"Tomou um copo de suco de maracujá, melada demais!"
Mamãe achava tia Mércia um xarope, vive dizendo que ela é o próprio suco de maracujá, as abelhas grudam nela...
Só mamãe para falar assim, eu confesso que acho um exagero, se tia Mércia é um copo de suco de maracujá, mamãe é um copo do que?
Mamãe não tem paciência para chorumelas!
Uma vez bateu o telefone na minha cara, mal comecei um assunto e ela veio com essa.
"Se for para abobrar, já vou desligando!"
Nesse dia engoli o choro, nesse dia achei mamãe um copo de purgante!!!
Outo dia tia Mércia foi nos visitar, levou um livro para mamãe, certa da delicadeza, não é que mamãe desdenhou até!
"Não gosto de romances de banca de jornal, pura pieguice
Mamãe adora a palavra piegas, seu Abreu é outra vitima, veio ele contar uma historia melosa.
"Pensa que meu ouvido é penico?"
Seu Abreu homem piedoso e um pouco surdo, fez de conta que não entendeu!!!
Mas conto isso porque hoje bem cedo tocou a campainha de casa, abri a porta e dei de cara com dona Maria, quanta gentileza, me trouxe um bolo, sabe do que?
De maracujá, ai se mamãe estivesse junto, não teria trocado olhar!!!
Convidei-a para entrar...
"Vou fazer um café fresquinho!"
Ela entrou toda apressadinha, sentou e desandou a falar, contou como plantou o pé do maracujá, que demorou nove meses para dar frutos, que escolheu os mais maduros, os de cascas enrugadas e que era uma receita da sua avó, o bolo!
Não consegui abrir a boca!!!
"Minha avó veio da Itália, num navio de imigrantes, em 1914, época da guerra!"
Contou a vida toda, não cansou de elogiar a receita, o bolo, os maracujás...
Tão divertida, talvez um tanto cansativa, mamãe não estava lá.
Que sorte!!!