domingo, 25 de março de 2012

Meus pensamentos voam


Quantas vezes olho para o nada e vejo quanto mistério existe. Imagino um poço sem água, vazio, e tantas pessoas morrendo de sede e tanto silencio. Mas mesmo assim escuto o universo agitado implorando por um abraço. Esbarramos em pessoas, mas são invisíveis, não olhamos e não sorrimos!
Ando por uma rua antiga e penso nos séculos da sua idade, penso nos meus ancestrais, escuto o barulho do salto do sapato de alguém que já passou por lá, um homem ou uma mulher. Mas muitos já estiveram indo e vindo com um jornal na mão ou um saco de pão... Ou talvez apenas acompanhado pela sua própria juventude.
As árvores centenárias são molduras, permanecem. A pintura envelhecida, quase em branco e preto, desbotada, lembra a historia de muitos... O homem morre, o dia amanhasse a noite acontece. A lua presa na escuridão transborda seu silencio, o mar traz suas ondas sem pressa na sua cantiga soberana e milenar.
Fecho meus olhos, gostaria de poder voar, gostaria de ser uma gaivota na imensidão do tempo. O tempo não fala comigo, viajo só, sem companhia... Quantos anos tem uma alma?
Sinto o amparo de mim mesma, a minha sombra, feito um cão fiel que não me pergunta nada, divide esse momento, tão só como eu, transcende tanto como eu, nos meus pensamentos secretos... Ela e eu somos uma só!


sábado, 17 de março de 2012

Na calada da noite

Acordei com os gritos desesperados de uma mulher, era madrugada no final da semana passada. Olhei pela janela, a rua deserta e escura, dois carros de policia e uma ambulância e a voz alta de uma mulher aflita que gritava: “Socorro, me soltem não me machuquem, quero meu filho, por favor me ajudem!” Fiquei indignada, apavorada, com o coração pequeno... Seria uma injustiça? O que estaria acontecendo?

Era desproporcional, aquela mulher só, policiais armados e enfermeiros! O mundo dorme na calada da noite e as suposições povoando nosso imaginário... O que aconteceu com aquela moça? No dia seguinte, fui conversar com o porteiro do prédio, fiquei sabendo o nome dela, Marcia. Ela estava sendo conduzida a uma casa de repouso, ultrajada, exposta e principalmente só.

Conheci sua melhor amiga e ela me contou a historia de Marcia, historia igual a de tantãs mulheres, Marcia não se submeteu aos padrões e convenções e foi por um outro caminho... Caminho torto segundo seus “familiares”. Ela queria ser livre... Mas por que deveria ser livre? Algemada e fora de combate partiu. Imagino que foi sedada, seus gritos inoportunos quem quer escutar?

Marcia deixou uma carta para sua amiga e eu a li:

“Eleonora, acho provável que você nem leia essa carta, mas contudo existe alguma esperança no meu coração.

Percebi que ainda existe um governo ditatorial em minha própria família e se você não obedece seu Rei você é posta no calabouço humilhada degredada.

Até então tinha uma noção diferente da vida, achava que pessoas do mesmo sangue lutavam por igualdade e que generosidade e respeito fossem sentimentos possíveis, “Existentes”, “Naturais”.

Achava que o problema de um membro era visto com compaixão. Quem não sonha com um colo de mãe? Eu acreditava!

E de repente você descobre que o justo não é mais justo, a porta se se fecha na sua cara e mesmo que você grite... Gritar para que? É mais fácil tirar sua voz e te jogarem no lugar de “leprosos”, numa ilha deserta a parte do mundo “NORMAL”.

O que é ser correto ? Ser correto é ser obediente? Não ousar? É na verdade só uns podem, alguns podem tudo! Os que sentam a mesa do Governante é que tem o aval para tudo... Tem tanto poder, o mesmo olhar, a mesma força bruta. Os outros são crianças, crianças que precisam ser caladas e controladas, manipuladas e esvaziadas.

O primeiro mandamento de seres assim é o preconceito, quem não é igual, que vire comida de tigres, na mesma Arena de um tempo passado e ignorante, onde ainda não se falava de Cristo.”

Depois que li a carta de Marcia chorei, chorei por todas as “Marcias” e também por mim. Vivemos num mundo de aparências, um mundo surdo, cego e mudo, vazio de Amor pelo outro.



sábado, 10 de março de 2012

Como foi bacana te encontrar “Emillia”.

Sexta-feira, 9 de março de 20012

                Uma noite de lua cheia – céu maravilhoso – fomos passear. O Lu e eu descemos a rua de casa a pé. A uma quadra e meia paramos, chegamos no Emillia Restaurante. Uma casa de bairro, um convite para entrarmos, parecia a casa de uma tia... Entramos. Que acolhida, era mesmo como a casa de um parente, muito aconchegante.

                Emillia se sentou conosco e contou sobre a ideia de como surgiu aquele maravilhoso centro gastronômico. Percebi todo o capricho, os detalhes. Lá você se sente muito bem-vindo, desde os meninos garçons, o cheff Caio Tuma – filho da Emillia – tudo nota 10!

                A comida é pra lá de especial, tipo quando a gente vai fazer um jantar especial para aquela pessoa e você intensifica seus cuidados para nada sair errado... A mesa, a flor, o tom da luz, a música... Até o café descafeinado – para não tirar o sono.

                É simples e sofisticado, não é um lugar comum. O “Emillia” está participando do “Retaurant Week”, um evento organizado pela “Master Card”... Chique de mais! Os bons restaurantes de São Paulo oferecem entrada, prato principal e sobremesa por um preço mais acessível. O almoço sai por R$ 31,90 e o jantar R$ 43,90, mais o preço das bebidas e o que for consumido a mais.

                Nesta temporada do evento, como sempre, o cardápio do Emillia Restaurante, dá água na boca só de ler...  Risoto de Salmão com Maracujá, Pescada com farofa de camarão, Risoto de calabresa com manjericão, Gnochi ao ragu de carne, entre outras opções de prato principal. As entradas também são tentadoras, escolhi a Brusqueta de tomate e manjericão.

                Na hora da sobremesa tive de babar, fiz uma promessa que ficarei um ano sem comer doce. Tive de me contentar vendo meu filho comer uma bela panacota de mel, que segundo ele estava sensacional. É um pudim de leite bem leve com calda de frutas vermelhas... Que tortura!

                O Alê é um dos garçons, muito especial seu carinho conosco. Se vamos voltar... Claro! Já voltamos e fomos recebidos de braços abertos... Muito bom ser tratado com esse cuidado.

                Como disse, fomos a pé e voltamos do mesmo jeito, acho que foi providencial, comemos tanto, que foi preciso uma caminhada para fazer a digestão.

                Emillia, uma mulher de RG como o meu e que está em pleno vigor de sua vida... Planos e sonhos... Emillia nota 1.000.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Maria e seus sete véus

Quem disse que as mulheres não acalentam suas intimas fantasias? Maria se abriu comigo e confesso que seus olhos brilharam, tamanho eram seus desejos ao fazer a seguinte revelação....

"Uma mulher, para ser feliz, precisa ter sete homens. O primeiro, um homem marido, que seja um porto seguro, pai dos filhos e provedor da casa; Segundo, o homem amante, aquele que paparica, que te faz ser exclusiva, te encontra a cada 15 dias e, sempre disponível, te envolva com sonhos; terceiro, o homem amigo, aquele que te oferece o ombro, chora com você - nem liga para a sua TPM – e é solidário as suas inseguranças e crises existenciais; quarto, um homen gay, aquele que te olha e jura que você esta supervitaminada, gostosa e repara no seu corte de cabelo, maquiagem, no seu novo vestido e principalmente te dá o endereço de um shopping de luxo com novidades da Dolce Gabbana; quinto, um homem dançarino, adora dançar, que apenas te coloca nos braços e te leva nos seus passos e compassos, silencioso e cheio de ritmo não reclama nem dos seus pisoes de pé, dança  tango, bolero e cai com você numa gafieira; sexto homem, o companheiro, aquele que fica no sofá massageando seus pés, beijando seu rosto, desenrolando seus cabelos, que faz você até dormir, não canta, mas usa seus poderes de encantador; o sétimo homem, um garanhão - para tirar o seu fôlego -  avassalador, de fazer a terra virar céu, e te invade de tanto amor...”
Quando pensei que Maria já tinha terminado com seus livres desejos, continuou... “Acho que deveria existir um oitavo!” Perguntei: "Mas o que está faltando?" E ela, com seus olhinhos claros e límpidos e um sorriso bem típico de nós mulheres, me diz: “Um homem adivinho, que descubra sempre os nossos desejos”.

Maria divertida, arteira, criativa, sábia, corajosa, intensa e acima de tudo verdadeira... Uma mulher de sete véus.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Do, ré, mi, fá, sol, lá, si... Compondo palavras

É comum escutar palavras que sentimos prazer de repetir, palavras que são notas musicais, delicadas e possuem um som agradável. Certas palavras definem de maneira perfeita, quando usadas na hora certa são mais perfeitas ainda.
Por outro lado existem palavras que nos agridem bem mais que um tapa, um soco. Têm efeito de metralhadora ou de canhão,palavras que simplesmente são horripilantes.  Exemplos: não gosto da palavra enfiar, catar, enfezado e outra que não me cai bem é a palavra evacuar. “Evacuem o recinto!”, “Evacuem o prédio!”.
Outra que não me soa bem é a palavra ejaculatória, que é muito usada nas missas.... Parece estranho, mas todas as vezes que as escuto, de alguma forma, me incomoda... Não gosto! Também não gosto, prefiro não ter na minha agenda, e prefiro deletar da cabeça – E não me fazem falta alguma – as palavras ódio, vingança, rancor, egoísmo, guerra, nojo, morte, impiedade, rejeição, racismo, etc...etc!
Lembro que quando mocinha fiquei encantada com a palavra sofisma, procurava fazer frases que pudesse usá-la de tão linda que eu achava, mas a primeira palavra que de fato me fascinava foi a palavra Mãe. Depois outras me conquistaram...Vida, nascimento, amor, beijo, carinho, caridade, acolhimento, saudade, afeto, abraço, alma, existência, criança, ventre, liberdade, livre, pai, irmão filho, avó, anjo, nostalgia, calor, amigo, amizade, olhar, cumplicidade, céu , mar, eternidade, estrada, caminho paz canção... Como gosto de palavras que têm essa força!
Mesmo em pleno ano de 2012, século 21, tecnologia top de linha, algo ainda continua igual, vivemos numa torre de Babel, a nossa comunicação ainda é bem complicada. Mas tenho certeza que a singeleza de algumas palavras –juntas - tocam o nosso cérebro e nosso coração. Nos transformando e amenizando as nossas vidas, nossas escolhas, nossos sonhos e nos enchendo de esperança e fé... Vitorias. Dizer muito obrigada, seja feliz, sonha comigo, eu sonho com você, reza para mim, rezo por você, te amo, confio em você, acredito em você, seu sorriso é a luz da minha vida, seu abraço me dá foça, seu olhar me dá coragem... Somos pares e mais pares, se não fossemos onde estariam as palavras? Como escuta-las?


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Como conheci o Zeca

Um belo dia estava assistindo uma missa e encontrei com amigos novos, amigos recentes e que rapidamente ficaram amigos para sempre... Coisas de alma, sabe? Idely, Cristiano e um dos filhos do casal, o José Francisco... Foi a primeira vez que me dei conta de quanto era importante o meu acolhimento, meu sorriso para um portador da síndrome de Down, o Zeca.

Descobri algo que nunca tinha sentido um amor enorme, não foi o meu sorriso e nem o meu acolhimento e sim o sorriso e o acolhimento do Zeca... Ele ficou sendo meu querido e amigo Zequinha. A partir daí enxerguei com outros olhos pessoas especiais e descobri o verdadeiro sentido de serem especiais... Estão aqui para nos ensinar muitas coisas.

O Zeca já me fez chorar muitas vezes, mas vou contar de um momento inesquecível para mim, foi quando fui vê-lo atuando numa peça de teatro, todos os artistas eram pessoas com Down... Fantástico, emocionante o trabalho de superação comandado por Deto Montenegro, no espaço chamado Oficina dos Menestreis. Na peça eles nos mostram a capacidade, espontaneidade, sensibilidade do grupo de meninos e meninas, tem momentos de risos e momentos tocantes.

O Zeca é extremamente comunicativo, trabalha, atua, canta em um coral, sabe organizar roteiros de festa. Uma vez fui convidada por ele para "apresentar" sua festa de aniversário, pois ele iria dar um show... Cantaria músicas e dançaria. Aceitei o convite e, para meu grande espanto, ele tinha separado um traje de gala para eu vestir, me deixou num lugar reservado para que eu usasse como camarim, me entregou um roteiro para que eu seguisse e todo preocupado me dizia para que eu não saísse da "coxia". Foi mesmo um show! Tudo saiu como ele queria, apresentei o artista que, de tão talentoso, recebeu muitos aplausos. Sua festa foi deliciosa!

É assim o Zeca, meu amigo do Face, amigo querido... Vejo nele um sol, cheio de brilho e pureza... Amigo para sempre! Zequinha, tenha uma boa semana!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Batizado da Isa

Fui convidada para ser madrinha de batismo da primeira filha do meu irmão Marcelo, a Isinha. Com muita honra e orgulho, aceitei na hora. Fui então fazer um curso para me preparar para tal evento e fui recepcionada por uma equipe muito acolhedora, na Igreja do Calvário. Tinham várias pessoas e inclusive alguns nenês, pois o curso é para os pais e padrinhos.
Foi nos dada uma palestra para sabermos o que significa o batizado, depois fomos divididos em grupos para lermos sobre o batismo de João Batista, batismo de água, em que pela primeira vez estando Jesus lá para receber tal batismo o céu se abriu e uma voz falou: “Esse é o meu filho.”. Dai por diante a importância da comunhão da água e do sinal invisível, dando ao ser humano sua condição de filho de Deus.
Tenho vários questionamentos sobre ser filho de Deus. Penso que todos nós somos filhos de Deus, batizados ou não... Como ficam os índios e aqueles que por opção não foram batizados? E as criancinhas que morrem imediatamente aos seus nascimentos?
É muito bonito todo o ritual do batismo, é o momento que se é apresentado à comunidade... Um momento de muita emoção. Quando batizamos nossa terceira filha, Ana Maria, ela teve o privilegio de ser batizada por um bispo, era um motivo a mais para a solenidade ser mais tocante. Lá estávamos com nossas famílias, os padrinhos escolhidos e amigos. Normalmente se acompanha o batismo com um folheto que vai nos conduzindo durante a missa... Tem todos os ritos. Me lembro que algo, inesquecível, foi quando o Bispo perguntou: “O que vocês desejam para a Ana Maria?” e eu imediatamente falei: “Que ela seja muito feliz!”, veio de dentro de mim, da minha alma, pois com certeza era o que eu mais desejava para minha filha... O Bispo me olhou de uma maneira um tanto critica, dei a resposta errada. Deveria ter dito: “O Batismo”!
Fico pensando... Quando falei que queria que ela fosse muito feliz estava dizendo que queria o batismo... Foi tão sincero e verdadeiro, não li no ritual do folheto, falei com o meu coração. Acho que todos nós queremos que os nossos filhos sejam protegidos e super amados por Deus e imagino o quanto Deus é livre para recebê-los e acolhê-los independente de qualquer palavra. Deus provavelmente enxerga mais o nosso interior e não se prende a tantas formalidades.
Para nós, pais, o batismo é sem duvida um momento muito importante, é como se Deus  olhasse para o nosso filho e também dissesse: “Esse é meu filho amado”, como fez com Jesus. Para nós, escolhidos como padrinhos, me vem a ideia da sensação de João Batista... A honra e a gloria de tal momento e para o batizado, criança, ou adulto, um pleno momento espiritual, onde sentimos visível ou invisível o céu bem perto de nós. Isinha, que você seja feliz!