sábado, 25 de fevereiro de 2012

Do, ré, mi, fá, sol, lá, si... Compondo palavras

É comum escutar palavras que sentimos prazer de repetir, palavras que são notas musicais, delicadas e possuem um som agradável. Certas palavras definem de maneira perfeita, quando usadas na hora certa são mais perfeitas ainda.
Por outro lado existem palavras que nos agridem bem mais que um tapa, um soco. Têm efeito de metralhadora ou de canhão,palavras que simplesmente são horripilantes.  Exemplos: não gosto da palavra enfiar, catar, enfezado e outra que não me cai bem é a palavra evacuar. “Evacuem o recinto!”, “Evacuem o prédio!”.
Outra que não me soa bem é a palavra ejaculatória, que é muito usada nas missas.... Parece estranho, mas todas as vezes que as escuto, de alguma forma, me incomoda... Não gosto! Também não gosto, prefiro não ter na minha agenda, e prefiro deletar da cabeça – E não me fazem falta alguma – as palavras ódio, vingança, rancor, egoísmo, guerra, nojo, morte, impiedade, rejeição, racismo, etc...etc!
Lembro que quando mocinha fiquei encantada com a palavra sofisma, procurava fazer frases que pudesse usá-la de tão linda que eu achava, mas a primeira palavra que de fato me fascinava foi a palavra Mãe. Depois outras me conquistaram...Vida, nascimento, amor, beijo, carinho, caridade, acolhimento, saudade, afeto, abraço, alma, existência, criança, ventre, liberdade, livre, pai, irmão filho, avó, anjo, nostalgia, calor, amigo, amizade, olhar, cumplicidade, céu , mar, eternidade, estrada, caminho paz canção... Como gosto de palavras que têm essa força!
Mesmo em pleno ano de 2012, século 21, tecnologia top de linha, algo ainda continua igual, vivemos numa torre de Babel, a nossa comunicação ainda é bem complicada. Mas tenho certeza que a singeleza de algumas palavras –juntas - tocam o nosso cérebro e nosso coração. Nos transformando e amenizando as nossas vidas, nossas escolhas, nossos sonhos e nos enchendo de esperança e fé... Vitorias. Dizer muito obrigada, seja feliz, sonha comigo, eu sonho com você, reza para mim, rezo por você, te amo, confio em você, acredito em você, seu sorriso é a luz da minha vida, seu abraço me dá foça, seu olhar me dá coragem... Somos pares e mais pares, se não fossemos onde estariam as palavras? Como escuta-las?


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Como conheci o Zeca

Um belo dia estava assistindo uma missa e encontrei com amigos novos, amigos recentes e que rapidamente ficaram amigos para sempre... Coisas de alma, sabe? Idely, Cristiano e um dos filhos do casal, o José Francisco... Foi a primeira vez que me dei conta de quanto era importante o meu acolhimento, meu sorriso para um portador da síndrome de Down, o Zeca.

Descobri algo que nunca tinha sentido um amor enorme, não foi o meu sorriso e nem o meu acolhimento e sim o sorriso e o acolhimento do Zeca... Ele ficou sendo meu querido e amigo Zequinha. A partir daí enxerguei com outros olhos pessoas especiais e descobri o verdadeiro sentido de serem especiais... Estão aqui para nos ensinar muitas coisas.

O Zeca já me fez chorar muitas vezes, mas vou contar de um momento inesquecível para mim, foi quando fui vê-lo atuando numa peça de teatro, todos os artistas eram pessoas com Down... Fantástico, emocionante o trabalho de superação comandado por Deto Montenegro, no espaço chamado Oficina dos Menestreis. Na peça eles nos mostram a capacidade, espontaneidade, sensibilidade do grupo de meninos e meninas, tem momentos de risos e momentos tocantes.

O Zeca é extremamente comunicativo, trabalha, atua, canta em um coral, sabe organizar roteiros de festa. Uma vez fui convidada por ele para "apresentar" sua festa de aniversário, pois ele iria dar um show... Cantaria músicas e dançaria. Aceitei o convite e, para meu grande espanto, ele tinha separado um traje de gala para eu vestir, me deixou num lugar reservado para que eu usasse como camarim, me entregou um roteiro para que eu seguisse e todo preocupado me dizia para que eu não saísse da "coxia". Foi mesmo um show! Tudo saiu como ele queria, apresentei o artista que, de tão talentoso, recebeu muitos aplausos. Sua festa foi deliciosa!

É assim o Zeca, meu amigo do Face, amigo querido... Vejo nele um sol, cheio de brilho e pureza... Amigo para sempre! Zequinha, tenha uma boa semana!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Batizado da Isa

Fui convidada para ser madrinha de batismo da primeira filha do meu irmão Marcelo, a Isinha. Com muita honra e orgulho, aceitei na hora. Fui então fazer um curso para me preparar para tal evento e fui recepcionada por uma equipe muito acolhedora, na Igreja do Calvário. Tinham várias pessoas e inclusive alguns nenês, pois o curso é para os pais e padrinhos.
Foi nos dada uma palestra para sabermos o que significa o batizado, depois fomos divididos em grupos para lermos sobre o batismo de João Batista, batismo de água, em que pela primeira vez estando Jesus lá para receber tal batismo o céu se abriu e uma voz falou: “Esse é o meu filho.”. Dai por diante a importância da comunhão da água e do sinal invisível, dando ao ser humano sua condição de filho de Deus.
Tenho vários questionamentos sobre ser filho de Deus. Penso que todos nós somos filhos de Deus, batizados ou não... Como ficam os índios e aqueles que por opção não foram batizados? E as criancinhas que morrem imediatamente aos seus nascimentos?
É muito bonito todo o ritual do batismo, é o momento que se é apresentado à comunidade... Um momento de muita emoção. Quando batizamos nossa terceira filha, Ana Maria, ela teve o privilegio de ser batizada por um bispo, era um motivo a mais para a solenidade ser mais tocante. Lá estávamos com nossas famílias, os padrinhos escolhidos e amigos. Normalmente se acompanha o batismo com um folheto que vai nos conduzindo durante a missa... Tem todos os ritos. Me lembro que algo, inesquecível, foi quando o Bispo perguntou: “O que vocês desejam para a Ana Maria?” e eu imediatamente falei: “Que ela seja muito feliz!”, veio de dentro de mim, da minha alma, pois com certeza era o que eu mais desejava para minha filha... O Bispo me olhou de uma maneira um tanto critica, dei a resposta errada. Deveria ter dito: “O Batismo”!
Fico pensando... Quando falei que queria que ela fosse muito feliz estava dizendo que queria o batismo... Foi tão sincero e verdadeiro, não li no ritual do folheto, falei com o meu coração. Acho que todos nós queremos que os nossos filhos sejam protegidos e super amados por Deus e imagino o quanto Deus é livre para recebê-los e acolhê-los independente de qualquer palavra. Deus provavelmente enxerga mais o nosso interior e não se prende a tantas formalidades.
Para nós, pais, o batismo é sem duvida um momento muito importante, é como se Deus  olhasse para o nosso filho e também dissesse: “Esse é meu filho amado”, como fez com Jesus. Para nós, escolhidos como padrinhos, me vem a ideia da sensação de João Batista... A honra e a gloria de tal momento e para o batizado, criança, ou adulto, um pleno momento espiritual, onde sentimos visível ou invisível o céu bem perto de nós. Isinha, que você seja feliz!


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Línguas de trapo

Mamãe contava uma historia assim, Dona Fátima e seu Raul iam receber para um jantar um grande amigo,  Juvenal, pessoa encantadora. Eles queriam muito que tudo fosse perfeito, mas precisavam contar com a ajuda de Sofia, filha pequena do casal que tinha 5 anos. O amigo Juvenal tinha um grande, ou melhor, um enorme nariz, coisa que chamava muito a atenção. O casal pediu para a menina não comentar nada, afinal ele se sentia muito constrangido com o tamanho do seu possante nariz.
Recomendações dadas, o amigo chegou, Sofia fascinada não desviava seu olhar curioso, mas não fez nenhuma pergunta, bem obediente permaneceu em silencio todo o jantar. Na hora da sobremesa sua mãe ofereceu sorvete com chantilly, Sofia aceitou na hora, adorava tomar sorvete e então falou para sua mãe: “Quero sim, sorvete com nariz!”.
Puxa vida, estragou tudo, o clima de repente já não era mais o mesmo... Constrangidos, o silencio se abateu, Juvenal fingiu não perceber, mas Fatima e Raul queriam trucidar Sofia! Tanto cuidado, tanto empenho, mas o assunto do nariz veio à tona... Perigos que corremos quando falamos certas coisas perto de crianças, já passei por isso, fiz minha mãe quase me “chacinar” também.
Eu era pequena e perto da minha casa havia uma lojinha de um árabe chamado Jamil, ele vendia um pouco de tudo e lá fui eu com minha mãe, ela queria comprar meias para mim, acontece que eu escutara uma palavra nova que me encantará,  a palavra era ordinária... Achei a palavra muito bonita e difícil. Mamãe, toda entretida a escolher as mais bonitas meias e eu fiz o seguinte comentário: “Mamãe. ele é tão ordinário...”. Seu Jamil me fuzilou com os olhos escuros, mamãe sutilmente me deu um beliscão.
Lembro também que meu filho, Luís Fernando, adorava imitar a voz de uma conhecida nossa ela falava mais ou menos com a voz daquela moça que vende iogurteiras na TV, uma voz bem aguda, desafinada, bem peculiar... E não é que um dia a tal conhecida veio nos visitar e o meu neto que tinha uns três anos olhou para ela e disse: “Meu tio Lu fala que nem você.”. Ficamos todos com cara de tacho, riso amarelo, e ela brincou: “Seu  tio Lu merece umas palmadas na bunda!” (risos).
Uma vez estávamos no elevador do prédio que morávamos e conosco estava uma vizinha que era muito implicante. Ela era velhinha e os meus filhos bem pequenos,, dona Tereza fechava a cara sempre que encontrava com as crianças, não fazia questão de ser nem um pouco simpática... E não é que a minha filha Ana Maria fez o seguinte comentário, “Dona Tereza tem cara de bruxa, né?”. Até ela não resistiu e deu risada! Melhor assim!!!
Falar coisas perto de criança é muito perigoso e nem adianta falar na língua do “P”, eles entendem tudo. Passamos alguns apuros, mas é divertido perceber o quanto as crianças são espontâneas e espertas... Sem duvida, são bem sinceras. Elas repetem o que escutam, nos emitam, são nossos espelhos.