Outro dia
estava assistindo a minissérie Gabriela, escutando um dialogo do coronel Ramiro
e sua neta, Gerusa... Naquela época era normal se escolher o noivo de uma moça,
no entanto a neta do Coronel Ramiro quebrou totalmente as regras o desafiando e
o deixando perplexo. Desse episódio surgiu uma reflexão da minha filha Maria
Claudia, ela me perguntou se essa cena me fazia lembrar de alguma coisa e claro
que fiz uma viagem no tempo. Não é tão distante as lembranças de um tempo onde se
morria de medo dos mais velhos, os mais velhos eram senhores de tudo, os mais
jovens se calavam não era comum poder se expressar livremente.
Não sou da
geração “Gabriela”, mas sou de uma geração que traz um ranço de tais
costumes, me lembro de ter medo dos mais velhos e não por respeito e sim porque
eram “assustadores”, eram “grandes”, olhavam com uma cara de recriminação e
critica. Tudo era muito rigoroso, não tão verdadeiro, mas para Inglês ver. As
coisas pareciam objetos de cristaleira, tudo “perfeito”, as ordens eram ORDENS,
nada podia ser muito questionado. Acho que a hipocrisia rolava de baixo dos
panos!
Vejo hoje que
o mundo mudou, o jovem ficou mais livre, ele tem mais poder e liberdade, o mais
velho sofre preconceitos no trabalho, na família, na vida, o jovem tem a
juventude, um mundo onde ele acha que é dono, sabe tudo, o velho é
ultrapassado, fora de moda, vivemos num mundo que se descarta valores e que se
adquire bens materiais... O mundo mudou, não sei se para melhor...
Não quero que
meus netos tenham medo de mim, não quero ser rabugenta e nem ter as regras como
mandamentos. Quero aprender com os mais jovens e trocar os ensinamentos que a
vida me proporcionou. Acho que deveria ser assim ,tudo na medida equilibrada,
um completando o outro... Velho e jovem, respeito e confiança, admiração versos
admiração... O mar é tão antigo e continua soberano, cada pétala que nasce de
uma rosa é a vida nascendo.
Suas ponderações me lembraram um texto que usei muito em reuniões e palestras com professores: "Teoria da Curvatura da Vara" (Demerval Saviani).
ResponderExcluirHá que se ter um equilíbrio entre a educação antiga e a atual.
Os extremos, 8 ou 80, desvirtuam todo e qualquer comportamento.
Parabéns pelo texto.