Estou no
aconchego dos meus pensamentos, a água morna da torneira lava a espuma do detergente,
então nos meus devaneios, sinto uma baforada que me assusta, é Zenaide... Chega
nervosa para contar: “Menina, Marco Aurélio intrometeu um soco no sínico do meu
prédio, sabe?!” Me conta assim, como se eu conhecesse os protagonistas da história!
Zenaide - com
todo respeito - vai contando e eu formando imagens... Nesse momento seu rosto
se transforma na cara de um espantalho - aqueles que espantam os pássaros em
hortas e jardins - é que seus olhos arregalados, seus cabelos despenteados e a vassoura
que traz nas mãos me levam à história do "Magico de Oz".
Ela tem sempre
uma novidade, até já viu disco voador. Limpa
a casa, narrando tudo que está fazendo: “Vou virar sua mesinhaaaa!”; ”Vou ‘alimpar’
o ‘vridro’!”; “Vou molhar suas ‘prantinhas’ pra você ficar contenta.”...
Nunca acerta
meu nome, me chama de Cleotilde o tempo todo... Outro dia perguntou por que eu
não me chamava Cleópatra, já que era mais bonito... Ontem, na hora de se
despedir, me viu desformando um pudim e toda sorridente comentou: “Nossa, Cleotilde tá aspirada hoje!”.
Aspirada fico
com as historias da “mulé”, me contou até que um dia estava no ponto de ônibus
e um tarado a “futucou”. Indignada perguntei: “O que você fez?” “Ah, Cleotilde,
nada, ele era bonito!”. Ai, ai, ai... Coisas de Zenaide!

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