terça-feira, 19 de setembro de 2017

O Pássaro que não sabia voar...

Ela fora tão domesticada que quando se desvencilhou da sua primeira grade, ficou tão tonta, pois não sabia o que fazer.
Tentou até voar, mas já não mais sabia como fazer.
Ela havia me confessado algumas vezes que se sentia uma galinha abatida, suas asas podadas estavam marcadas, marcadas pelo dono!!!
mas procurou mudar, tentou usar sua juventude interior e fez novos sonhos, se encantou com as novidades, sorriu como criança, alias acho que se sentiu mesmo que era criança novamente.
Nesse momento de tantas mudanças, sei que resgatou seu sorriso e a alegria no olhar, parecia mesmo uma outra pessoa.
Outo dia me encontrei com ela, ela estava num banco de jardim, olhava para as flores, olhava talvez para o nada...
Sentei ao seu lado, sabe, ela nem me notou, coloquei minhas mãos em suas mãos, delicadamente a chamei!!!
Ficamos horas conversando, não a encontrei muito feliz, até disfarçava, mas bem dentro dos seus olhos, havia uma sombra triste, seu olhar não era mais cor do mar,  parecia um olhar de um dia chuvoso!!!
Perguntei da sua nova vida, o que tinha acontecido com a sua sede de novas conquistas, se já tinha aprendido a voar, se ainda se sentia encantada com suas descobertas, com a liberdade que tanto buscou...
Ela me garante uma coisa, deixa bem claro, que valeu a pena, suas amarras foram desamarradas, não existem mais grades, não existe, não, não existe grades reais...
Mas me conta de sua descoberta, e quando fala, sinto a sua tremenda decepção....
Ela sem perceber entrou numa outra "gaiola!...
Nossa, me pegou de surpresa, como assim?
Nem ela sabe explicar, saiu de uma gaiola e foi direto para outra, a nova gaiola apenas tinha a porta diferente...
Ela me conta que é submissa, nossa que estranho, ser submissa em 2017.
Seus olhos ficam marejados, por tal revelação e me diz
"Nós que nos prendemos em correntes, nós que cortamos nossas asas livres, nós que nos enchemos de cadeados!"
Como ajuda-la?
Lembrei de uma terapia atual, se chama Constelação Familiar, uma terapia que ajuda a cortar coisas que trazemos dos nossos antepassados, nos livrar de histórias repetidas.
Ela achou interessante, perguntou se eu conheçia alguém, sim conheço e vou passar o contato.
Nos abraçamos, nós duas, ela entendeu também que seu abraço me amparou, poi naquela dia procurei um jardim, sentei em um  banco para pensar...
Ela sabia que eu também estava triste!!!

Clotilde Camargo Magano... 19/09/2017