domingo, 19 de maio de 2013

Jamanta e Bico Fino


Jamanta é um cachorro Vira-Lata, todo preto e tem esse nome porque é um tanto gorducho. Cativante e amigo adora se deitar na soleira da barbearia de seu Manuel, lá todo cliente que entra o trata de forma peculiar, pois Jamanta recebe as pessoas com seu rabo cumprido abanando alegria e participa das conversas atento. Seus olhos pretos parecem uma jabuticaba, quando ouve algumas palavras - comida, vamos dar uma volta e como está bonito - faz festa e mais festa... Parece que entende! Simpático, fica horas no seu banho de sol, Jamanta adora quando percebe que o assunto é ele, aí ele entorta o olhar e levanta as orelhas se fingido de morto. Seu Manuel comentou outro dia que era frequente o sumiço do “moço”, às vezes sumia por mais de uma semana, principalmente ás sextas-feiras... Passava o fim de semana sem noticias e se preocupava. Mas Jamanta era mesmo do mundo, ele já tentara leva-lo para sua casa, em vão, o danado dava um jeito e sumia...

Bico Fino, era assim que Dona Marlene chamava seu cachorro de estimação, todo preto e com  focinho cumprido e pelos arrepiados na cabeça, fazia o maior sucesso. Bico Fino sabia do seu carisma e conseguia ganhar muitos ossinhos e brinquedinhos, tinha vida de paxá, era o rei da casa, não podia chegar alguém que ele colocava sua barriga para cima... Mesmo sendo vira–lata se portava como lorde. Ganhava uma atenção de filho, melhor ração, banho e tosa... Estava sempre limpo e perfumado. Como era esperto, seus olhinhos, as vezes só o branco dos olhos ficava a mostra e entendia tudo. Bico Fino tinha certas manias, adorava dar umas voltas, deixava Dona Marlene quase louca, sumia por horas, mas sempre no final da tarde regressava, parecia descansado e feliz.

 Um belo dia Bico Fino sumiu mesmo, não voltou no horário que sempre retornava. Nesse dia Dona Marlene não pregou os olhos, melhor dizendo, chorou até não ter mais lagrimas. No dia seguinte começou sua peregrinação, andou por toda vizinhança, mas ninguém sabia do tal Bico Fino. Tentou ir mais longe, foi quando deu de cara com o danado, ele assim todo bonachão no seu banho de sol... Furiosa deu de cara com seu Manuel, que contava as últimas peripécias do seu Jamanta: “Veja o Jamanta ficou a noite toda dentro da barbearia, dormindo como anjo, nem se levantou quando fechei a porta, parecia que queria  mesmo ficar por aqui”, era o papo do dia.

Marlene entrou na conversa: “Esse cachorro é meu, meu senhor!”. “Não é possível, senhora, ele passa todas as tardes comigo, é meu companheiro!”. Bem se via que a disputa estava começando e lá o cão fingia que não tinha nada com isso. Por horas e nada de uma decisão, Seu Manuel vermelho e suado não entregava o Jamanta, dona Marlene já tinha tentado todas as artimanhas para que o Bico Fino a acompanhasse... Na confusão foi juntando plateia... Uma loucura! O que fazer?

 Do outro lado da rua um Padre que observava a história resolveu se intrometer: “Por que não deixam como está?”. Marlene e Manuel torceram o nariz, o cão num ato repentino se levantou e começou a lamber o padre e abanar o rabo, foi como se dissesse, alguém aqui tem sensatez. Depois disso, como Bico Fino acompanhou Marlene até sua casa. Na manhã seguinte como Jamanta, esperava Manuel na porta para abrir a barbearia. Disso tudo surgiu uma nova amizade, Seu Manuel sempre recebia a visita de Dona Marlene, ela gostava de levar para ele seu doce predileto, ambrosia...  Começou a pintar um clima!






3 comentários:

  1. Muito legal essa história Clotilde.
    É fato real ou vc a criou?
    Gostei bastante.

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    1. Ligia, querida, escutei de um amigo e achei muito legal... Claro que existe um toque de sonho, mas a essência é essa, bem verdadeira. Beijos.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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