terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Meu padrinho!!!

-Mãe quem era o seu padrinho?
-Ah, meu padrinho se chamava Acrisio ele era parente  do meu pai...
Tio Acrisio era uma moça, mamãe sempre dizia, homem fino, nas poucas
vezes que o vi me levava sempre presentes bem caros. Mamãe ficava deslumbrada,
perfume importado, lenço de seda, esse seu padrinho, que homem elegante!!!
Quando Tio Acrisio ia nos visitar, mamãe fazia questão de preparar aquele almoço,
ela não, mamãe não sabia cozinhar!!!
A mesa era posta de forma bem formal, já que o Tio Acrisio era um príncipe...
Na verdade meus pais escolheram o Tio Carlos, irmão do Tio Acrisio, mas  Tio Carlos
se matou...
-Mãe que horror!
-Antigamente se escolhiam os padrinhos de uma forma estranha, veja bem, a minha madrinha
era a dona Lucinda, amiga da minha mãe, eu não ia com a cara dela e ela não ia com a minha cara
também!
Reclamava com a minha mãe, o por que eu tinha de chamar a minha madrinha de dona Lucinda!
Ela não me dava presentes assim de deixar o queijo caído  como os do meu padrinho,. Dona Lucinda me dava terço para rezar...
Mas voltando ao meu padrinho,
- Mãe, por que ele era seu tio?
-Na verdade ele  era primo do meu pai, filho do Tio Acrisito, Tio Acrisito era viúvo e a sua segunda esposa se chamava Salomé, isso é tudo que eu sei!!!
Mas voltando a contar do Tio Acrisio, ele dizia para nós que era sócio de um escritório de investimentos  financeiros, mamãe enchia a boca ao dizer
-O escritório do Acrisio é o quinto mais importante do Brasil!!!
Ainda me lembro como se fosse hoje, Tio Acrisio veio nos visitar, tinha novos planos!!!
Papai todo confiante achou que era esse o momento, investir em tratores para terraplenagem!!!
Vovó, Seu Cantídio, Dona Nair, Deodato, Dona Nenê, muitos conhecidos, apostaram em tratores!!!
Mamãe tão "intuitiva", começou a achar que o Tio Acrisio andava um tanto quanto sumido e resolveu ligar para o tal escritório cinco estrelas..
 -Por favor, Dr Acrisio?
-Seu Acrisio não trabalha mais aqui.
Nunca mais ganhei perfumes importados e nem lenços de seda...




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Muitas de mim...

Faz muito tempo que tinha um projeto, ser contadora de historias, desde criança
adoro o mundo magico do sonho, quando ia dormir virava para o lado da parede
e logo a parede se abria e lá eu encontrava com a minha turma, bichinhos vestidinhos,
flores que falavam, passarinhos com gravatinhas, nesse meu mundo todos eram amigos!!!
Então cresci, amadureci, mas nunca abandonei o lado de poesia que a infância me proporcionou.
Dias atras, deitada na minha cama com um dos meus netos, tenho quatro, contava uma historia,
então tive uma ideia e vou aqui partilhar com vocês!!!
-Vovó, conta historia!!!
O palavra doce que enche o meu coração de amor, melhor que fios de ovos, melhor que bigadeios, como diz o Padro meu neto de 5 anos, muito melhor que manjar dos deuzes!!!!!!
Então abro aqui meu coração, criei uma pagina no face que se chama Vovó conta historia e la tenho
me divertido muito, conto historias que embalaram as minhas próprias noites de farta imaginação...
O porão da minha casa.

O porão lá de casa era para mim uma caverna de riquezas, lá eu sonhava, falava sozinha e principalmente observava, cercada de revistas, jornais, panelas sem tampas, fantasias de carnaval
uma maquina de escrever bem antiga e uma bicicleta sem as rodas...
O porão cheirava mofo, pudera, tanta coisa guardada, noticias desbotadas, lembranças esparramadas...
Perdida em meus pensamentos, levo um susto daqueles, a espinha toda arrepiada, o coração
saindo pela boca, dou de cara com uma gata enorme, amarela, me olhando como se fosse uma
onça, ela estava marcando território, em seu corpo de mãe, gatinhos se aninhavam, quis chegar
bem perto, mas a Dona Gata me encarava furiosa e eu sai de fininho.
Queria ser amiga da Dona Gata, fui procurar comida para ela, leite, bolacha, mas quando voltei
ela não estava no porão.
Minha mãe me explicou que Dona Gata foi procurar outro esconderijo.
Passaram-se dias e na grama verdinha do jardim lá de casa estavam os gatinhos brincando, correndo
e Dona Gata maternalmente olhava seus filhinhos, livres dos esconderijos eles iriam crescer e cada um
seguiria um caminho...  Dona Gata voltaria ao porão, outros gatinhos nasceriam e a caverna de riqueza seria novamente o seu abrigo, jornais, revistas, historias acumuladas!!!
Tempo de criança, dou marcha-ré na estrada ladeada de Primaveras cor de rosas, da grama molhada
da noite, que o sol ainda não secou e lá ainda esta a minha caverna de riquezas, meus sonhos que guardo como docinhos de festa!!!


Enrico, Enzo, Pedro e Alice, minha caverna de riquezas!!!!