terça-feira, 25 de junho de 2013

Um minutinho comigo


Há quanto tempo não me encontro, não me sento comigo e não rio de mim mesma. Presto atenção na moça do ponto de ônibus, calada e triste. Penso: Quais os sonhos que a encantam? Reparo em casais sentados à mesa de restaurantes, silenciosos e distantes, penso no significado daquele encontro. Viajo no metrô olhando as pessoas, vou construindo histórias, imaginando o porquê da pressa de cada um, a correria da vida, o colorido das roupa e o quanto o meu semelhante é diferente de mim... Digo isso pois bem pequena me ensinaram que nós éramos imagem e semelhança de Deus....  Intrigante, muito intrigante... Vejo um mar de pessoas que se esbarram e nem ao menos se reconhecem. Também não me conheço!

Interessante imaginar o quanto me tornei distante de mim, talvez seja bem mais difícil olhar para si mesma, olhar para dentro, dar uma espiadinha, ter um contato imediato, varar os porões abarrotados  e cantos vazios. Quem sou eu?! Do que mesmo gosto? O quanto sou espontânea e verdadeira, me respeito? Faço jogos para viver, qual é o papel que represento, sou imagem do Criador? Onde está o melhor de mim? O que é o melhor de mim? Não sei.

Na frente desse espelho que me reflete a um ser, uma mulher, me observo. As marcas evidentes do tempo, meu sorriso, meu olhar, posso fazer várias caras e bocas... Prendo o cabelo, passo batom, pinto meus olhos, falo comigo, canto... Como é bom cantar! Dentro de mim, às vezes não há vontade cantar e nem sorrir, há um silencio secreto, há sonhos e fantasias adormecidas, falta tempo e espaço. Olho para mim de forma penetrante, como se pudesse mergulhar nesse universo... É uma caverna, cheia de cristais sedimentados, é o  meu lado avesso, sem maquiagem  sem retoques.

Psiu, psiu... Quero falar com você, escutar sua voz, dividir nossas metades... Que idade tem? Qual é a sua maior saudade? Onde está seu medo? Faz tempo, muito tempo que não  nos vemos, acho que vai me estranhar... Não tenho mais 20 anos!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Passeando pelo passado




Estava arrumando uma gaveta, aquela que guardo fotos antigas, cartas com registros de coisas já sentidas... Gosto dessas lembranças, me surpreendo com essas recordações como se estivesse vendo pela primeira vez... Sempre me emociona! É onde guardo o passado, mas, toda vez que o visito, um sentimento presente me carrega para o futuro, pois tudo isso faz parte da minha bagagem, levarei comigo para eternidade...

“Minha querida Clotilde, Saudosamente estou lhe ofertando a inclusa foto instantânea da nossa juventude. Foi ela produzida em uma tarde de domingo de 1975 em frente ao Cine Gazeta, lembra? Fomos assistir a Opera Rock, Tommy.  Éramos  jovens e confiantes, o mundo era nosso... Você usava calça Lee, uma bata indiana cor de pêssego e uns tamancos bem altos, de cor marrom, era a ultima moda, plataforma escandalosamente alta, mas a gente se sentia gigante, só faltávamos voar, tudo era azul, me lembro do céu dessa tarde, inesquecível céu dessa tarde... Uns hippies mostravam seus trabalhos na mesma calçada e tiramos algumas fotos juntos, poesia pura, paz e amor! Nada menos que três décadas ultrapassaram essa data, toda via fatores circunstanciais ao longo do tempo tolheram nosso convívio quase diário...”


E assim gravado na minha memória, pinceladas desenham toda essa caminhada de tantos anos, atrás, faço esse mesmo trajeto, meu peito se aperta, saudade! Guardo novamente essa carta, ela não é apenas uma carta, ela é o termo de garantia dessa a  amizade que carrego cimentada no meu coração feito joia rara.