domingo, 29 de abril de 2012

O pedaço maior de mim

Outro dia Sheila, minha fisioterapeuta, me fez uma observação, me disse assim, “Acho tão engraçado quando você fala com seus filhos, você se refere a você na terceira pessoa, assim, a mamãe faz para você, a mamãe esta com saudades, a mamãe te ama...” Achando graça e rindo muito ainda concluiu  “Parece o Pelè, ele que se refere a ele dizendo porque o Pelé joga bola, o Pelé esta orgulhoso com esse time... Ele fala dele como se fosse uma outra pessoa e você faz também assim, repara!”

Não é que é verdade, me peguei diversas vezes falando assim, não apenas com os meus filhos, mas principalmente com os meus netos.

­_Vovó você brinca comigo?
_A vovó brinca com você, meu amor!
_Vovó faz agora meu mama?
_A vovó vai fazer seu mama...
_Vovó, você comprou bala?
_A vovó comprou bala
­_ Vovó me conta uma historinha?
_A vovó conta!

Mãe, vovó... Como é divino e majestoso estas duas palavras! Não são verdadeiras palavras.  São mantras, orações! Cala tão fundo na alma, como uma melodia, um som único como uma digital, ecoa dentro como sinal , uma senha, só sua.

 Eu não digo desse prazer com exclusividade de quem gera no ventre um filho, digo amplamente desse sentimento de tantas outras mulheres que geram pelo coração... Ambos são escolhas, escolhas que se formam de uma liberdade... Liberdade própria do Amor!

O amor não tem limites, não tem preconceitos, ele é feito sem receita, ele é entendido pelo olhar. Por isso respondo para a Sheila, toda as vezes que falo “a mamãe” ou “a vovó”, falando de mim mesma, é mesmo da Mamãe ou mesmo da Vovó, pois nesse momento de troca não é a Clotilde que diz e sim meu coração, um coração de mãe repleto de amor!

Quando escuto mamãe ou vovó, vou usar uma metáfora, é como se jogasse uma pedrinha numa lagoa... Não formam ondinhas? Então, acho que é assim, quando escuto mamãe ou vovó é a mesma sensação, ondas numa mesma sintonia, ou mesmo um violino que só transmite sua melodia quando tocado pelo arco, a única diferença é que todo esse sentimento passa por uma transfusão ou uma simbiose que vem das entranhas,  é invisível e ao mesmo tempo real.

A mamãe – a vovó – acha que essa foi a maior missão e a maior recompensa de sua vida! Um beijo para Carol, Cacau, Ia, Lu, Pedro, Enzo, Enrico e quem mais vier!


sábado, 21 de abril de 2012

A sogra


Martha Regina me conta toda arrepiada: “Cruz credo, essa mulher tem parte com o... (mehor nem dizer o nome)”! Segunda ela, para a sogra só falta o tridente, pois os chifres ela já tem... Nem o marido a aguenta! Dona Salomé é insuportável, a última vez que ela foi na casa de Martha Regina - detalhe: a nora não estava - ela mudou toda a decoração da casa, foi além, pegou um enfeite que Martha Regina adorava e deu para Dulce, a diarista... Simplesmente deu, sem perguntar nada para a dona da casa! Martha Regina sempre tentou ser uma nora bacana, mas foi em vão!!!

Ela jamais esqueceu o dia que Dona Salomé falava com seu marido, o filho Antonio, um papo longo pelo telefone, Martha Regina estava bem perto de Antonio e se engasgou com um pedaço de pão, começou a ter um acesso de tosse, Dona Salomé não teve dúvida e perguntou ao filho: “Você tá com cachorro agora Toninho? O Que são esses latidos?” Hahaha
Dona Salomé sabe que a nora odeia canja, mas toda a vez que convida o filho e Martha Regina para jantar diz assim: “Fiz uma sopinha deliciosa para você tomar... Sabe, né Marthinha, canja de galinha não faz mal a ninguém!”

Pior foi o dia em que Martha Regina não foi convidada a se sentar à mesa... Foi num dia de jantar formal... A sogra disse simplesmente assim: “Hoje vamos receber, eu e meu marido, Inácio, amigo antigo da família, sua mulher Augusta e suas filhas Denise e Doroteia, portanto não há espaço na mesa... Ah, vai sobrar um pra você meu filho... Nossa, a mesa ficará lotada!” Após tanta preocupação, colocou Martha Regina num lugar solitário na mesa da cozinha, junto com o motorista. O pior, para mim, foi o Antonio ter aceitado numa boa...  

Sem contar a total indiferença... Quando ela e seu marido Antonio vão fazer uma visita para a sogra, a mãe só conversa com o filho, Martha Regina se sente invisível, é um tal de Antonio daqui, Antonio dali... Dona Salomé não a inclui na conversa! Martha Regina diz que Antonio não percebe essas pequenas maldades, acha que a esposa exagera. 

Martha Regina não sabe mais o que fazer, já tentou de tudo, mas segundo ela, “É mais fácil domar uma égua xucra do que a “vaca” da sogra”. Só você, amiga! Ela já pensou até em mudar de cidade, de Estado, talvez de País... Tudo pra se livrar desse “encosto”.

“O que você acha ?”, pergunta aflita para mim... Poxa Martha Regina que situação! Não imaginava que ainda existisse sogra assim, lamento... Pensei em perguntar para meus amigos do RG 9000... E fica a pergunta, como ajudar minha amiga Martha Regina? Vale qualquer ideia, só não pode Martha Regina devolver o marido! E olha que ela também já pensou nisso. 

sábado, 14 de abril de 2012

Dentro de um livro

“No infinito do meu ser, eu sempre soube que já te conhecia.
Não sei se você foi meu irmão, meu amado, ou meu algoz...
Mas sei, que eu já te conhecia!
Nos seus olhos de hoje vejo historias de outrora,
No meu coração!... você sempre esteve!
Almas gêmeas? 
O que seria, amor ou bruxaria?
Sonho, encantamento, não sei, só sei que eu já te conhecia!
São Paulo, 18  de outubro de 1983."

Encontrei esse poema dentro de um livro, me comovi. Lá estava ele perdido entre suas paginas já amareladas... Há quanto tempo esquecido, quem escreveu? Imaginei uma historia de amor, linda, plena! Quem teria sentido tal sentimento... Amado assim?

Algumas palavras estavam borradas, seriam de lagrimas? Como foi  para esse alguém olhar o outro e se enxergar nele? Ter a sensação de conhecê-lo de outras Eras... Outos tempos! Ter a coragem de sonhar esse sonho... Ter a sua alma tatuada, marcada, recordar, se reencontrar e novamente se apaixonar!

São tantos os mistérios dessa vida, que às vezes penso: será a vida uma grande brincadeira, um filme? Uma noite de sonho eterno?


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Jukebox

Outro dia fui num lugar inspirador, chama Zé do Hambúrguer, é uma lanchonete, um lugar que me fez voltar no tempo. É assim, um espaço que nos faz recordar os  anos 50, tem uma lambreta na entrada, é coberto de pôster do Elvis e outros roqueiros de nome, pôsteres da coca-cola com a cara da época, imagens de Marly Moore nas paredes, placas de carro antigas, filmes da época em uma TV e... Adivinhem o que... Uma Jukebox!  

Fiz uma deliciosa volta ao passado, lembrei de um filme que assisti e adorei na época, se chama “Peggy Sul - seu passado te espera”, é a historia de uma mulher que se depara numa festa, ou melhor num baile de encontros com amigos de mais de trinta anos. Cada um com suas historias de vida, histórias diferentes... Com rumos que a vida se incumbiu de fazer. A personagem fica tão emocionada que desmaia e nessa sua inconsciência volta para a adolescência - é muito bonito - e se encontra com seus avós, seus pais, seus amigos de escola, seu namorado, seu maior amor, e faz então uma reflexão de tudo que viveu. Ela aproveita o momento para mudar algumas coisas... Vive outros sentimentos, resgata amizades perdidas - tudo nesse seu sonho profundo... Chorei muito! Por que nos distanciamos das nossas historias? Por que perdemos pessoas queridas? Por que a vida segue seu destino e nunca mais podemos voltar para traz?

Ficam os aromas, os perfumes, tudo de um jeito abstrato, lembro do céu azul e do sol ardente, sei, de olhos fechados, percorrer os trajetos dessa delicada lembrança... Da minha calça LEE, de cintura alta, das bocas de sino e dos tamancos de plataformas bem altos, das casas da minha rua, dos filmes que assistia domingo, as noites dos bailes, das festas juninas... Sinto saudade de mim mesma, saudades dos sucessos da época da Difusora, radio Am, dos seriados: “A feiticeira”, “Jiny é um gênio”. Das novelas: “Super Plá”, “Selva de Pedra”... Era gostoso passear na Rua Augusta, era proibido falar de politica... Me lembro da minha calça newman, das minhas batas indianas e dos tamanquinhos Dr. Sholl. Eramos formadores de muitas opiniões, éramos os donos do mundo... Acho que não havia relógio, pois não havia pressa, havia apenas a vontade de ser feliz!

Angela, Osni, Suzana, Lucia Helena, Tania, Silvinho, Poti, Paraguaçu, Potira, Olivia, Carlos, Juam, Cindy, Lenine, Bebel, Maggi, Mané, Birinha, Bebeto, Valeria, Glaucia, Alexandre, Dona Inez, Dona Marina, Seu Nelson, Seu Eduardo, Seu Silvio, Ricardo Tovar, Dora, Iará e tantos outros, a minha eterna saudade! Para vocês, arrumei uma moedinha e abaixo tem uma música muito especial. Beijos.




domingo, 1 de abril de 2012

Vou voltar na primavera

Vou voltar na Primavera, era tudo que eu queria...  Levo a alegria, minha força de Scarlet Horara, minha musa inspiradora do filme: “E o vento levou”. Muitas vezes foi esse exemplo de superação que me fez seguir em frente. Ela com um machado na mão, dizendo nunca mais sentirei fome, sentirei frio... pronta para recomeçar depois de um longo e tenebroso inverno, arregaçou as mangas do seu vestido de festa e foi à luta. Era então uma mulher cheia de coragem e certeza para reconstrução de seu mundo novo.
Vou fazer o mesmo, me sinto hoje uma ave Fênix, pronta para renascer das cinzas e voar por esse espaço sem fronteiras, conhecer lugares novos e quem sabe acrescentar saborosas experiências para minha nova vida.
Vou voltar na Primavera, sigo a aventura de Dom Quixote, acredito nos sonhos impossíveis e levo na minha bagagem uma mala vazia, pois quando voltar quero trazer um pouco de tudo que descobri e conheci.
Primeiro vou à China, me fascina seu mundo antigo, sua historia, sua arquitetura, depois sigo para a Grécia, não sei por que, mas tenho a sensação de já ter estado lá, visto o seu mar azul e sua musica, sua dança que tanto adoro, depois sigo para Israel quero visitar esse lugar de tantas histórias, quero sentir seu universo, acho que lá deve ser o lugar mais azul do planeta, quero conhecer as Sinagogas Sagradas, conhecer Jerusalém e comungar numa igreja Católica para poder sentir mais perto a presença de Maria.
 Sei que vou chorar, me sentirei acolhida, acolhida por uma Mãe generosa e humana, afinal Maria foi de carne e osso!  Finalmente sigo para os Estados Unidos, para conhecer a Califórnia e seus mares, suas ondas, conhecer cidades sem muros e com jardins floridos e bem cuidados. Visitarei a Disney, claro, quero viver seu mundo mágico, da Cinderela, Branca de Neve, a Bela e a Fera, Peter Pan..... Virarei uma criança de tanta felicidade!
Vou voltar na Primavera, mais bonita quem sabe? Cabelos compridos... Serei a mesma... Quantas novas histórias terei para contar? 
Sentirei saudades, muitas saudades! Dos meus amigos de hoje, amigos de ontem, de todos os amigos queridos... Dos meus filhos, da Nina, meus netos que eu amo, enfim, navegar é preciso!!!
Mas esse não é o meu último texto, afinal hoje é dia primeiro de abril de 2012 e meu nariz cresceu um bocado!!!! Acho que de tanto sonhar, virei o Pinóquio. Muitas risadas e muitos beijos!


domingo, 25 de março de 2012

Meus pensamentos voam


Quantas vezes olho para o nada e vejo quanto mistério existe. Imagino um poço sem água, vazio, e tantas pessoas morrendo de sede e tanto silencio. Mas mesmo assim escuto o universo agitado implorando por um abraço. Esbarramos em pessoas, mas são invisíveis, não olhamos e não sorrimos!
Ando por uma rua antiga e penso nos séculos da sua idade, penso nos meus ancestrais, escuto o barulho do salto do sapato de alguém que já passou por lá, um homem ou uma mulher. Mas muitos já estiveram indo e vindo com um jornal na mão ou um saco de pão... Ou talvez apenas acompanhado pela sua própria juventude.
As árvores centenárias são molduras, permanecem. A pintura envelhecida, quase em branco e preto, desbotada, lembra a historia de muitos... O homem morre, o dia amanhasse a noite acontece. A lua presa na escuridão transborda seu silencio, o mar traz suas ondas sem pressa na sua cantiga soberana e milenar.
Fecho meus olhos, gostaria de poder voar, gostaria de ser uma gaivota na imensidão do tempo. O tempo não fala comigo, viajo só, sem companhia... Quantos anos tem uma alma?
Sinto o amparo de mim mesma, a minha sombra, feito um cão fiel que não me pergunta nada, divide esse momento, tão só como eu, transcende tanto como eu, nos meus pensamentos secretos... Ela e eu somos uma só!


sábado, 17 de março de 2012

Na calada da noite

Acordei com os gritos desesperados de uma mulher, era madrugada no final da semana passada. Olhei pela janela, a rua deserta e escura, dois carros de policia e uma ambulância e a voz alta de uma mulher aflita que gritava: “Socorro, me soltem não me machuquem, quero meu filho, por favor me ajudem!” Fiquei indignada, apavorada, com o coração pequeno... Seria uma injustiça? O que estaria acontecendo?

Era desproporcional, aquela mulher só, policiais armados e enfermeiros! O mundo dorme na calada da noite e as suposições povoando nosso imaginário... O que aconteceu com aquela moça? No dia seguinte, fui conversar com o porteiro do prédio, fiquei sabendo o nome dela, Marcia. Ela estava sendo conduzida a uma casa de repouso, ultrajada, exposta e principalmente só.

Conheci sua melhor amiga e ela me contou a historia de Marcia, historia igual a de tantãs mulheres, Marcia não se submeteu aos padrões e convenções e foi por um outro caminho... Caminho torto segundo seus “familiares”. Ela queria ser livre... Mas por que deveria ser livre? Algemada e fora de combate partiu. Imagino que foi sedada, seus gritos inoportunos quem quer escutar?

Marcia deixou uma carta para sua amiga e eu a li:

“Eleonora, acho provável que você nem leia essa carta, mas contudo existe alguma esperança no meu coração.

Percebi que ainda existe um governo ditatorial em minha própria família e se você não obedece seu Rei você é posta no calabouço humilhada degredada.

Até então tinha uma noção diferente da vida, achava que pessoas do mesmo sangue lutavam por igualdade e que generosidade e respeito fossem sentimentos possíveis, “Existentes”, “Naturais”.

Achava que o problema de um membro era visto com compaixão. Quem não sonha com um colo de mãe? Eu acreditava!

E de repente você descobre que o justo não é mais justo, a porta se se fecha na sua cara e mesmo que você grite... Gritar para que? É mais fácil tirar sua voz e te jogarem no lugar de “leprosos”, numa ilha deserta a parte do mundo “NORMAL”.

O que é ser correto ? Ser correto é ser obediente? Não ousar? É na verdade só uns podem, alguns podem tudo! Os que sentam a mesa do Governante é que tem o aval para tudo... Tem tanto poder, o mesmo olhar, a mesma força bruta. Os outros são crianças, crianças que precisam ser caladas e controladas, manipuladas e esvaziadas.

O primeiro mandamento de seres assim é o preconceito, quem não é igual, que vire comida de tigres, na mesma Arena de um tempo passado e ignorante, onde ainda não se falava de Cristo.”

Depois que li a carta de Marcia chorei, chorei por todas as “Marcias” e também por mim. Vivemos num mundo de aparências, um mundo surdo, cego e mudo, vazio de Amor pelo outro.