sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Advento

A terra pronta, molhada, cevada, uma nova vida se anunciando.
E foi assim que te conheci, um coração a mais batia dentro de mim,
sentia que partilhávamos a mesma respiração.
Acordávamos juntos, ouvíamos musica, riamos e até chorávamos
e, colados, vivemos dias, horas e meses.
Sentia você crescendo, seus sobressaltos e seus pezinhos me chutando...
Fui conhecendo um novo ser que crescia dentro de mim e, como terra
semeada, alimentar uma nova vida, um filho.
Quer cultivo mais sagrado?
Gerar uma vida... era merecedora de tal graça?
Vou te dar um nome lindo, amamentar-te , te carregar nos braços,
te acolher no meu colo de mãe, te amar, te amar, te amar!!!
Vou te proteger, você vai crescer, vou te ensinar a voar
e, todas as vezes que me chamar de mãe, sei, que vou morrer de amor!


segunda-feira, 4 de maio de 2015

"OS SENTIDOS DA ALMA'


Vem de longe, era um folha enorme, desenhada e pintada,
vem voando pela alameda, o vento brinca e ela dança.
A folha emfim aterriza aos pés da árvore centenária...
A folha descansa do seu passeio, me aproximo, quero
olhar o desenho e as cores, sou bem curiosa!!!
O desenho era do sol se pondo no meio do mar,
o mar gigante abraçava o sol, mas o que me chamou
a atenção foi a data, 2 de fevereiro de 1993.
Então diante da folha, mergulhei no mar, me  aqueci
junto ao sol, sentei na soleira da árvore e vaguei sem
destino.
2 de fevereiro de 1993.
Entro em uma casa, com janelas abertas para
o quintal, posso sentir o aroma das goiabeiras
escuto o latido da Belga, uma Pastora Alemã,
amiga e guardiã, me aproximo, escuto o barulho
da máquina de escrever, é meu pai, trabalhando,
mamãe ao seu lado, lê um livro, acho que é de
poesias, Guilherme de Almeida, reconheço pela
encadernação...
Vou entrando devagar, a Belga logo se chega,
vem toda amorosa, acho que esta com saudades!!!
Os porta retratos ainda estão sobre a escrivaninha,
as fotografias intactas...
O passado existe, em que lugar esta guardado?
vem a noite, outro dia, outra noite, mais um dia,
ontem já foi presente, presente que ficou no passado,
mas a casa de janelas abertas para o quintal...
ainda tem o perfume das goiabeiras.