Jamanta é um
cachorro Vira-Lata, todo preto e tem esse nome porque é um tanto gorducho. Cativante
e amigo adora se deitar na soleira da barbearia de seu Manuel, lá todo cliente
que entra o trata de forma peculiar, pois Jamanta recebe as pessoas com seu
rabo cumprido abanando alegria e participa das conversas atento. Seus olhos
pretos parecem uma jabuticaba, quando ouve algumas palavras - comida, vamos dar
uma volta e como está bonito - faz festa e mais festa... Parece que entende! Simpático,
fica horas no seu banho de sol, Jamanta adora quando percebe que o assunto é
ele, aí ele entorta o olhar e levanta as orelhas se fingido de morto. Seu
Manuel comentou outro dia que era frequente o sumiço do “moço”, às vezes sumia
por mais de uma semana, principalmente ás sextas-feiras... Passava o fim de semana
sem noticias e se preocupava. Mas Jamanta era mesmo do mundo, ele já tentara
leva-lo para sua casa, em vão, o danado dava um jeito e sumia...
Bico Fino, era
assim que Dona Marlene chamava seu cachorro de estimação, todo preto e com focinho cumprido e pelos arrepiados na
cabeça, fazia o maior sucesso. Bico Fino sabia do seu carisma e conseguia
ganhar muitos ossinhos e brinquedinhos, tinha vida de paxá, era o rei da casa,
não podia chegar alguém que ele colocava sua barriga para cima... Mesmo sendo
vira–lata se portava como lorde. Ganhava uma atenção de filho, melhor ração,
banho e tosa... Estava sempre limpo e perfumado. Como era esperto, seus
olhinhos, as vezes só o branco dos olhos ficava a mostra e entendia tudo. Bico Fino
tinha certas manias, adorava dar umas voltas, deixava Dona Marlene quase louca,
sumia por horas, mas sempre no final da tarde regressava, parecia descansado e
feliz.
Um belo dia Bico Fino sumiu mesmo, não voltou
no horário que sempre retornava. Nesse dia Dona Marlene não pregou os olhos,
melhor dizendo, chorou até não ter mais lagrimas. No dia seguinte começou sua
peregrinação, andou por toda vizinhança, mas ninguém sabia do tal Bico Fino. Tentou
ir mais longe, foi quando deu de cara com o danado, ele assim todo bonachão no
seu banho de sol... Furiosa deu de cara com seu Manuel, que contava as últimas
peripécias do seu Jamanta: “Veja o Jamanta ficou a noite toda dentro da
barbearia, dormindo como anjo, nem se levantou quando fechei a porta, parecia
que queria mesmo ficar por aqui”, era o
papo do dia.
Marlene entrou
na conversa: “Esse cachorro é meu, meu senhor!”. “Não é possível, senhora, ele
passa todas as tardes comigo, é meu companheiro!”. Bem se via que a disputa
estava começando e lá o cão fingia que não tinha nada com isso. Por horas e
nada de uma decisão, Seu Manuel vermelho e suado não entregava o Jamanta, dona
Marlene já tinha tentado todas as artimanhas para que o Bico Fino a
acompanhasse... Na confusão foi juntando plateia... Uma loucura! O que fazer?
Do outro lado da rua um Padre que observava a
história resolveu se intrometer: “Por que não deixam como está?”. Marlene e
Manuel torceram o nariz, o cão num ato repentino se levantou e começou a lamber
o padre e abanar o rabo, foi como se dissesse, alguém aqui tem sensatez. Depois
disso, como Bico Fino acompanhou Marlene até sua casa. Na manhã seguinte como
Jamanta, esperava Manuel na porta para abrir a barbearia. Disso tudo surgiu uma
nova amizade, Seu Manuel sempre recebia a visita de Dona Marlene, ela gostava
de levar para ele seu doce predileto, ambrosia... Começou a pintar um clima!
Muito legal essa história Clotilde.
ResponderExcluirÉ fato real ou vc a criou?
Gostei bastante.
Ligia, querida, escutei de um amigo e achei muito legal... Claro que existe um toque de sonho, mas a essência é essa, bem verdadeira. Beijos.
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