sábado, 30 de março de 2013

Feliz Páscoa!!!



Sexta-feira Santa, lembro do céu desse dia, era sempre cinza, era um dia mudo, sem música. Mamãe dizia: “Hoje lembramos o dia da morte de Cristo!”. O sábado trazia resquícios da sexta–feira da paixão, o céu não estava totalmente claro, mas a morte de Cristo ainda era motivo de silencio. Manhã de Domingo, papai nos acordava de maneira afetuosa, falava assim: “Olhem o que o coelhinho trouxe!”. Nós pulávamos da cama, nossos olhos brilhavam... “O meu é vermelho”, mas tinha azul, verde, amarelo.... uma porção de ovos coloridos! E pelo caminho cenouras mordidas, não é que o coelho esteve por lá!

Papai gostava de nos reunir nessa data. Íamos para o quintal de casa, era um quintal cheio de árvores, Acácia Mimosa era a sua preferida. Acho que suas flores amarelas e seu perfume davam um toque especial e lá fazíamos uma pequena Missa, ao som do violino tocando Ave-Maria, ficávamos em silencio, escutando as palavras saídas do coração do meu pai, era singelo esse momento, nos confraternizávamos.

Mamãe colocava uma toalha branca com uma estampa bem delicada, minúsculas rosinhas rosas de miolinhos amarelos, sobre a grama ainda molhada de orvalho... Mamãe caprichava, nos servia um delicioso café da manhã. O perfume do café atraia até os passarinhos, que atentos esperavam as migalhas dos pães e restinhos de bolo.

 Olhos azuis da minha mãe se divertiam, olhos azuis que riam... É o que eu tenho mais saudade, desse rizo maroto nos olhando enquanto corríamos, corríamos entre as copas das arvores e os raios do sol! Assim eram nossos domingos de Páscoa!

sexta-feira, 15 de março de 2013

O pão nosso de vários tempos



“A canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa da vovó que não soube remar!” Fim de tarde, os meninos subiram da quadra onde estavam jogando bola. Enrico e Enzo são meus netos, Enrico tem seis anos e o Enzo tem três, os dois são filhos da minha filha mais velha, Ana Carolina.

 Então, Enrico e Enzo subiram suados e esfomeados: “Vovó quero pão na chapa!”. Llá fui eu fazer pão na chapa... Hum que delicia! Quando cheguei na sala com os pãezinhos devidamente “chapados” - sim pães na chapa, a frigideira precisa estar bem quente, se coloca manteiga (gosto muito da manteiga Aviação), manteiga derretida, então lá vão os pãezinhos abertos para dentro da frigideira, por uns minutinhos e ficam deliciosos! Enquanto os pães estão sendo preparados, água para ferver, pois pão na chapa combina perfeitamente com um café feito na hora!

Escuto a Carol comentar com os filhos: “A Vovó fazia todo dia pão na chapa para o tio Lu, tia Cacau, tia Ia e para mim... A gente adorava! Viajei na saudade, fui parar na rua Apinajés... Meus filhos eram pequenos, tempo bom, me visualizei entrando na sala com os famosos pães na chapa para as crianças, na época chamávamos de canoinhas. Toda manhã minha casa se transformava em uma verdadeira lanchonete, os quatro ficavam sentados no sofá assistindo os desenhos da época aguardavam o café da manhã. Cada um escolia o que queria comer, preparava um mingau  de chocolate , as vezes fazia bolinhos de chuva... Era tão bom que hoje, contando assim para vocês, senti o cheirinho do pão fritinho na manteiga... Fui mais longe, muito mais longe nas minhas lembranças...

Eu era pequena, minha avó Clotilde também fazia pão na chapa para nós netos. Eu também adorava! Agora me vem o barulhinho da manteiga derretendo, que delicia!  Volto na infância, no tempo que se foi, mas as lembranças habitam meu coração... Refletido no espelho do guarda-louça da vovó Beatriz, minha outra avó. Vejo os pães doces e a manteiga Aviação, a embalagem era uma lata, precisava usar até um abridor para abrir... Sinto o perfume desse tempo, tempo de descobertas.

“Nós queremos uma valsa , uma valsa para dançar, uma valsa que fale de amor, como aquela dos patinadores. Vem meu amor, vem meu amor, um passinho pra cá, um passinho pra lá,  a mamãe quer dançar com o papai.” Lembranças da vovó tocando piano, tempo de tantos sonhos!

sábado, 2 de março de 2013

Amor predileto




Quero falar de uma coisa.... Uma vez, há muito tempo atrás, conversava com Ana Maria e Luís Fernando... Acho que há uns dez anos atrás.... Lembro bem da cena!

Estávamos jogando conversa fora, deitados na minha cama, nós três. Eu era uma eterna pedinte de cafuné e a Ana Maria, sempre muito disponível para esse carinho gostoso... Fazíamos uma troca, uma hora ela me maquiava e outra hora eu a maquiava, tudo virtual, a base cor terra-montanha, pó de Arroz branco nuvem e lá íamos inventando moda... Tudo para receber um carinho no rosto. Lembra filha? Sinto muita saudade desse tempo passado, mas marcado para sempre!

 O Lu, o próprio aprendiz, me falava da sua empresa, Viação da licença... Seus ônibus e seus sonhos de madrugar para conhecer São Paulo, era para ele uma alegria conversar com os motoristas, seus amigos Zé, Bahia, Mineiro... Pegava ônibus e ia até o ponto final, depois contava todo feliz das viagens e dos amigos que fazia.

Bom voltando para o cenário dessa historia, veio um assunto um tanto questionador. O Lu comentou que a Maria Claudia, Cacau, é a filha predileta da mamãe. Virou a Ana Maria e disse não , o filho predileto é você Lu. Minha curiosidade me fez ligar na mesma hora para Cacau , ela estava voltando da faculdade, e pelo celular perguntei: “Cacau, quem é meu filho predileto?” Ela respondeu: “A Ia!” Liguei para a Carol e fiz a mesma pergunta: “Filha, qual é meu filho predileto?” Ela me respondeu na cara dura: “Sou eu!”. Achei o máximo sua segurança do meu amor!

Foi divertido saber dessa avaliação tão íntima de cada um dos meus filhos, porém, sem concordar, pois acho que amo de forma idêntica. Cada um é amado de forma única, mas na mesma intensidade... O amor é individual, mas seguramente igual!!!

Hoje, estávamos na casa do meu pai e surgiu mais uma vez esse assunto, pois meu pai tem seis filhos. Eu comecei a contar para ele e a Carol como eu havia sido conquistada, digo assim, qual foi o momento que eu realmente fui fisgada pela flecha do amor materno. Cada filho foi olhado de forma, não apenas pelo fato de ser mãe e ser cumpridora desse amor inerente, mas quando me dei conta do que cada filho me trazia... Um olhar, um sorriso, um abraço e que não poderia mais viver sem a história pessoal de cada um deles. Relembrei também a resposta que ela me deu na ocasião... Ela morreu de rir e me disse assim: “Não acho mais que eu sou sua filha predileta, seu filho predileto é o Lu!” Como ser mãe é difícil!

Bom, perguntei para ela: “Filha de quem você gosta mais, do Enrico ou do Enzo?” E tenho certeza que sua resposta foi sincera e de coração: “Amo os dois da mesma forma!”. A minha resposta também é a mesma: Mamãe ama seus filhos e agora mamãe virou avó... E o que dizer desse sentimento? Amo meus filhos e netos!