sábado, 26 de novembro de 2011

Ela é de mais

Mirtes é uma pessoa diferente, tudo acontece com ela. Só para ilustrar: Mirtes é do tipo que quando acerta três números na sena já sai gastando por conta. Sem saber quanto ganhou, ela comemora e depois descobre que seu premio foi dividido por muitos, não sobrando quase nada. Ela é tão precipitada que foi a um casamento uma semana antes do dia e, o pior, encontrou amigos comuns, só se ligou do erro ao ver a noiva entrar na igreja. Mirtes me mandou rosas de presente, detalhe, um mês antes do meu aniversário.
Ela é dentista, falante simpática... Um dia atendendo um paciente, em uma época que não se usavam luvas de proteção, depois de se assustar com o barulho de um trovão, cometeu uma barbeiragem. O paciente se movimentou na cadeira e voou sangue pra todo lado. A mão da Mirtes ficou encharcada! Pasmem, ele tinha o vírus da Aids. Mirtes ficou em pânico.
E olha essa...Mirtes estava em sua chácara, no interior de São Paulo, com sua família e resolveu se deitar antes de seu marido. Lá pelas tantas, acordou num sobre salto escutando vozes desconhecidas. Ela achou que se tratava de um assalto. Entrou em desespero. Levantou-se, foi até o quarto de seus dois filhos. Eles estavam dormindo sãos e salvos. Encontrou a porta do corredor fechada e ficou paralisada escutando o que se passava na sala. “Não se mexa moço. Nem pisque.” Ficou desesperada. O que fazer?
Pé ante pé, bem devagar e tremendo muito, conseguiu chegar novamente em seu quarto, lá pegou o telefone e ligou 190. Foi atendida imediatamente pela polícia, enquanto isso as vozes continuavam altas lá na sala. Pegou seu terço e rezava incessantemente. Que pesadelo! Não via a hora de salvar seu marido. Foi aí que a policia chegou...Ufa! Graças a Deus a casa foi cercada, as luzes das viaturas não paravam de piscar, respirou. Aguardou em silencio a rendição dos bandidos. Seu marido, desesperado, abriu a porta de sua casa. Não estava entendendo nada. Saiu com suas mãos levantadas, certo de que algo muito estranho estava acontecendo, os policiais perguntaram: “Tudo bem?” “Cadê os ladrões?” Ele respondeu: “Que ladrões?” O policial perplexo respondeu: “Sua esposa nos ligou aflita contando que o senhor estava sendo assaltado”. Domingues quase desmaiou, não havia assalto coisa nenhuma, Mirtes se enganou, era apenas o barulho da televisão. Domingues estava assistindo um filme de faroeste, “Chaparral”. Mirtes meio que surpresa e envergonhada não sabia como sair dessa enrascada. Pediu mil desculpas, olhou para o marido e com cara de tacho e sorriso amarelo disse, “Meu bem, achei que você estava em apuros!”.
Ainda bem que só foi um engano. E que engano, não é amiga? Mirtes, um ser único, intenso e real!



sábado, 19 de novembro de 2011

O dólar furado

Selma, amiga de tanto tempo me contou uma...Parece até historia de filme! Anos atrás, quando ainda seus dois filhos eram bem pequenos, foi passar férias num hotel em Mato Grosso. Em meio a uma natureza bonita, com árvores frondosas e crianças levadas, achou algo que lhe chamou muito a atenção, toda enroladinha e bem amassadinha, num canto, quase no lixo, uma nota de dez dólares. Achou aquilo um sinal de sorte e guardou em sua carteira, seria seu talismã.
Depois de alguns meses, Selma recebeu um convite, passar alguns dias na casa de uns parentes nos Estados Unidos e pra lá foi toda feliz.  

Selma fez muitas compras, aproveitou como ninguém sua estadia na América e, com dor no coração, se desfez do seu amuleto da sorte. Sua nota de dez dólares ficou por lá em alguma loja... Esbanjando felicidade, regressou com muitos presentes.
Alguns dias se passaram e surpresa...recebeu um telefonema de sua prima Carmem, ela estava apavorada, seus parentes estavam sendo investigados... telefone grampeado e quase foram  interrogados...Um pesadelo! O serviço secreto dos Estados Unidos, lá na casa de Carmem e Roberto.
Bom, trocando em miúdos, resumindo a história, chegando nos finalmentes... Descobriu-se que aquela notinha amassadinha era falsa!!! Foi um momento bem constrangedor, Selma ficou pasma.
Tudo deu certo, seus primos, Carmem e Roberto, se entenderam com o FBI.  Para concertar a situação, Selma, como sinal de gratidão, os convidou para uma visita aqui no Brasil. Curtiram o carnaval, foram para o Rio de Janeiro assistir as escolas de samba num camarim especial muito chopp, a pizza mais gostosa do mundo e, claro, muitas risadas com a lembrança de algo tão inusitado.
 Selma, agora, trocou seus dólares por euros......gosta mais de ir para França. Amiga, nunca esquecerei essa...beijos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Muito prazer, Clotilde!

Ficava muito brava com a minha mãe, como ela teve coragem de me chamar de Clotilde? Que nome mais antigo, fora de moda, pesado... imagina você ninar  um bebê, ”nana Clotilde nana Clotilde!!!!”Escutar sua bebê chorar no berço e tira-la dizendo, vem Clotilde... Clotilde... Esse nome não combina nada com uma criança. Quando mocinha, por várias vezes, mudava meu nome quando conhecia algum garoto, ficava com vergonha e dizia que me chamava Claudia. Lembro que um dia na cidade da minha mãe, Tietê, era comum passear na praça, as meninas de um lado e os meninos ao contrario, era o famoso “footing”, assim aconteciam as paqueras. Foi assim que veio conversar comigo um garoto e quando perguntou meu nome fiquei roxa de vergonha, só me tranquilizei quando ele disse seu nome....Virgulino! Foi a primeira vez que não sofri em falar Clotilde. Acho que ele percebeu minha solidariedade. Percebia que algumas pessoas, logo de cara, já me batizavam com um apelido para amenizar a tragédia... Como Dedê, mas Dedê parecia totalmente distante, não me identificava com ele.
Era comum em propagandas de televisão a galinha ter o nome de Clotilde, uma cabra de nome Clotild e até no Zoológico uma girafa famosa chamada Clotilde. Uma vez minhas filhas estavam numa praça com uns amigos, eis que, de repente, sai de um canteiro uma baratona, um amigo fala: “A Clotilde foi passear”. Também já usaram meu nome para representar bonequinhas de maquetes em trabalhos escolares... E o que dizer da bruxa do71 do seriado do "Chaves"? E nas novelas, que sempre tem uma perua, a “Clotilde”?
Depois de muitos anos de terapia, descobri um certo charme em meu nome. Aprendi a gostar de ser Clotilde e não me imagino com outro nome. Tenho cara e alma de Clotilde. E para ficar mais na moda – Ainda mais depois da rainha do lixo da novela “Passione” - muitos me chamam de “Clô”. Portanto mamãe, obrigada, ser Clotilde me deixa muito feliz.
P.s.: Minha Mãe Isa me chamou assim para homenagear sua mãe, minha saudosa avó. Com muito respeito e honra, levo em minha certidão de nascimento esse querido nome de batismo.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Joaquina voou alto


                 Uma tarde de sexta-feira bem estranha, como se uma espécie de foice rodeasse o apartamento. Naquele dia meu pai tinha acordado debilitado, não conseguia sair da cama...Eu estava bem preocupada.
                Tinha algo estranho no ar, meu coração estava apertado. Fui telefonar para meu irmão, para falar que papai precisava da visita do médico, estava com dor e só queria ficar deitado. Ao pegar o telefone, a Dona Noi, pessoa querida que trabalha conosco há anos, trouxe a notícia, uma tragédia havia ocorrido, “Você ouviu o barulho?”. Do que ela estava falando? Fui ver e fiquei muito entristecida, a gaiola da minha Joaquina, a nossa querida passarinha estava no chão...Ela estava imóvel.
                Às pressas ela foi levada ao veterinário, não tinha nenhum ferimento aparente. Foi recomendado que ela ficasse quietinha, pois poderia ter tido algum machucado interno. Horas depois fui vê-la, estava com o coração em pedaços. Ela tinha parado de respirar. A “Joaquininha” morreu.
                O interessante nesta história é que, após o ocorrido, o meu pai se levantou da cama e parecia estar muito bem. Como disse o meu irmão, o Anjo da morte passou por aqui, queria levar alguém e levou a passarinha. Agora ela é um anjinho e está voando bem alto...Voa Joaquina, voa...