quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Hoje é o Dia da Saudade...




Perguntei para mim, “Clotilde do que você sente saudade”?

Respondi rápido para mim mesma, lembrando do quintal da casa dos meus pais... As árvores, olhava o céu, tinha uns trinta e poucos anos, filhos pequenos, meus pais eram jovens, irmãos. Éramos uma família... O quebra cabeça estava composto, era colorido... Mamãe adorava escutar Pavaroti, a música era sempre animada. Lembro nesse momento de algo que me emociona... É a saudade batendo forte na minha memoria!

 Penso na minha irmã Bebel e recordo algo que tenho certeza que ela lembra também... Papai adora escutar Zorba, canções gregas, e a gente vibrava, todos nós dançávamos, papai fazia uma coreografia, as crianças se empolgavam e nós ficávamos em sintonia... Dançávamos e riamos muito!

Lembro do meu irmão Francisco, sempre com seu sonho de ser Herói, acho que seu maior inspirador foi Che Guevara... Lembro do seu encanto de menino ao olhar uma foto do Che com a estrela no meio de sua testa.  Zezo fazendo campeonato de botão, São Paulino roxo, melhor, tricolor de corpo e alma.

 Mario e Marcelo, meus irmãos gêmeos, os eternos nenês da casa, amados como se fossem filhos de todos nós. Mario trouxe o Rangue, um cachorro Pastor Alemão herança concedida depois que ele serviu o exército,  virou seu fiel  amigo... A respiração do Rangue  e do Mario eram sintonizadas. Marcelo, Celinho, acho que ele foi minha primeira experiência de mãe, quando pequenininho e tinha medo à noite ia para minha cama... Adorava!

Bebel meiga, amiga e companheira, encostávamos nossas camas para conversarmos até madrugada, conversávamos sobre amores, amigos... Presenciei até ela engolindo o coelhinho (Para quem me acompanha, já contei em um outro texto.).

Volto lá trás, no quintal da minha casa de menina, tantas saudades! O Bem-te-vi cantava seu canto breve e eu perguntava a ele  em seguida:  “Bem-Te-Vi, vou ser Feliz?” Minha mãe dava rizada, uma rizada gostosa. Saudade!  E o Bem Te Vi respondia com seu canto forte firme e sincero... Sim você vai ser feliz!

 Sinto Saudade do tempo da inocência, do tempo do amor que nos aconchegava, da minha mãe, do Bem-te-Vi, dos meus filhos pequenos...  Dos meus trinta e poucos anos!!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Como uma onda no mar





Olhava o mar tão imenso, não sei onde é o começo e nem aonde ele acaba... Estava perdida em pensamentos. Atravesso esse oceano, como se fizesse a travessia da minha vida. Não sei em que ponta  se encontra o inicio, se fica lá perdido, longínquo , aonde já não consigo enxergar ou aqui nesse ponto em que sinto os meus pés molhados, tocados suavemente pelas ondas que chegam mansas me tragando um pouco para dentro, o mar me abraça!  As ondas vão e vem... Quanta história elas trazem. Uma garrafa encosta em meus pés e dentro dela um papel umedecido me chama a atenção. Não pude deixar de ler...

Havia uma mulher que amara um violinista. Conhecera esse amor numa viagem de navio, ficou tão encantada... Sua música, sua beleza, fez tantos poemas, tantos sonhos. Apesar da distância de um enorme mar, havia a melodia das ondas, as estrelas que estavam lá e mais que tudo isso a memória da pele, o calor do coração...  A lembrança do olhar, do sorriso, já nem se importava em viver, a saudade era de dor!

O amor é um sentimento tão único, sentido de maneira particular, cada um sabe seu modo de amar: “O Amor é fogo que arde sem se ver”, o amor é dom de doação, “Chore essa saudade estrangulada”, “Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim”... Abraço o mar, fecho  meus olhos, ouço a música que o vento traz de longe, das histórias das pessoas... Do silêncio das pessoas que ecoam pelo universo... E assim continuo a minha travessia, mesmo que ontem já não exista, caminho para o amanhã, com a sensação que precisou existir um passado para saber o quanto vale a pena viver!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

As luzes de 2013







Uma mesa linda, um banquete,  para a confraternização de uma data tão importante. Todos esperavam os sinos tocar, a meia noite, os fogos explodirem, à meia noite, as taças bridarem, meia noite, nossos corações e seus pedidos secretos na meia noite... Sonhos e tantos desejos, tantas lagrimas... Olho o meu pai, seus 87 anos, feliz Ano Novo! Penso nos pais daquelas crianças assassinadas nos Estados Unidos, feliz Ano Novo! Vejo a barriga da Ana que cresce, feliz Ano Novo! Penso em mim, feliz Ano Novo!

Um ano que nasce assim como tantos, o que há de diferente? As estrelas riem, o céu escuro é o mesmo céu do ano passado, do século passado, de milênios atrás! O homem também ainda é igual.... Alimenta seus sonhos, seus desejos. A família está linda, toda de branco, num ritual de esperança... Sete ondas, lentilhas, semente de romã. Cor amarela para ter dinheiro, cor vermelha para o amor, cor branca para a paz!

Nessa festa de virada me encontro com seu José e Lavinia, tanto tempo não nos encontrávamos... Ideli, faz uns três anos que não nos abraçamos! Elza, nos falamos por telefone, pelo menos isso, já é alguma coisa! Darcy, tenho pensado muito em você e torcido pela sua recuperação!  Ângela, Bel e Graça, amigas tão queridas, espero que esse ano possamos nos encontrar, sinto muita saudade. Amigos, é muito bom ter vocês aqui!

 Como seria delicioso hoje olhar nos olhos de todos os meus amores, lindo amores, amores de toda uma vida... Pais, filhos, irmãos, amigos... Enfim, poder mesmo estar junto nessa enorme vibração e ter a certeza que, ESSE ANO SERÁ O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS! Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Meu Natal de criança






Meus pais contavam para mim e para os meus irmãos a história de Maria e José, eu bem pequena ficava encantada... Claro, era tão bonita, ao mesmo tempo triste e magica. Fazia uma viagem imaginando aquelas cenas, via Maria em cima de um burrinho e José puxando bem devagar, numa estrada cheia de pedras. Estavam viajando pois havia uma ordem, do governador, que todos os habitantes precisavam participar de um recenseamento, só que Maria estava quase dando a luz e faltava muito para chegar na cidade deles. Não tinha hotel, nem pousada, só encontraram uma estrebaria, lugar de guardar animais, e fizeram uma caminha para Maria se deitar. Foi lá que seu filho Jesus nasceu. Não tinha roupas, fizeram para ele um berço de capim e o cobriram com remendos das roupas de Maria e José.

 Era noite, a luz que iluminava era a das estrelas, o silencio pouco a pouco era interrompido pelo barulhinho de um animalzinho, primeiro veio o burrinho, o carneirinho, as vaquinhas, todos postados solenemente diante do pequeno “Rei”, adorando a aquela criança.

 Enquanto ouvia a história podia escutar uma linda música tocada por anjos, dava asas à minha imaginação, tudo era singelo, até aqueles Reis Magos que chegaram com Mira, Ouro e Incenso, presente para o aquela criança tão especial, viajaram guiados pela estrela de Davi. Noite Feliz, noite de Paz! Eu chorava só de imaginar a dor de Maria e José, seu filho, pobrezinho nasceu em Belém, sem abrigo e já predestinado a morrer, perseguido desde pequeno por Herodes acabou condenado... Intrigada perguntava para os meus pais, por que Deus permitiu isso? Meus pais bem que tentaram me explicar, até hoje não sei ainda a resposta para tal “Mistério”.

 Me lembro que quando tinha uns nove anos, assistindo uma reportagem sobre Natal, pela televisão, um menino de rua pediu para o Papai Noel uma bicicleta,  aquele menino jamais iria ganhar uma bicicleta. Nesse mesmo ano, assistindo televisão, vi o Homem chegar na Lua. Perguntei novamente para os meus pais, como podia filhos do mesmo Deus receber presentes tão diferentes?  O menino sonhando com uma bicicleta e um outro viajando pelo espaço numa nave espacial... Não tenho uma resposta ainda, não sei explicar os mistérios da vida!

Vinte e quatro de dezembro de dois mil e doze, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou... Sua manjedoura está lá com sua pequena imagem de Menino Jesus. O coração do homem continua cheio de sonhos, Jesus ainda é o Homem mais conhecido e falado de toda nossa História. Acredito que dentro de nós, ele é a certeza maior do sentido da nossa existência. Menino Jesus, feliz Natal!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dr. Eupídio Paranhos e seu sangue azul!




Bem jovem, Eupídio se sentia muito importante. Vindo de família “quatrocentona”,  guardava com ele, em pleno século vinte um, traços de um mundo velho, um cheiro de naftalina  e, pior, o ranço de uma tal síndrome chamada: “Síndrome do Pequeno Poder”. Não tinha percebido até então que o mundo era outro... Estranho imaginar que tão moço não escutava novas melodias, seu ouvido, treinado, apenas gostava das canções que tinham rimas perfeitas e jamais percebia que toda história tem dois lados, seu universo era resumido, engessado, se concentrava em poder mandar... Mandava no seu pequeno castelo, no seu pequeno reino, no seu pequeno regimento, pois lá ele era importante, era o Máximo era o Dr. Paranhos!

DOUTOR Paranhos, era assim que era chamado pelo seu staff, seu Jacinto, pessoa simpática, cozinhava para a família Paranhos desde sempre. Conheceu Eupídio pequeno, viu o menino se tornar o DOUTOR e tinha por ele um misto de respeito e devoção. Também gostava de se gabar dizendo que sabia preparar os melhores ovos beneditinos do mundo... Mas só fazia para o “seu” menino. Para Jacinto era Deus no Céu e Eupídio na Terra... Só faltava adivinha os desejos de DOUTOR.

 Seu Cintra era o motorista, mais fechado, quase não falava, parecia um criado mudo, mas jamais se esquecia de colocar, assim que Eupídio entrava no carro seu CD preferido, andou me confidenciando que Dr. Paranhos não se cansava de ouvir a nova música do Rei a até sussurrava: “Esse Cara sou Eu!

Dr. Paranhos e seus mandamentos, era cumpridor de todas as regras, não falhava. Encontrei com ele outro dia, tomava café absorto, achei um tanto pálido... Também, acho que não tem tomado sol. Preferi  ficar só observando, pois sabia que se fosse conversar com ele, não teria nenhuma boa nova para me contar e, o pior de tudo, usaria de seu português formal, como se fossemos conhecidos de um tempo passado... Não estava disposta  a escutar assuntos fora de moda, por isso nem me atrevi a  cumprimentá-lo.

Acho que ele se esqueceu que os tempos mudaram e que o sonho, de cada um, é livre e da cor de quem o pinta. Fico triste de imaginar que num mundo tão sem fronteiras tem pessoas que ainda colocam molduras para demarcar espaços, sem dar oportunidades de conhecer o lado belo que os olhos nem sempre alcançam. Dr. Paranhos, a vida é bela!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Páginas da vida





Tão comovida, fiquei escutado esta história real... Mesmo porque conheço a protagonista. Chorei de pensar o quanto não imaginamos os dramas guardados a sete chaves nas almas de cada um de nós, as infinitas dores que enterramos nas entranhas de nós mesmos e dos preços que pagamos por escolhas responsabilizadas pelo nosso “livre arbítrio”!

Faço hoje meu texto com som, o som e a voz de uma mãe como tantas que, por motivos íntimos, próprios, pessoais, amputaram de suas vidas seus próprios filhos. Escutem!

O programa faz parte do blog do meu filho:

sábado, 17 de novembro de 2012

Resposta ao tempo





Um dia a vida te pergunta: O que você fez da sua vida? Me lembro de uma historinha, mais ou menos assim..... Uma mãe e sua família... Todo domingo Doris oferecia um lindo e gostoso almoço para a família, filhos e marido, gostava de agradar a todos. Já era conhecida a sua receita de Peixe, divino, era de dar água na boca, todos adoravam, inclusive ela... Fazia questão de repartir igualmente os pedaços, era mãe zelosa e dedicada e sempre ficava com a cabeça do peixe!

Em um dia das mães, Doris recebeu dos filhos e marido, num lindo embrulho de presente, pasmem, nem ela acreditou... Era uma cabeça de peixe, comprada no sacolão do seu bairro. Que presente mais estranho! Ela perplexa exclamou: “Uma cabeça de Peixe!?”. Os filhos e o marido se entreolharam espantados, parecia que Doris não tinha gostado do presente. Mas que estranho, ela sempre ficava com a cabeça do peixe, parecia que adorava, comia sempre, sempre, sempre... Por que aquela reação?

Essa história me faz refletir um bocado, como nos lidamos com nossas expectativas... Aceitamos a cabeça do peixe ou batalhamos pelo que realmente desejamos? Somos passivos em nossas escolhas, não incomodamos e apenas recebemos o que nos dão. A pergunta que faço é a seguinte: com qual critério o outro vai te dar se, ele escolhe e decide, você se contenta e tudo bem?

Lembro de uma diarista que tive, todas as vezes que ela ia trabalhar em casa eu fazia macarrão, era mais fácil para mim, não ia ter tantas panelas para serem lavadas, prático e rápido, um dia falei para ela: “Nilza você deve estar enjoada de comer macarrão!” e ela respondeu com uma voz  bem humilde: “Eu adoro macarrão”. Foi tão claro para mim que não era verdade e então contei a ela a historia da cabeça do peixe, ela olhou para mim e chorou... Era verdade ela não adorava macarrão, mas era o que eu oferecia e ela  aceitava gostasse ou não.

Na vida talvez seja mais fácil esperar que adivinhem nossos desejos, muitas vezes a frustração é tão grande, mas continuamos assim, esperando que o outro adivinhe e o mais incrível é que o outro também espera a mesma atitude, portanto deixo o meu registro: “Não gosto da cabeça do peixe!”.

Penso que viver é um belo presente recebido e dado com muito critério, a vida te quer Viva e com voz....“Solto a voz nas estradas, já não quero parar!”