quarta-feira, 10 de junho de 2015

NÓ NA GARGANTA

Ha quase 8 meses, perdi meu irmão assassinado, algo devastador na vida de todos nós,
Ico tinha 52 anos e percebia que ele estava num momento muito feliz...
Ico morava com o meu pai, Paulo, desde a morte da minha mãe, em 9.5.2009.
Francisco era um filho, amoroso, companheiro, na hora de dormir, sentava ao lado
do meu pai e com todo respeito fazia a oração da noite, oração tão importante para
o meu pai.
Francisco chamava meu pai de quase 90 anos de paizinho....
Nesses quase 8 meses da perda do filho, meu pai não mais se recuperou, ficou internado
quase um mês, não houve um diagnostico, era apenas um pai, que no silencio, sofria a perda
do filho.
Bom, conto tudo isso, pois nessa semana, aconteceu algo muito curioso e juro, precisava
compartilhar com vocês.
Papai me ligou, aflito, querendo saber o andamento do processo, ele queria saber por que
nunca foi ouvido, queria fazer a defesa do filho dele, Francisco de Assis Camargo Magano.
Meu pai então pediu para um do seus cuidadores que anotasse o que ele queria dizer, no dia
que fosse chamado para depor.

"Excelentíssimo senhor Presidente do Tribunal do Juri, digníssimo representante do Ministério
Publico.
Estava, eu, alegre com a minha idade próxima dos 90 anos, quando soube do assassinato do
meu filho Francisco, que havia saído a noite  para passear por uma rua da capital paulista, lá,
quando saiu do carro, apareceram dois elementos que fizeram disparo de arma contra ele,
Foi surpreendido com essa agressão, mas mesmo assim procurou reagir, porem os tiros o
atingiram e ele caiu ao chão praticamente morto.
O réu que esta sendo julgado foi o que atirou no meu filho e o outro que o auxiliou ainda encontra-se
foragido.
Eles praticaram uma ação não só criminosa, mas ofensiva a Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo,
 o assassinato constitui num dos mandamento, declarado, Não Mataras.
Emfim, o réu aqui julgados pelos senhores, praticou o pecado mais violento certamente inspirado
pelo demônio,.
Com relação a mim, o assassinato do meu filho, provocou um golpe na minha saúde e no meu organismo,
Fui levado para o hospital e ali internado durante mais de vinte dias, com o risco de perder a vida.
Graças a Deus fiquei curado, mas sinto uma dor infinita por ter perdido meu filho, cruelmente morto,
Sofri bastante, mesmo após a internação, pois ele morava comigo e era meu grande companheiro,
todos os dias.
O réu aqui julgado deve receber a pena prevista na lei, por homicídio.
Peço aos senhores jurados que considerem agravantes , pois atingiram a minha família e a mim.
No mundo atual a influência do mal recai  sobre os jovens que praticam crimes, matando as pessoas
com crueldade e perversidade diabólica.
Peço aos meus colegas que influenciem o Poder Executivo a eliminar esse perigo, que esta sendo tão
frequente'....
Paulo

10.06.2015"











segunda-feira, 8 de junho de 2015

INEDITO E VERÍDICO...

São Paulo, 8 de junho de 2015,
Entro em um táxi, o motorista todo gentil me diz,
"Bom Dia"!
Respondo, também gentil,
"Boa tarde"!
"Digo bom dia, pois é a primeira vez que vejo a senhora"!
Penso com os meus botões, que educado...
"A senhora quer que eu ligue o ar condicionado"?
"Por favor"!
Ele é bem falante,
"Precisa da senha do wi-fi
Estou pasma, atendimento V.I.P!!!
"Não, não é preciso"!
Ele me conta, foi almoçar com sua mãe, sua velhinha.
Curiosa, eu pergunto, a idade da sua mãe velhinha,
fico abalada, ela é mais nova do que eu, sera que tanta
gentileza é por ele ter achado que eu sou também velhinha,
ele começa a contar o que almoçou, arroz, feijão, carne de panela,
faz uma pausa,
silencio, mas logo diz,
"Desculpe, a musica esta incomodando"?
Estou impressionada  e confusa.....
"Olha, chegamos, quanto foi a corrida"?
Ele faz questão de estacionar o carro, olha para mim e diz,
"Desculpe não abrir a porta para a senhora"!
Agradeço e não sei por que, penso no almoço da sua "mãe velhinha"!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Os Dias Estranhos

Os dias estranhos nos encontraram, entraram pelos fundos do meu quintal.
Os dias estranhos... vou contar o que vi e ouvi, eles estavam furiosos, usavam
fardas de guerra, derrubaram os muros da minha casa, com seus coturnos sujos
pisaram nos canteiros do meu jardim...
Queriam água, comida, vasculharam gavetas, abriram os armários...
estavam desfigurados.
Tive medo e me escondi, falavam de uma exaustão, do cansaço,
das lutas sem tréguas, da solidão, do tédio, dos conflitos, do peso
das repetições de historias, das noites sem  lua, sem estrelas.
Os dias estranho me encontraram, queriam os meus sonhos,
impiedosos buscavam toda a humanidade., como ventania se foram.
Amanhecia, devagar, vi  a noite acordando o dia, um raio
do sol, os passarinhos começavam a cantar, estava sem força e coragem,
mas era tempo de recomeçar, lembrei que ainda haviam sementes de girassol.
Peguei uma pá, arregacei as magas rasgadas da minha roupa, cavei com
força, na terra ainda molhada do orvalho, plantei uma nova esperança!!!