Há quanto
tempo não me encontro, não me sento comigo e não rio de mim mesma. Presto
atenção na moça do ponto de ônibus, calada e triste. Penso: Quais os sonhos que
a encantam? Reparo em casais sentados à mesa de restaurantes, silenciosos e
distantes, penso no significado daquele encontro. Viajo no metrô olhando as
pessoas, vou construindo histórias, imaginando o porquê da pressa de cada um, a
correria da vida, o colorido das roupa e o quanto o meu semelhante é diferente
de mim... Digo isso pois bem pequena me ensinaram que nós éramos imagem e
semelhança de Deus.... Intrigante, muito
intrigante... Vejo um mar de pessoas que se esbarram e nem ao menos se
reconhecem. Também não me conheço!
Interessante
imaginar o quanto me tornei distante de mim, talvez seja bem mais difícil olhar
para si mesma, olhar para dentro, dar uma espiadinha, ter um contato imediato,
varar os porões abarrotados e cantos
vazios. Quem sou eu?! Do que mesmo gosto? O quanto sou espontânea e verdadeira,
me respeito? Faço jogos para viver, qual é o papel que represento, sou imagem
do Criador? Onde está o melhor de mim? O que é o melhor de mim? Não sei.
Na frente
desse espelho que me reflete a um ser, uma mulher, me observo. As marcas
evidentes do tempo, meu sorriso, meu olhar, posso fazer várias caras e bocas...
Prendo o cabelo, passo batom, pinto meus olhos, falo comigo, canto... Como é
bom cantar! Dentro de mim, às vezes não há vontade cantar e nem sorrir, há um
silencio secreto, há sonhos e fantasias adormecidas, falta tempo e espaço. Olho
para mim de forma penetrante, como se pudesse mergulhar nesse universo... É uma
caverna, cheia de cristais sedimentados, é o
meu lado avesso, sem maquiagem
sem retoques.
Psiu, psiu... Quero
falar com você, escutar sua voz, dividir nossas metades... Que idade tem? Qual
é a sua maior saudade? Onde está seu medo? Faz tempo, muito tempo que não nos vemos, acho que vai me estranhar... Não
tenho mais 20 anos!

Lembrei-me de um poema de Cecília Meireles(Retrato) que termina com a frase:
ResponderExcluir"Em que espelho terei perdido a minha face?"
Há mesmo momentos em que nos questionamos ao vermos as mudanças que sofremos ao longo dos anos. Mudanças não somente física, mas principalmente emocionais. Isso é bom pois nos mostra que aprendemos com a vida e a ela nos adaptamos.
Lendo seu texto também me procurei e me vi bem diferente do que já fui.
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirLigia Maria,
ExcluirTalvez meu texto passe a ideia de um texto triste, mas na verdade é mais uma reflexão... Hoje me sinto mais madura e muito mais questionadora.
Agradeço sempre o seu carinho.
Um beijo,
Clô.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir