segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

NOME/SOBRENOME- Primeira Parte.

Paro em frente a uma casa, no Largo dos Guimarães, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro,
bato palmas.
A casa antiga guarda o tempo, o tempo que paira em partículas coloridas, no alpendre,
há uma imagem de São José desenhada no azulejo branco e azul, vindo do alem mar...
Entro, a mesa esta posta para a refeição da manhã, a toalha de  renda do Porto, é alva!
Sobre a mesa, biscoitos e sequilhos guardados em latas decoradas com lindas imagens!
aqui, uma casa portuguesa com certeza, a doçaria é de dar água na boca!!!
Preciso contar, estou  tentando juntar um quebra cabeça, não tão antigo, mas muito
distante, final de 1890.
A sala esta intacta, o perfume que vem da cozinha, me lembra a infância, o aroma
doce,  papos de  anjo nas compoteiras de vidros coloridos....
Estou entre meus parentes, família Soares Fernandes, quisera então, ser abraçada
pela minha bisavó Mathilde, mãe da minha avó Clotilde.
Sou recebida com sorriso, meu bisavô Joaquim, elegante em seu terno bem cortado, de linho
branco sua voz é familiar me convida a sentar.
Fecho meus olhos de navegadora, numa viagem ao contrario, de frente para traz....
Tudo tão calmo...
Minhas tias Tilinha, Alzira, Tereza, conversam suas histórias, enquanto bordam peças
delicadas, para o enxoval da irmã Clotilde.
Meus tios, Joaquim e José se encarregam de outros assuntos, estão entretidos com mapas...
O piano e a maquina de costura, decoram a sala principal, na sala de jantar a cristaleira é toda
enfeitada, bibelôs, bonequinhas e bailarinas, licoreiras de cristal!!!
No gabinete de trabalho, a maquina de escrever peça importante, a marca estampada Reming,
que orgulho, meu bisavô era engenheiro, e veio de Portugal a convite do governo, participar da
construção de obras no Brasil.
Ainda o Brasil era governado  pelo Imperador D Pedro  (1822/ 1889)
As fotografias emolduradas da família, conservam seus tons do passado...
Estou encantada, gosto das pessoas que fui visitar!
A empatia é reciproca, gentilezas nos olhares, o amor natural, reconheço uma almofada
de trico, é a mesma que enfeitava o sofá da sala da casa da minha avó!
O relógio de parede badala, conheço as badaladas, elas tocam a Ave- Maria!
São as memorias perdidas em partes esquecidas, o véu da saudade, empoeirado,
pelo tempo.
Pergunto então para mim, por que não reparei nas roseiras brancas do quintal da minha avó?
Por que não olhei mais para os seus olhos?
Seus olhos que eram as janelas de tantas histórias,  não fui a fundo a tantos detalhes, não me
emocionei, com as suas perdas!!!
não aprendi a bordar...
Eu só tinha pressa para o futuro!!!

Resultado de imagem para fotos de latas decoradas dos biscoitos aymore









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