilhadas. No sofá Marina esticada, pois sua coluna esta toda partida, pudera, trabalhou o fim de semana inteiro... A festa do final do ano foi por conta dela - Ela adora receber. Mas me conta que valeu a pena!


Agora tenta descansar se alongando no delicioso sofá de veludo verde garrafa. Somos amigas a tanto tempo que não existe cerimonias entre nós. Estava devendo mesmo uma visita a ela, acho que depois que fui morar fora do Brasil, fui visita-la só uma vez. 
Conheço Marina desde a quinta serie da escola, fizemos o ginásio e o normal  juntas, amigas e confidentes! Marina se casou primeiro e tem duas meninas, na verdade duas moças, lindas, já são casadas. Marina tem quatro netos.

Sobre a mesa do canto, a fotografia linda em branco e preto me causa uma pontada de inveja... Que sentimento mesquinho, nunca deveria  ter inveja! Moro em Paris, sou jornalista de um grande jornal, falo línguas, estou sempre indo e vindo, minha vida de viajante. Quem não queria? Mas Marina me parece tão encantada com a sua vida, com o seu mundo.

Marina foi a noiva mais linda que já vi, Carlos o homem mais cobiçado da cidade, dono de varias fazendas... Eram feitos um para o outro! O casamento foi lindo, a festa de uma fartura, tudo era perfeito,igual a fotografia do porta-retrato...

Novamente meus pensamentos pequenos. Foi uma escolha minha, afina não pensava em casamento e também não queria filhos. Me encantava a vida, tinha sede do mundo, das histórias, dos lugares!

Marina ainda tem uma beleza jovem, as vezes sorri como menina, fala alto, ri de maneira gostosa, é alegre, uma vida feliz... Fico um pouco atordoada, confusa, mais uma vez penso que poderia ter sido assim a minha vida. Marina teve um sonho tão simples e o meu sonho tão elaborado, estudei, fiz curso e mais cursos, não tenho um porta-retrato na minha mesa de canto...

De repente Marina se levanta do sofá e me olha, o seu olhar agora é serio, fechado, me diz de forma quase silenciosa: "Estou me separando  do Carlos, ele tem outra mulher!". Minha amiga tão frágil, tão só, no seu sofá de veludo verde garrafa... Não vejo mais o lindo porta retrato!