sexta-feira, 15 de março de 2013

O pão nosso de vários tempos



“A canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa da vovó que não soube remar!” Fim de tarde, os meninos subiram da quadra onde estavam jogando bola. Enrico e Enzo são meus netos, Enrico tem seis anos e o Enzo tem três, os dois são filhos da minha filha mais velha, Ana Carolina.

 Então, Enrico e Enzo subiram suados e esfomeados: “Vovó quero pão na chapa!”. Llá fui eu fazer pão na chapa... Hum que delicia! Quando cheguei na sala com os pãezinhos devidamente “chapados” - sim pães na chapa, a frigideira precisa estar bem quente, se coloca manteiga (gosto muito da manteiga Aviação), manteiga derretida, então lá vão os pãezinhos abertos para dentro da frigideira, por uns minutinhos e ficam deliciosos! Enquanto os pães estão sendo preparados, água para ferver, pois pão na chapa combina perfeitamente com um café feito na hora!

Escuto a Carol comentar com os filhos: “A Vovó fazia todo dia pão na chapa para o tio Lu, tia Cacau, tia Ia e para mim... A gente adorava! Viajei na saudade, fui parar na rua Apinajés... Meus filhos eram pequenos, tempo bom, me visualizei entrando na sala com os famosos pães na chapa para as crianças, na época chamávamos de canoinhas. Toda manhã minha casa se transformava em uma verdadeira lanchonete, os quatro ficavam sentados no sofá assistindo os desenhos da época aguardavam o café da manhã. Cada um escolia o que queria comer, preparava um mingau  de chocolate , as vezes fazia bolinhos de chuva... Era tão bom que hoje, contando assim para vocês, senti o cheirinho do pão fritinho na manteiga... Fui mais longe, muito mais longe nas minhas lembranças...

Eu era pequena, minha avó Clotilde também fazia pão na chapa para nós netos. Eu também adorava! Agora me vem o barulhinho da manteiga derretendo, que delicia!  Volto na infância, no tempo que se foi, mas as lembranças habitam meu coração... Refletido no espelho do guarda-louça da vovó Beatriz, minha outra avó. Vejo os pães doces e a manteiga Aviação, a embalagem era uma lata, precisava usar até um abridor para abrir... Sinto o perfume desse tempo, tempo de descobertas.

“Nós queremos uma valsa , uma valsa para dançar, uma valsa que fale de amor, como aquela dos patinadores. Vem meu amor, vem meu amor, um passinho pra cá, um passinho pra lá,  a mamãe quer dançar com o papai.” Lembranças da vovó tocando piano, tempo de tantos sonhos!

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