quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dr. Eupídio Paranhos e seu sangue azul!




Bem jovem, Eupídio se sentia muito importante. Vindo de família “quatrocentona”,  guardava com ele, em pleno século vinte um, traços de um mundo velho, um cheiro de naftalina  e, pior, o ranço de uma tal síndrome chamada: “Síndrome do Pequeno Poder”. Não tinha percebido até então que o mundo era outro... Estranho imaginar que tão moço não escutava novas melodias, seu ouvido, treinado, apenas gostava das canções que tinham rimas perfeitas e jamais percebia que toda história tem dois lados, seu universo era resumido, engessado, se concentrava em poder mandar... Mandava no seu pequeno castelo, no seu pequeno reino, no seu pequeno regimento, pois lá ele era importante, era o Máximo era o Dr. Paranhos!

DOUTOR Paranhos, era assim que era chamado pelo seu staff, seu Jacinto, pessoa simpática, cozinhava para a família Paranhos desde sempre. Conheceu Eupídio pequeno, viu o menino se tornar o DOUTOR e tinha por ele um misto de respeito e devoção. Também gostava de se gabar dizendo que sabia preparar os melhores ovos beneditinos do mundo... Mas só fazia para o “seu” menino. Para Jacinto era Deus no Céu e Eupídio na Terra... Só faltava adivinha os desejos de DOUTOR.

 Seu Cintra era o motorista, mais fechado, quase não falava, parecia um criado mudo, mas jamais se esquecia de colocar, assim que Eupídio entrava no carro seu CD preferido, andou me confidenciando que Dr. Paranhos não se cansava de ouvir a nova música do Rei a até sussurrava: “Esse Cara sou Eu!

Dr. Paranhos e seus mandamentos, era cumpridor de todas as regras, não falhava. Encontrei com ele outro dia, tomava café absorto, achei um tanto pálido... Também, acho que não tem tomado sol. Preferi  ficar só observando, pois sabia que se fosse conversar com ele, não teria nenhuma boa nova para me contar e, o pior de tudo, usaria de seu português formal, como se fossemos conhecidos de um tempo passado... Não estava disposta  a escutar assuntos fora de moda, por isso nem me atrevi a  cumprimentá-lo.

Acho que ele se esqueceu que os tempos mudaram e que o sonho, de cada um, é livre e da cor de quem o pinta. Fico triste de imaginar que num mundo tão sem fronteiras tem pessoas que ainda colocam molduras para demarcar espaços, sem dar oportunidades de conhecer o lado belo que os olhos nem sempre alcançam. Dr. Paranhos, a vida é bela!


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