segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Meu Natal de criança






Meus pais contavam para mim e para os meus irmãos a história de Maria e José, eu bem pequena ficava encantada... Claro, era tão bonita, ao mesmo tempo triste e magica. Fazia uma viagem imaginando aquelas cenas, via Maria em cima de um burrinho e José puxando bem devagar, numa estrada cheia de pedras. Estavam viajando pois havia uma ordem, do governador, que todos os habitantes precisavam participar de um recenseamento, só que Maria estava quase dando a luz e faltava muito para chegar na cidade deles. Não tinha hotel, nem pousada, só encontraram uma estrebaria, lugar de guardar animais, e fizeram uma caminha para Maria se deitar. Foi lá que seu filho Jesus nasceu. Não tinha roupas, fizeram para ele um berço de capim e o cobriram com remendos das roupas de Maria e José.

 Era noite, a luz que iluminava era a das estrelas, o silencio pouco a pouco era interrompido pelo barulhinho de um animalzinho, primeiro veio o burrinho, o carneirinho, as vaquinhas, todos postados solenemente diante do pequeno “Rei”, adorando a aquela criança.

 Enquanto ouvia a história podia escutar uma linda música tocada por anjos, dava asas à minha imaginação, tudo era singelo, até aqueles Reis Magos que chegaram com Mira, Ouro e Incenso, presente para o aquela criança tão especial, viajaram guiados pela estrela de Davi. Noite Feliz, noite de Paz! Eu chorava só de imaginar a dor de Maria e José, seu filho, pobrezinho nasceu em Belém, sem abrigo e já predestinado a morrer, perseguido desde pequeno por Herodes acabou condenado... Intrigada perguntava para os meus pais, por que Deus permitiu isso? Meus pais bem que tentaram me explicar, até hoje não sei ainda a resposta para tal “Mistério”.

 Me lembro que quando tinha uns nove anos, assistindo uma reportagem sobre Natal, pela televisão, um menino de rua pediu para o Papai Noel uma bicicleta,  aquele menino jamais iria ganhar uma bicicleta. Nesse mesmo ano, assistindo televisão, vi o Homem chegar na Lua. Perguntei novamente para os meus pais, como podia filhos do mesmo Deus receber presentes tão diferentes?  O menino sonhando com uma bicicleta e um outro viajando pelo espaço numa nave espacial... Não tenho uma resposta ainda, não sei explicar os mistérios da vida!

Vinte e quatro de dezembro de dois mil e doze, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou... Sua manjedoura está lá com sua pequena imagem de Menino Jesus. O coração do homem continua cheio de sonhos, Jesus ainda é o Homem mais conhecido e falado de toda nossa História. Acredito que dentro de nós, ele é a certeza maior do sentido da nossa existência. Menino Jesus, feliz Natal!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dr. Eupídio Paranhos e seu sangue azul!




Bem jovem, Eupídio se sentia muito importante. Vindo de família “quatrocentona”,  guardava com ele, em pleno século vinte um, traços de um mundo velho, um cheiro de naftalina  e, pior, o ranço de uma tal síndrome chamada: “Síndrome do Pequeno Poder”. Não tinha percebido até então que o mundo era outro... Estranho imaginar que tão moço não escutava novas melodias, seu ouvido, treinado, apenas gostava das canções que tinham rimas perfeitas e jamais percebia que toda história tem dois lados, seu universo era resumido, engessado, se concentrava em poder mandar... Mandava no seu pequeno castelo, no seu pequeno reino, no seu pequeno regimento, pois lá ele era importante, era o Máximo era o Dr. Paranhos!

DOUTOR Paranhos, era assim que era chamado pelo seu staff, seu Jacinto, pessoa simpática, cozinhava para a família Paranhos desde sempre. Conheceu Eupídio pequeno, viu o menino se tornar o DOUTOR e tinha por ele um misto de respeito e devoção. Também gostava de se gabar dizendo que sabia preparar os melhores ovos beneditinos do mundo... Mas só fazia para o “seu” menino. Para Jacinto era Deus no Céu e Eupídio na Terra... Só faltava adivinha os desejos de DOUTOR.

 Seu Cintra era o motorista, mais fechado, quase não falava, parecia um criado mudo, mas jamais se esquecia de colocar, assim que Eupídio entrava no carro seu CD preferido, andou me confidenciando que Dr. Paranhos não se cansava de ouvir a nova música do Rei a até sussurrava: “Esse Cara sou Eu!

Dr. Paranhos e seus mandamentos, era cumpridor de todas as regras, não falhava. Encontrei com ele outro dia, tomava café absorto, achei um tanto pálido... Também, acho que não tem tomado sol. Preferi  ficar só observando, pois sabia que se fosse conversar com ele, não teria nenhuma boa nova para me contar e, o pior de tudo, usaria de seu português formal, como se fossemos conhecidos de um tempo passado... Não estava disposta  a escutar assuntos fora de moda, por isso nem me atrevi a  cumprimentá-lo.

Acho que ele se esqueceu que os tempos mudaram e que o sonho, de cada um, é livre e da cor de quem o pinta. Fico triste de imaginar que num mundo tão sem fronteiras tem pessoas que ainda colocam molduras para demarcar espaços, sem dar oportunidades de conhecer o lado belo que os olhos nem sempre alcançam. Dr. Paranhos, a vida é bela!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Páginas da vida





Tão comovida, fiquei escutado esta história real... Mesmo porque conheço a protagonista. Chorei de pensar o quanto não imaginamos os dramas guardados a sete chaves nas almas de cada um de nós, as infinitas dores que enterramos nas entranhas de nós mesmos e dos preços que pagamos por escolhas responsabilizadas pelo nosso “livre arbítrio”!

Faço hoje meu texto com som, o som e a voz de uma mãe como tantas que, por motivos íntimos, próprios, pessoais, amputaram de suas vidas seus próprios filhos. Escutem!

O programa faz parte do blog do meu filho:

sábado, 17 de novembro de 2012

Resposta ao tempo





Um dia a vida te pergunta: O que você fez da sua vida? Me lembro de uma historinha, mais ou menos assim..... Uma mãe e sua família... Todo domingo Doris oferecia um lindo e gostoso almoço para a família, filhos e marido, gostava de agradar a todos. Já era conhecida a sua receita de Peixe, divino, era de dar água na boca, todos adoravam, inclusive ela... Fazia questão de repartir igualmente os pedaços, era mãe zelosa e dedicada e sempre ficava com a cabeça do peixe!

Em um dia das mães, Doris recebeu dos filhos e marido, num lindo embrulho de presente, pasmem, nem ela acreditou... Era uma cabeça de peixe, comprada no sacolão do seu bairro. Que presente mais estranho! Ela perplexa exclamou: “Uma cabeça de Peixe!?”. Os filhos e o marido se entreolharam espantados, parecia que Doris não tinha gostado do presente. Mas que estranho, ela sempre ficava com a cabeça do peixe, parecia que adorava, comia sempre, sempre, sempre... Por que aquela reação?

Essa história me faz refletir um bocado, como nos lidamos com nossas expectativas... Aceitamos a cabeça do peixe ou batalhamos pelo que realmente desejamos? Somos passivos em nossas escolhas, não incomodamos e apenas recebemos o que nos dão. A pergunta que faço é a seguinte: com qual critério o outro vai te dar se, ele escolhe e decide, você se contenta e tudo bem?

Lembro de uma diarista que tive, todas as vezes que ela ia trabalhar em casa eu fazia macarrão, era mais fácil para mim, não ia ter tantas panelas para serem lavadas, prático e rápido, um dia falei para ela: “Nilza você deve estar enjoada de comer macarrão!” e ela respondeu com uma voz  bem humilde: “Eu adoro macarrão”. Foi tão claro para mim que não era verdade e então contei a ela a historia da cabeça do peixe, ela olhou para mim e chorou... Era verdade ela não adorava macarrão, mas era o que eu oferecia e ela  aceitava gostasse ou não.

Na vida talvez seja mais fácil esperar que adivinhem nossos desejos, muitas vezes a frustração é tão grande, mas continuamos assim, esperando que o outro adivinhe e o mais incrível é que o outro também espera a mesma atitude, portanto deixo o meu registro: “Não gosto da cabeça do peixe!”.

Penso que viver é um belo presente recebido e dado com muito critério, a vida te quer Viva e com voz....“Solto a voz nas estradas, já não quero parar!”



domingo, 11 de novembro de 2012

A Mãe do Natal



Acordei tão radiante, o que eu tinha para contar era muito lindo, não queria perder nem um momento do sonho que tive, era realmente digno de ser compartilhado.

Sonhei que estava fazendo uma viagem muito gostosa, conhecendo lugares novos, olhando coisas bonitas, coisas típicas desses lugares... Foi quando me deparei com uma árvore de Natal, uma arvore muito diferente, essa árvore não estava a venda, mas era a única coisa que de fato me encantou. Vou tentar descrevê-la, como fiz no sonho, fui pedir para minha filha Ana Maria fazer uma igual, já que ela é arquiteta e muito criativa: “Ia gostaria que fizesse para mim uma árvore de Natal, a mesma que vi na minha viagem.” E ela me perguntou: “Mãe o que mais você que que eu leve para o nosso Natal?”. Eu falei: “Apenas construa essa Árvore!”.

Como descrevi para ela no sonho, fiz da mesma maneira quando acordei e contei para os meus filhos e agora conto para os meus queridos amigos. No meu sonho a árvore era a imagem da Nossa Senhora de Fátima, uma imagem iluminada e de tamanho bem maior do que costumamos ver, era realmente belíssima, ela tinha um olhar vivo, olhar de mãe, mãe pronta para abraçar e acolher, aos seus pés um altar feito de nuvens bem branquinhas... Ela era a árvore de Natal que tanto me encantou e agora penso em fazer uma igual aqui na minha casa. No meu sonho havia ao seu redor uma guirlanda de rosas cercando seu altar, rosas brancas, amarelas e vermelhas, rosas robustas que a enfeitavam.

Meu lindo e inesquecível sonho, sonho de profundo significado. O que representa o Natal? O Natal não é justamente o dia em que Maria dá a Luz a Jesus? Não é ela uma das principais personagens dessa noite? A mulher que nos presenteou, trazendo ao mundo seu filho Jesus!

É muito difícil colocar em palavras ou mesmo reproduzir com a perfeição esse sonho, talvez impossível, mas não consigo deixar de contar talvez de maneira simples, mas com muita vontade de dividir esse momento onde por alguns momentos senti de forma tão gratificante essa presença, ou melhor dizendo: “SUA PRESENÇA”, presença de Mãe!

O Natal ainda esta um pouco longe, mas Nossa Senhora sempre perto e para ela eu dedico esse humilde texto, sem pretensão, lembrado que como filha peço que ela nunca nos abandone e que nossos caminhos sejam iluminados e margeados com toda sua Luz de Mãe. Mãe do Menino Jesus!


domingo, 4 de novembro de 2012

Trick or treat?





Dia 31 de outubro, mas que mensagem é essa dita nessa data, dia das bruxas? Caldeirão de feitiços,  feitiços da Lua cheia, gatos pretos correndo na escuridão da noite... Tantos são os mistérios das nuvens percorrendo pelo céu quase cinza e gargalhadas entoadas pelas bruxas que montadas em suas vassouras cortam a noite em zombaria. Assustadoras e narigudas, vestidas de preto, acompanhadas por aves agorentas. Dia de Halloween, crianças fantasiadas correm felizes, “doçuras ou travessuras”? Aboboras decoradas, parecem espantalhos, tem olhos, nariz e boca... Morcegos, aranhas, sapos, cobras: “doçuras ou travessuras”?

Dia das bruxas, dia que se inicia o tempo da “BOA COLHEITA”, exorcizando, os maus espíritos são espantados. Tempo de outras sementes, boas sementes, para uma boa colheita... Não apenas imaginar uma nova colheita, mais que isso, já que o novo nem sempre é o melhor! Mas enfatizando os bons presságios que se espera daqui para frente: uma boa colheita, vida que se inicia, trazendo esperança e outros sonhos - Por que não dizer lindos sonhos? - afinal sonhamos com a felicidade.

Dia das Bruxas, Dia dos Santos, Dia de Finados... Penso que tenha um motivo entre essas datas, algo com morte e renascimento, renovação  e esperança, manhãs de doçuras.... Doçuras que encontramos na alegria e sorrisos das crianças que nos olham e perguntam: trick or treat?


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um convite




Dia vinte e três de setembro, final de mês, mais um mês que correu tão depressa, não parou na curva e não esperou ninguém. Me pego observando essa rapidez, vivemos numa dinâmica de vida, mal dormimos e já estamos levantando... Há uns anos atrás parecia que o relógio da vida não tinha tanta pressa, o Natal demorava a chegar... Hoje vejo que o Natal esta na nossa porta e seus preparativos já dão ares de festa!

Acho que gostaria que tudo andasse mais lentamente, que o tempo não voasse e que pudéssemos saborear com mais intensidade o dia, a noite e até a madrugada - escutar seu silencio e festejar o canto feliz dos passarinhos - reparar em pequenas coisas, sentar à mesa e tomar um café da manhã delicioso, jogar conversa fora, cortar com as mãos aquele pãozinho crocante e quentinho que saiu do forno a instantes, sentir o aroma do café sendo coado - aquele perfume que invade a casa e te enche de desejo. Não me esqueci da manteiga, combinação perfeita do pão, como diria minha avó: “Pão com manteiga é igual a abraço com beijo”.... Tudo de bom!

A fruta pode ser manga, é a minha preferida. Gosto muito de um bom queijo... Não tenho nem vontade de me levantar dessa linda mesa que divido com vocês, pois sinto a presença de todos, cada um contando suas histórias, relembrado coisas importantes, falando de saudades e das novidades. As flores do vaso combinam com a nova estação, são lindas e perfumadas, a toalha nova tem a cor suave e um trabalho de crochê branco que da um toque refinado a esse momento tão especial. O bolo é de fubá, gostoso, tem uma pitada de erva-doce... Ficaria muitas horas me deleitando, mas o relógio já me informa, estou atrasada... Atrasada, mas muito feliz pela companhia desses amigos nesse tão lindo dia... A Primavera chegou!



sábado, 8 de setembro de 2012

Quando eu vim para esse mundo...





Outro dia estava assistindo a minissérie Gabriela, escutando um dialogo do coronel Ramiro e sua neta, Gerusa... Naquela época era normal se escolher o noivo de uma moça, no entanto a neta do Coronel Ramiro quebrou totalmente as regras o desafiando e o deixando perplexo. Desse episódio surgiu uma reflexão da minha filha Maria Claudia, ela me perguntou se essa cena me fazia lembrar de alguma coisa e claro que fiz uma viagem no tempo. Não é tão distante as lembranças de um tempo onde se morria de medo dos mais velhos, os mais velhos eram senhores de tudo, os mais jovens se calavam não era comum poder se expressar livremente.

Não sou da geração “Gabriela”, mas sou de uma geração que traz um ranço de tais costumes, me lembro de ter medo dos mais velhos e não por respeito e sim porque eram “assustadores”, eram “grandes”, olhavam com uma cara de recriminação e critica. Tudo era muito rigoroso, não tão verdadeiro, mas para Inglês ver. As coisas pareciam objetos de cristaleira, tudo “perfeito”, as ordens eram ORDENS, nada podia ser muito questionado. Acho que a hipocrisia rolava de baixo dos panos!

Vejo hoje que o mundo mudou, o jovem ficou mais livre, ele tem mais poder e liberdade, o mais velho sofre preconceitos no trabalho, na família, na vida, o jovem tem a juventude, um mundo onde ele acha que é dono, sabe tudo, o velho é ultrapassado, fora de moda, vivemos num mundo que se descarta valores e que se adquire bens materiais... O mundo mudou, não sei se para melhor...

Não quero que meus netos tenham medo de mim, não quero ser rabugenta e nem ter as regras como mandamentos. Quero aprender com os mais jovens e trocar os ensinamentos que a vida me proporcionou. Acho que deveria ser assim ,tudo na medida equilibrada, um completando o outro... Velho e jovem, respeito e confiança, admiração versos admiração... O mar é tão antigo e continua soberano, cada pétala que nasce de uma rosa é a vida nascendo.




domingo, 26 de agosto de 2012

Ser brega é ser feliz

 
Estava aqui me lembrando o quanto já fui criticada pelo meu gosto musical. Quantas vezes por pressão fui obrigada a mudar o rádio de estação. Hoje fico feliz por sempre ter assumido sem culpa meu gosto por certas musicas, tidas como bregas. Poxa, que alivio descobrir que Caetano Veloso, em uma entrevista, diz gostar de músicas desse estilo... Aliás ele cantando “Você não me ensinou a te esquecer”, de Frenando Mendes, para mim, é super lindo... Acho linda a letra, o arranjo demais, adoro!
Ontem, escutando uma entrevista dada por Lia Sophia para um blog vizinho, o Canal  Principal, fiquei novamente muito contente. Bom, Lia Sophia é uma cantora do Pará que esta fazendo muito sucesso com a música “Ai Menina”, que é tema da Valéria na novela “Amor eterno Amor”. A vi outro dia também no programa da Fátima Bernardes. Acho que Lia promete ser a próxima explosão como cantora.
Escutando a entrevista senti seu carisma e personalidade, ela resgata um ritmo alegre e contagiante que é o Carimbó... Acho que ela é a própria “Ai Menina”, sua juventude se mistura a uma grande sabedoria, a de gostar de ser eclética. Uma cantora sem fronteiras, gosta de tudo e diz que música brega não é música cafona e sim um som que liberta... Sensacional, bateu forte com o que eu sinto... O quanto me permito dar asas ao meu coração e escutar músicas de Reginaldo Róssi, Odair José, Biáfra, Antônio Marcos, Laírton dos Teclados, José Augusto, Os Vips, Márcio Greick, Wanderleia e muitos outros, todos direto do túnel do tempo.
Assim como a jovem cantora, também me julgo aberta a todo tipo de estilo... Agora escrevendo esse texto me delicio a escutar uma música clássica, belíssima de tocar a alma, Serenade, de Franz Schubert... Gosto de tudo, a música faz a alma viajar, nos leva a sonhar, nos faz pensar!  A música nasceu com o homem, ela é parte integrada ao sentimento, alegre ou triste nos movimenta... Faz pular, dançar... Embala grandes amores. Seja brega ou chique, seja feliz!
 
 

domingo, 19 de agosto de 2012

Queridos amigos


Tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo, crescendo... E de repente, me vi assim completamente encantada! Foi no dia quatro de junho de 2011, em plena revolução de vida, que resolvi, apoiada pelos meus filhos, a criar um blog... Afinal era uma vontade antiga de escrever, talvez um projeto... Que ficou guardado a sete chaves dentro de mim!

O RG 9.000 é uma referencia a minha carteira de identidade, queria falar com pessoas próximas, da mesma geração, principalmente para mulheres, mulheres com os mesmos questionamentos. Nessa época conheci o blog que me inspirou, “Um canto para o conto” da minha amiga virtual Ligia Cerri... E assim nasceu o meu RG 9.000, produção visual criada pelo Lu, meu filho caçula. Meio insegura postei meu primeiro texto... Poxa, achei que seria visitado pelas minhas filhas, Ana Carolina, Maria Claudia, Ana Maria pele minha irmã Bebel, pela sobrinha Gabriela e talvez algumas outras pessoas curiosas, querendo saber sobre esse meu arrojado projeto.

Como fiquei feliz! Foram tantas visitas, que eu não acreditei. Juro que foi um momento que jamais vou esquecer, afinal estava precisando muito me sentir prestigiada, não andava assim com uma agenda de amigos tão grande. Segundo texto, novamente uma chuva de acessos... Como não ficar surpresa e feliz? Terceiro texto, quarto e hoje já mais de 50.

Como não dizer queridos amigos, como não estimar esses queridos amigos, que tão delicadamente me abraçam e me acolhem sem precisar fazer escolhas? São queridos, muito queridos, amigos para sempre... Coisa de alma! Dizem que um verdadeiro amigo não precisa estar do seu lado, precisa sim estar com você mesmo a mil milhas de distância, pois a amizade transcende espaço e tempo... A verdadeira amizade se carrega no coração. Dura para sempre, vai além da vida!

Quero agradecer as quase 9.000 visitas, os amigos que fiz, alguns de outros países... EUA, Alemanha, França, Rússia, Canadá, República Tcheca, Itália, Portugal e Inglaterra. Amigos novos, pessoas, muitas que não conheço mas as recebo com meu peito aberto e com meu sorriso largo e feliz! Muito obrigada!!!!


domingo, 12 de agosto de 2012

Novos licores, novos aromas


10 de julho de 2012, oito horas da manhã, toca o interfone, o caminhão da mudança chegou. Meio-dia não há mais nada, olho o espaço vazio, é possível escutar o eco dos passos. As paredes nuas e brancas, o chão sujo, cheio de papel bolha, cheio de uma poeira, poeira de tantos anos. Encontro num canto, encravada entre o roda pé e o taco da sala, uma medalhinha... É de Nossa Senhora, achei muito significativo, fiquei até arrepiada. Para mim um sinal! 

Dou mais uma olhada, viro para traz, me pergunto, se estou triste... Tento escutar as vozes de outrora, as rizadas animadas de outros tempos... Mas já não me diz mais nada! Tranco a porta, nunca mais serei dona dessa chave, uma página virada... Vou embora, embora com uma nova bagagem!

Abro uma outra porta, sinto o sol iluminando minha nova casa, uma varanda cheia de vasos, flores, aprecio esse momento. Uma sala aconchegante, tenho vontade de cantar aquela música que está fazendo sucesso... “ Vou te esperar na minha humilde residência... laiá-laiá!!!!!” 

Sei que demorarei um pouco até colocar tudo em ordem, vim lotada de caixas, lotada de sonhos... Lotada de planos! Descobri nessa minha mudança tantas coisas desnecessárias, guardei tantas coisas inúteis que, minha primeira providência foi colocar em uso meu jogo inglês de jantar para o dia-a-dia. Pensei assim, guardamos tanto para que? Para usarmos quando? Me desfiz de pratarias escuras... Claro que tenho alguns xodós, minhas licoreiras coloridas de cristais... Essas são para sempre! Tenho até que dizer, muitas coisas deixei pelo caminho com dor no coração, mas fiz questão de me dar novos presentes que alegraram meus olhos... Minha nova vida! 

Agradeço o carinho e o amor dos que me amam, na rua, na chuva, na fazenda... Ou no sol! Conto com esse amor que me acolhe e me fortifica e garanto que terei muitas histórias novas para contar, Como por exemplo, a minha mais nova aquisição de Licores de 1814. Conto com sua visita... Até lá! Beijos com saudades!

domingo, 15 de julho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Simplesmente Mãe


Gosto de rezar ante de dormir, fecho os meus olhos e sempre me vem na cabeça a imagem de Deus junto de Nossa Senhora. Sei que esse assunto é muito particular e acho complicado exprimir pensamentos sobre nossa religiosidade, pois parto do principio da liberdade de cada um escolher e ter suas próprias convicções. Eu mesma já tive muitas duvidas, já fui deitar católica e acordei espirita, mas sempre a forte imagem de Maria me garantiu e nunca deixei de tê-la como nossa Mãe...

Não consigo imaginar a possibilidade de não termos uma mãe e verifico que em tantãs religiões a figura de Maria é de fundamental importância...  Ressalto duas que me chamam a atenção, no Candomblé e na Umbanda, por exemplo, a mãe dos homens é vista com muita beleza e reverência.

Outra noite quando fechei meus olhos e comecei minhas orações encontrei Maria vestida de Nossa Senhora das Graças, das suas mãos poderosas a luz cicatrizante aquecia meu coração, então pensei o quanto esse calor me fazia sentir protegida, o quanto me acalentava seu braços abertos, braços e abraços de mãe, vestida assim tão singela, pronta para me colocar na cama e me fazer dormir.

Às vezes fecho meus olhos e encontro Maria vestida de Rainha, poderosa, com um olhar de cumplicidade ela me faz sentir o quanto intercede por nós... Me acalma, tranquiliza. Não preciso usar da minha vós para chamá-la, basta o olhar, olhos nos olhos e a certeza que escuta o meu coração... Amiga e mãe, socorrista, não se esquece de nenhum filho, tem o mesmo olhar para todos!

 Em outros momentos de oração me deparo com ela, revestida com seu manto azul - cor da noite, bordado do céu - imagem que me emociona. Sinto como se estivesse fazendo uma visita, vestida tão bela para nos encantar. Entra na minha casa, se senta ao meu lado, me escuta e nada passa batido, pois sente a minha alma, sabe de tudo que me inquieta e também de tudo que me faz feliz..

Tantas Marias, Maria de Guadalupe, Maria de Medigórie, Maria do Menino Jesus... Tantas Nossas Senhoras,  Senhoras dos Navegantes, Senhora dos Aflitos, Senhora Desatadora dos Nós... Maria e sua coroa, escolhida para cuidar, para passar na frente e iluminar com sua luz majestosa a nossa estrada! A vejo assim, fecho meus olhos e lá vem vestida de Amor!!! Nossa Senhora de todos nós, sem distinção... De todos Nos!


domingo, 3 de junho de 2012

Tem madame no Serasa


Fui dormir dando rizada, Iraty me contou um fato que foi inédito para ela e confesso, para mim também. Aconteceu nessa semana. Iraty é um ser comum, simpática e falante, mas quando entrou na sala do Serasa, com certeza, não estava tão falante assim... Lá havia outras pessoas e ela pegou sua senha e se sentou.

 O Serasa é um órgão de consulta, lá você fica sabendo como esta seu CPF... Alguns, muitas vezes, mais sujos que fraldinha de bebê, com dívidas, cobranças, faturas atrasadas... (Senhor nos proteja! rs).

Naquela sala de terror, mulheres e homens simples, pessoas sombrias aguardavam silenciosamente o grande momento... Foi quando entrou ali uma senhora totalmente diferente de todos os outros, muito bem vestida, cabelo arrumado – segundo Iraty, tinha tanto laquê que mais parecia um capacete –, usando um belo óculos escuros, toda enjoiada, joias de ouro grandes que chamavam a atenção e a destoava totalmente do contexto... Uma verdadeira madame!

Bom , Iraty contou que a tal senhora pegou sua senha preferencial e logo foi chamada, lá foi toda feliz e ao ser atendida disse num tom super alto e todos escutaram: “ENTÃO NÃO TEM MAIS NADA NO MEU NOME, GRAÇAS!!!!” Como se um bonde tivesse saído de suas costas pegou sua bolça poderosa e chique, tirando então sua carteira, de couro, vermelha, sacou duas notas azuis de 100 reais e deu ao moço que a atendia, ele na hora respondeu: “Não posso aceitar!” Ela respondeu: “É só um presente!” Nesse momento Iraty percebeu que todas as pessoas se entreolharam e compreendeu o desejo imenso de todos... Quem não gostaria de receber tal Presente?

A senhora se afastou do guichê, estava suando muito precisava tomar agua e se sentou ao lado de Iraty, que providenciou um copo fresquinho de agua para ela, pois percebeu que a “madame” estava bem desnorteada com o peso que tinha tirado das costas, perguntou se ela estava bem e engatou uma conversa com aquela senhora tão elegante, ela se chamava Maria Beatriz de Moura Paranhos – Até o nome era de uma finesse...

Dona Maria Beatriz sem nenhum constrangimento abriu o jogo, contou que descobriu, depois da morte do seu marido, que ele torrou todo seu patrimônio com uma amante. Iraty, sempre muito curiosa perguntou para dona Maria beatriz: “A senhora deve ter ficado furiosa, não é?” Calma e distinta, ela respondeu: “Meu marido foi maravilhoso comigo, me cobriu de mimos e presentes... Sinto muito a sua falta!“

Dona Maria Beatriz conta que quando chegaram a São Paulo, há mais de quarenta anos, enfrentaram muitas dificuldades. Tinham poucas coisas, não possuíam garfos nem colheres e ao longo de suas vidas conquistaram muitos confortos. Hoje, mora num bairro nobre da cidade, tem seus filhos e netos e, graças a Deus, seu CPF está novinho em folha.

 Nesse momento o numero da senha de Iraty foi chamado, que pena, ela se levantou  até que consolada, afinal o mundo não perdoa nem as Madames que vestem Prada... Toda feliz, descobriu que seu CPF também esta “limpinho”. Segundo ela, Dona Maria Beatriz deu muita sorte e ela saiu de lá saltitante! Mas antes de partir foi dar um beijo naquela senhora... Disse que ficaram “quase” melhores amigas, pena que o tempo foi curto demais.



sábado, 26 de maio de 2012

Uma viagem vertical


Há algum tempo atrás peguei um táxi para um percurso mais ou menos longo. Nesse dia eu não estava muito a fim de conversar, só que foi inevitável, seu Fernando, o motorista, logo no primeiro momento já me fez rir e daí para frente sua história me envolveu tanto que eu já pensava numa forma de, quando chegasse no meu destino, parar tudo e só descer depois de escutar o desfecho - história que contarei numa outra oportunidade. O fato é que com o que ouvi do seu Fernando aprendi coisas que gostaria de dividir com vocês.

Seu Fernando teve uma experiência mística no Mosteiro de São Bento, em um momento de dificuldade e de total perda de esperança ele olhou para a janela da igreja, enxergou os raios do sol, de uma linda manhã, atravessando e iluminando o vitral e naquele momento sentiu a forte presença de Deus. Contou para mim que a partir dai começou a só rezar com o coração...

Como assim? Perguntei. Então me disse: “Faço assim, entro no meu quarto, perfumo esse momento com uma essência para que o ambiente fique digno para tal conexão, coloco uma musica, escolho aquela que mais me aproxima para tal viagem e me entrego... Muitas vezes acordo no dia seguinte, a sensação é que realmente estive lá, lugar  de uma beleza única, e de uma paz infinita! Me sinto abraçado por Deus, rodeado por anjos, sinto o carinho de uma mãe que me sorri e me faz sentir seu filho, filho especial e amado, sinto também a presença forte das pessoas que amo e que quero tanto incluir nesse momento de ternura e proteção. Me sinto no espaço entre nuvens, numa paisagem de flores, cantos mágicos, um sol que aquece e me entorpece... Me sinto tão feliz. É uma comunhão real estou perto de Deus!”

Seu Fernando me falou com tanta fé desse seu momento pleno que resolvi experimentar... Afinal quem não deseja esse encontro? Então segui seus passos... E juro, foi a viagem vertical mais deliciosa da minha vida... A mais inesquecível que já fiz! Escolhi para essa viagem uma música que me faz ter certeza que ela foi feita no céu. Borrifei um perfume suave e delicado em meu quarto, fechei meus olhos e então adormeci...

Espero ter novamente tal felicidade e a certeza que existe mais mistérios entre o céu e a terra que a nossa vã sabedoria conhece! A música é essa, recomendo... Boa viagem!!! 



sábado, 19 de maio de 2012

As verdadeiras cascatas


Tenho ouvido falar de um tal Cachoeira... Cachoeira daqui, Cachoeira dali. O Tal é homem envolvido com o jogo do bicho e com políticos que escoam seus valores no esgoto de um rio morto.

Sabemos que esse assunto já é comum, se perde tempo e na verdade não se constrói nada de novo. Não acabam ao menos com uma pizza de sabor original, é sempre a mesma historia e o mesmo desfecho. Nos resta engolir a mesma pizza com o mesmo sabor – ou será dissabor? É uma falta de respeito e muita cara de pau!

Falo tudo isso, pois hoje quero ressaltar algo de lindo que foi construído com a inspiração de Deus, a verdadeira cachoeira... Queda de água, cascata, cataratas, cursos de água que correm por cima de uma rocha... São tão lindas que nos encantam, abundância de um presente divino que nos prova a todo instante a incontestável obra de um ser que, além de criar o homem, caprichou em nos dar a beleza da natureza, nos deu de graça o encanto de coisas naturais que muitas vezes nem sabemos apreciar.

Outro dia vi pela televisão algo lindo, um papagaio europeu, ele era todo feito de um degrade de cinza, começava bem clarinho e terminava num tom mais escuro, mas o que eu mais achei incrível foi sua calda vermelha... Uma verdadeira pintura, combinação perfeita – Obra feita por Deus... Me pergunto, nesse universo de tamanha beleza, o céu, as estrelas, o mar, as cachoeiras, flores, perfumes e cores , melodias, sons harmoniosos que penetram na alma, porque o homem destoa tanto, já que ele é o principal personagem de toda essa criação? Basta olhar o milagre da vida para ter certeza que fomos criados para contemplarmos essa plenitude gratuita.

O que nos falta então? Será que a ambição é mais forte? O homem só tem uma certeza, a morte e essa ele não pode mudar. “Cachoeira” passará, mas não passarão as cachoeiras belas deste mundão. 


domingo, 13 de maio de 2012

Pra não dizer que não falei de flores



Encontramos pelo caminho pessoas parecidas ou não, fisicamente de várias feições...  O que temos em comum, são os olhos, nariz, boca, detalhes que nos identificam como seres humanos. Mas se somos compostos também de alma e essa é invisível, como podemos nos descobrir e perceber nossas reais semelhanças?
Imagino que poderia ser pelo caminho das afinidades. Então acho que, na verdade, seriamos mais identificados pelo que sentimos do que pelo que enxergamos. Temos um avesso guardado, protegido e esse sim é imortal. Existem pessoas de altura e largura interiores que vieram ao mundo para acrescentar, somar, construir. Que iluminam e fazem o mundo valer a pena. Mas existem outras que minusculamente dão suas parcas contribuições, são pessoas egocêntricas, mesquinhas, egoístas, não sabem aproveitar o dom da vida.
Me vem na memoria uma profissão, na verdade é um dom, a de ser bombeiro... Pessoas que apagam o fogo, o incêndio, salvam vidas. Paralelamente existe o incendiário... Coloca o fogo, incendeia e mata cruelmente qualquer tipo de vida.
Na vida podemos escolher livremente o que queremos ser: Bombeiros ou incendiários... Uma escolha que vem de dentro! Temos exemplos cruéis de incendiários que conspiram covardemente, que se sentem com o poder da destruição. São tão acima de uma consciência verdadeira que o que fazem não pesa, acima de tudo esta seu próprio poder, orgulho e suas armas repletas de ódio e balas certeiras.
No entanto, vejo e sinto que o universo tem suas leis e ele é mais poderoso do que tudo, faz sua conspiração divina... Existem também muitos anjos, que semeiam com amor e bondade o caminho de que acreditam num mundo cheio de flores e cores.


sábado, 5 de maio de 2012

Nova estação


Adoro flores, plantas... Cada brotinho novo que vejo brotar verdinho me deixa muito feliz. Me sinto responsável e agradecida pelas vidas novas que vejo desabrochando. Também adoro ter como companheira minha mais que amiga Nina, seu corpinho peludo e quentinho, sua respiração em sintonia com a minha, me lembra que estou viva,  infinitamente VIVA!

Adoro ter sido multiplicadora de vidas, ter dado através do meu ventre a vida dos meus filhos... E meus filhos a vida dos meus netos! Adoro poder sorrir e receber sorrisos.

Outro dia a Carol, minha filha mais velha, me falou: “Mãe, não vejo mais você comprar suas “coisinhas”... Suas galinhas, seus pinguins, seus galheteiros, enfim aquelas coisas todas de casa que você sempre adorou comprar, copos novos, mantas, almofadas, você sempre tinha uma novidade para sua casa!”. Disse isso num tom meio perplexa... Fiquei pensando!

Hoje, recordando a minha conversa com a Carol, descobri o que mudou para mim, não é que deixei de gostar dessas coisas todas, aprendi a gostar mais das coisas que já tenho, aprendi a olhar com mais carinho tudo que me cerca. Minhas 10 galinhas (adoro galinhas de enfeite porem, tenho pavor, morro de medo, das de verdade - rs), os meus 8 pinguins e tantas outras excentricidades,  como minha chaleira de porquinho, ganharam de mim um olhar novo. Não sou colecionadora de objetos, o que já possuo é suficiente para me alegrar, adoro minha casa enfeitada, sou romântica, cada canto cada espaço é muito especial.

 Não quero comprar coisas novas para ter de guardar as outras, quero curtir sim outras coisas novas! E aí, o que mudou em mim? Me sinto despojada, desejando ter experiencias “novas”, sair de dentro de um mundo conhecido para outros horizontes... Olhar mais para as pessoas, olhar mais para os lugares, descobrir que o céu é infinito e o mundo não é uma rua e nem uma sala de visita... Como é imenso!

Não existem as quatro estações - Primavera, Verão, Outono e Inverno?  Não são sete as cores do arco-íris? Que graça teria a vida da gente se fosse sempre noite ou sempre dia? Gostei de mudar!


domingo, 29 de abril de 2012

O pedaço maior de mim

Outro dia Sheila, minha fisioterapeuta, me fez uma observação, me disse assim, “Acho tão engraçado quando você fala com seus filhos, você se refere a você na terceira pessoa, assim, a mamãe faz para você, a mamãe esta com saudades, a mamãe te ama...” Achando graça e rindo muito ainda concluiu  “Parece o Pelè, ele que se refere a ele dizendo porque o Pelé joga bola, o Pelé esta orgulhoso com esse time... Ele fala dele como se fosse uma outra pessoa e você faz também assim, repara!”

Não é que é verdade, me peguei diversas vezes falando assim, não apenas com os meus filhos, mas principalmente com os meus netos.

­_Vovó você brinca comigo?
_A vovó brinca com você, meu amor!
_Vovó faz agora meu mama?
_A vovó vai fazer seu mama...
_Vovó, você comprou bala?
_A vovó comprou bala
­_ Vovó me conta uma historinha?
_A vovó conta!

Mãe, vovó... Como é divino e majestoso estas duas palavras! Não são verdadeiras palavras.  São mantras, orações! Cala tão fundo na alma, como uma melodia, um som único como uma digital, ecoa dentro como sinal , uma senha, só sua.

 Eu não digo desse prazer com exclusividade de quem gera no ventre um filho, digo amplamente desse sentimento de tantas outras mulheres que geram pelo coração... Ambos são escolhas, escolhas que se formam de uma liberdade... Liberdade própria do Amor!

O amor não tem limites, não tem preconceitos, ele é feito sem receita, ele é entendido pelo olhar. Por isso respondo para a Sheila, toda as vezes que falo “a mamãe” ou “a vovó”, falando de mim mesma, é mesmo da Mamãe ou mesmo da Vovó, pois nesse momento de troca não é a Clotilde que diz e sim meu coração, um coração de mãe repleto de amor!

Quando escuto mamãe ou vovó, vou usar uma metáfora, é como se jogasse uma pedrinha numa lagoa... Não formam ondinhas? Então, acho que é assim, quando escuto mamãe ou vovó é a mesma sensação, ondas numa mesma sintonia, ou mesmo um violino que só transmite sua melodia quando tocado pelo arco, a única diferença é que todo esse sentimento passa por uma transfusão ou uma simbiose que vem das entranhas,  é invisível e ao mesmo tempo real.

A mamãe – a vovó – acha que essa foi a maior missão e a maior recompensa de sua vida! Um beijo para Carol, Cacau, Ia, Lu, Pedro, Enzo, Enrico e quem mais vier!


sábado, 21 de abril de 2012

A sogra


Martha Regina me conta toda arrepiada: “Cruz credo, essa mulher tem parte com o... (mehor nem dizer o nome)”! Segunda ela, para a sogra só falta o tridente, pois os chifres ela já tem... Nem o marido a aguenta! Dona Salomé é insuportável, a última vez que ela foi na casa de Martha Regina - detalhe: a nora não estava - ela mudou toda a decoração da casa, foi além, pegou um enfeite que Martha Regina adorava e deu para Dulce, a diarista... Simplesmente deu, sem perguntar nada para a dona da casa! Martha Regina sempre tentou ser uma nora bacana, mas foi em vão!!!

Ela jamais esqueceu o dia que Dona Salomé falava com seu marido, o filho Antonio, um papo longo pelo telefone, Martha Regina estava bem perto de Antonio e se engasgou com um pedaço de pão, começou a ter um acesso de tosse, Dona Salomé não teve dúvida e perguntou ao filho: “Você tá com cachorro agora Toninho? O Que são esses latidos?” Hahaha
Dona Salomé sabe que a nora odeia canja, mas toda a vez que convida o filho e Martha Regina para jantar diz assim: “Fiz uma sopinha deliciosa para você tomar... Sabe, né Marthinha, canja de galinha não faz mal a ninguém!”

Pior foi o dia em que Martha Regina não foi convidada a se sentar à mesa... Foi num dia de jantar formal... A sogra disse simplesmente assim: “Hoje vamos receber, eu e meu marido, Inácio, amigo antigo da família, sua mulher Augusta e suas filhas Denise e Doroteia, portanto não há espaço na mesa... Ah, vai sobrar um pra você meu filho... Nossa, a mesa ficará lotada!” Após tanta preocupação, colocou Martha Regina num lugar solitário na mesa da cozinha, junto com o motorista. O pior, para mim, foi o Antonio ter aceitado numa boa...  

Sem contar a total indiferença... Quando ela e seu marido Antonio vão fazer uma visita para a sogra, a mãe só conversa com o filho, Martha Regina se sente invisível, é um tal de Antonio daqui, Antonio dali... Dona Salomé não a inclui na conversa! Martha Regina diz que Antonio não percebe essas pequenas maldades, acha que a esposa exagera. 

Martha Regina não sabe mais o que fazer, já tentou de tudo, mas segundo ela, “É mais fácil domar uma égua xucra do que a “vaca” da sogra”. Só você, amiga! Ela já pensou até em mudar de cidade, de Estado, talvez de País... Tudo pra se livrar desse “encosto”.

“O que você acha ?”, pergunta aflita para mim... Poxa Martha Regina que situação! Não imaginava que ainda existisse sogra assim, lamento... Pensei em perguntar para meus amigos do RG 9000... E fica a pergunta, como ajudar minha amiga Martha Regina? Vale qualquer ideia, só não pode Martha Regina devolver o marido! E olha que ela também já pensou nisso.