Mamãe contava uma historia assim, Dona Fátima e seu Raul iam receber para um jantar um grande amigo, Juvenal, pessoa encantadora. Eles queriam muito que tudo fosse perfeito, mas precisavam contar com a ajuda de Sofia, filha pequena do casal que tinha 5 anos. O amigo Juvenal tinha um grande, ou melhor, um enorme nariz, coisa que chamava muito a atenção. O casal pediu para a menina não comentar nada, afinal ele se sentia muito constrangido com o tamanho do seu possante nariz. Recomendações dadas, o amigo chegou, Sofia fascinada não desviava seu olhar curioso, mas não fez nenhuma pergunta, bem obediente permaneceu em silencio todo o jantar. Na hora da sobremesa sua mãe ofereceu sorvete com chantilly, Sofia aceitou na hora, adorava tomar sorvete e então falou para sua mãe: “Quero sim, sorvete com nariz!”.
Puxa vida, estragou tudo, o clima de repente já não era mais o mesmo... Constrangidos, o silencio se abateu, Juvenal fingiu não perceber, mas Fatima e Raul queriam trucidar Sofia! Tanto cuidado, tanto empenho, mas o assunto do nariz veio à tona... Perigos que corremos quando falamos certas coisas perto de crianças, já passei por isso, fiz minha mãe quase me “chacinar” também.
Eu era pequena e perto da minha casa havia uma lojinha de um árabe chamado Jamil, ele vendia um pouco de tudo e lá fui eu com minha mãe, ela queria comprar meias para mim, acontece que eu escutara uma palavra nova que me encantará, a palavra era ordinária... Achei a palavra muito bonita e difícil. Mamãe, toda entretida a escolher as mais bonitas meias e eu fiz o seguinte comentário: “Mamãe. ele é tão ordinário...”. Seu Jamil me fuzilou com os olhos escuros, mamãe sutilmente me deu um beliscão.
Lembro também que meu filho, Luís Fernando, adorava imitar a voz de uma conhecida nossa ela falava mais ou menos com a voz daquela moça que vende iogurteiras na TV, uma voz bem aguda, desafinada, bem peculiar... E não é que um dia a tal conhecida veio nos visitar e o meu neto que tinha uns três anos olhou para ela e disse: “Meu tio Lu fala que nem você.”. Ficamos todos com cara de tacho, riso amarelo, e ela brincou: “Seu tio Lu merece umas palmadas na bunda!” (risos).
Uma vez estávamos no elevador do prédio que morávamos e conosco estava uma vizinha que era muito implicante. Ela era velhinha e os meus filhos bem pequenos,, dona Tereza fechava a cara sempre que encontrava com as crianças, não fazia questão de ser nem um pouco simpática... E não é que a minha filha Ana Maria fez o seguinte comentário, “Dona Tereza tem cara de bruxa, né?”. Até ela não resistiu e deu risada! Melhor assim!!!
Falar coisas perto de criança é muito perigoso e nem adianta falar na língua do “P”, eles entendem tudo. Passamos alguns apuros, mas é divertido perceber o quanto as crianças são espontâneas e espertas... Sem duvida, são bem sinceras. Elas repetem o que escutam, nos emitam, são nossos espelhos.
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