“No infinito do meu ser, eu sempre soube que já te conhecia.
Não sei se você foi meu irmão, meu amado, ou meu algoz...
Mas sei, que eu já te conhecia!
Nos seus olhos de hoje vejo historias de outrora,
No meu coração!... você sempre esteve!
Almas gêmeas?
O que seria, amor ou bruxaria?
Sonho, encantamento, não sei, só sei que eu já te conhecia!
São Paulo, 18 de outubro de 1983."
Encontrei esse poema dentro de um livro, me comovi. Lá estava ele perdido entre suas paginas já amareladas... Há quanto tempo esquecido, quem escreveu? Imaginei uma historia de amor, linda, plena! Quem teria sentido tal sentimento... Amado assim?
Algumas palavras estavam borradas, seriam de lagrimas? Como foi para esse alguém olhar o outro e se enxergar nele? Ter a sensação de conhecê-lo de outras Eras... Outos tempos! Ter a coragem de sonhar esse sonho... Ter a sua alma tatuada, marcada, recordar, se reencontrar e novamente se apaixonar!
São tantos os mistérios dessa vida, que às vezes penso: será a vida uma grande brincadeira, um filme? Uma noite de sonho eterno?
Outro dia fui num lugar inspirador, chama Zé do Hambúrguer, é uma lanchonete, um lugar que me fez voltar no tempo. É assim, um espaço que nos faz recordar os anos 50, tem uma lambreta na entrada, é coberto de pôster do Elvis e outros roqueiros de nome, pôsteres da coca-cola com a cara da época, imagens de Marly Moore nas paredes, placas de carro antigas, filmes da época em uma TV e... Adivinhem o que... Uma Jukebox!
Fiz uma deliciosa volta ao passado, lembrei de um filme que assisti e adorei na época, se chama “Peggy Sul - seu passado te espera”, é a historia de uma mulher que se depara numa festa, ou melhor num baile de encontros com amigos de mais de trinta anos. Cada um com suas historias de vida, histórias diferentes... Com rumos que a vida se incumbiu de fazer. A personagem fica tão emocionada que desmaia e nessa sua inconsciência volta para a adolescência - é muito bonito - e se encontra com seus avós, seus pais, seus amigos de escola, seu namorado, seu maior amor, e faz então uma reflexão de tudo que viveu. Ela aproveita o momento para mudar algumas coisas... Vive outros sentimentos, resgata amizades perdidas - tudo nesse seu sonho profundo... Chorei muito! Por que nos distanciamos das nossas historias? Por que perdemos pessoas queridas? Por que a vida segue seu destino e nunca mais podemos voltar para traz?
Ficam os aromas, os perfumes, tudo de um jeito abstrato, lembro do céu azul e do sol ardente, sei, de olhos fechados, percorrer os trajetos dessa delicada lembrança... Da minha calça LEE, de cintura alta, das bocas de sino e dos tamancos de plataformas bem altos, das casas da minha rua, dos filmes que assistia domingo, as noites dos bailes, das festas juninas... Sinto saudade de mim mesma, saudades dos sucessos da época da Difusora, radio Am, dos seriados: “A feiticeira”, “Jiny é um gênio”. Das novelas: “Super Plá”, “Selva de Pedra”... Era gostoso passear na Rua Augusta, era proibido falar de politica... Me lembro da minha calça newman, das minhas batas indianas e dos tamanquinhos Dr. Sholl. Eramos formadores de muitas opiniões, éramos os donos do mundo... Acho que não havia relógio, pois não havia pressa, havia apenas a vontade de ser feliz!
Angela, Osni, Suzana, Lucia Helena, Tania, Silvinho, Poti, Paraguaçu, Potira, Olivia, Carlos, Juam, Cindy, Lenine, Bebel, Maggi, Mané, Birinha, Bebeto, Valeria, Glaucia, Alexandre, Dona Inez, Dona Marina, Seu Nelson, Seu Eduardo, Seu Silvio, Ricardo Tovar, Dora, Iará e tantos outros, a minha eterna saudade! Para vocês, arrumei uma moedinha e abaixo tem uma música muito especial. Beijos.
Vou voltar na Primavera, era tudo que eu queria...Levo a alegria, minha força de Scarlet Horara, minha musa inspiradora do filme: “E o vento levou”. Muitas vezes foi esse exemplo de superação que me fez seguir em frente. Ela com um machado na mão, dizendo nunca mais sentirei fome, sentirei frio... pronta para recomeçar depois de um longo e tenebroso inverno, arregaçou as mangas do seu vestido de festa e foi à luta. Era então uma mulher cheia de coragem e certeza para reconstrução de seu mundo novo.
Vou fazer o mesmo, me sinto hoje uma ave Fênix, pronta para renascer das cinzas e voar por esse espaço sem fronteiras, conhecer lugares novos e quem sabe acrescentar saborosas experiências para minha nova vida.
Vou voltar na Primavera, sigo a aventura de Dom Quixote, acredito nos sonhos impossíveis e levo na minha bagagem uma mala vazia, pois quando voltar quero trazer um pouco de tudo que descobri e conheci.
Primeiro vou à China, me fascina seu mundo antigo, sua historia, sua arquitetura, depois sigo para a Grécia, não sei por que, mas tenho a sensação de já ter estado lá, visto o seu mar azul e sua musica, sua dança que tanto adoro, depois sigo para Israel quero visitar esse lugar de tantas histórias, quero sentir seu universo, acho que lá deve ser o lugar mais azul do planeta, quero conhecer as Sinagogas Sagradas, conhecer Jerusalém e comungar numa igreja Católica para poder sentir mais perto a presença de Maria.
Sei que vou chorar, me sentirei acolhida, acolhida por uma Mãe generosa e humana, afinal Maria foi de carne e osso!Finalmente sigo para os Estados Unidos, para conhecer a Califórnia e seus mares, suas ondas, conhecer cidades sem muros e com jardins floridos e bem cuidados. Visitarei a Disney, claro, quero viver seu mundo mágico, da Cinderela, Branca de Neve, a Bela e a Fera, Peter Pan..... Virarei uma criança de tanta felicidade!
Vou voltar na Primavera, mais bonita quem sabe? Cabelos compridos... Serei a mesma... Quantas novas histórias terei para contar?
Sentirei saudades, muitas saudades! Dos meus amigos de hoje, amigos de ontem, de todos os amigos queridos... Dos meus filhos, da Nina, meus netos que eu amo, enfim, navegar é preciso!!!
Mas esse não é o meu último texto, afinal hoje é dia primeiro de abril de 2012 e meu nariz cresceu um bocado!!!! Acho que de tanto sonhar, virei o Pinóquio. Muitas risadas e muitos beijos!
Quantas vezes olho para o nada e vejo quanto mistério existe. Imagino um poço sem água, vazio, e tantas pessoas morrendo de sede e tanto silencio. Mas mesmo assim escuto o universo agitado implorando por um abraço. Esbarramos em pessoas, mas são invisíveis, não olhamos e não sorrimos!
Ando por uma rua antiga e penso nos séculos da sua idade, penso nos meus ancestrais, escuto o barulho do salto do sapato de alguém que já passou por lá, um homem ou uma mulher. Mas muitos já estiveram indo e vindo com um jornal na mão ou um saco de pão... Ou talvez apenas acompanhado pela sua própria juventude.
As árvores centenárias são molduras, permanecem. A pintura envelhecida, quase em branco e preto, desbotada, lembra a historia de muitos... O homem morre, o dia amanhasse a noite acontece. A lua presa na escuridão transborda seu silencio, o mar traz suas ondas sem pressa na sua cantiga soberana e milenar.
Fecho meus olhos, gostaria de poder voar, gostaria de ser uma gaivota na imensidão do tempo. O tempo não fala comigo, viajo só, sem companhia... Quantos anos tem uma alma?
Sinto o amparo de mim mesma, a minha sombra, feito um cão fiel que não me pergunta nada, divide esse momento, tão só como eu, transcende tanto como eu, nos meus pensamentos secretos... Ela e eu somos uma só!
Acordei com os gritos desesperados de uma mulher, era madrugada no final da semana passada. Olhei pela janela, a rua deserta e escura, dois carros de policia e uma ambulância e a voz alta de uma mulher aflita que gritava: “Socorro, me soltem não me machuquem, quero meu filho, por favor me ajudem!” Fiquei indignada, apavorada, com o coração pequeno... Seria uma injustiça? O que estaria acontecendo?
Era desproporcional, aquela mulher só, policiais armados e enfermeiros! O mundo dorme na calada da noite e as suposições povoando nosso imaginário... O que aconteceu com aquela moça? No dia seguinte, fui conversar com o porteiro do prédio, fiquei sabendo o nome dela, Marcia. Ela estava sendo conduzida a uma casa de repouso, ultrajada, exposta e principalmente só.
Conheci sua melhor amiga e ela me contou a historia de Marcia, historia igual a de tantãs mulheres, Marcia não se submeteu aos padrões e convenções e foi por um outro caminho... Caminho torto segundo seus “familiares”. Ela queria ser livre... Mas por que deveria ser livre? Algemada e fora de combate partiu. Imagino que foi sedada, seus gritos inoportunos quem quer escutar?
Marcia deixou uma carta para sua amiga e eu a li:
“Eleonora, acho provável que você nem leia essa carta, mas contudo existe alguma esperança no meu coração.
Percebi que ainda existe um governo ditatorial em minha própria família e se você não obedece seu Rei você é posta no calabouço humilhada degredada.
Até então tinha uma noção diferente da vida, achava que pessoas do mesmo sangue lutavam por igualdade e que generosidade e respeito fossem sentimentos possíveis, “Existentes”, “Naturais”.
Achava que o problema de um membro era visto com compaixão. Quem não sonha com um colo de mãe? Eu acreditava!
E de repente você descobre que o justo não é mais justo, a porta se se fecha na sua cara e mesmo que você grite... Gritar para que? É mais fácil tirar sua voz e te jogarem no lugar de “leprosos”, numa ilha deserta a parte do mundo “NORMAL”.
O que é ser correto ? Ser correto é ser obediente? Não ousar? É na verdade só uns podem, alguns podem tudo! Os que sentam a mesa do Governante é que tem o aval para tudo... Tem tanto poder, o mesmo olhar, a mesma força bruta. Os outros são crianças, crianças que precisam ser caladas e controladas, manipuladas e esvaziadas.
O primeiro mandamento de seres assim é o preconceito, quem não é igual, que vire comida de tigres, na mesma Arena de um tempo passado e ignorante, onde ainda não se falava de Cristo.”
Depois que li a carta de Marcia chorei, chorei por todas as “Marcias” e também por mim. Vivemos num mundo de aparências, um mundo surdo, cego e mudo, vazio de Amor pelo outro.
Uma noite de lua cheia – céu maravilhoso – fomos passear. O Lu e eu descemos a rua de casa a pé. A uma quadra e meia paramos, chegamos no Emillia Restaurante. Uma casa de bairro, um convite para entrarmos, parecia a casa de uma tia... Entramos. Que acolhida, era mesmo como a casa de um parente, muito aconchegante.
Emillia se sentou conosco e contou sobre a ideia de como surgiu aquele maravilhoso centro gastronômico. Percebi todo o capricho, os detalhes. Lá você se sente muito bem-vindo, desde os meninos garçons, o cheff Caio Tuma – filho da Emillia – tudo nota 10!
A comida é pra lá de especial, tipo quando a gente vai fazer um jantar especial para aquela pessoa e você intensifica seus cuidados para nada sair errado... A mesa, a flor, o tom da luz, a música... Até o café descafeinado – para não tirar o sono.
É simples e sofisticado, não é um lugar comum. O “Emillia” está participando do “Retaurant Week”, um evento organizado pela “Master Card”... Chique de mais! Os bons restaurantes de São Paulo oferecem entrada, prato principal e sobremesa por um preço mais acessível. O almoço sai por R$ 31,90 e o jantar R$ 43,90, mais o preço das bebidas e o que for consumido a mais.
Nesta temporada do evento, como sempre, o cardápio do Emillia Restaurante, dá água na boca só de ler... Risoto de Salmão com Maracujá, Pescada com farofa de camarão, Risoto de calabresa com manjericão, Gnochi ao ragu de carne, entre outras opções de prato principal. As entradas também são tentadoras, escolhi a Brusqueta de tomate e manjericão.
Na hora da sobremesa tive de babar, fiz uma promessa que ficarei um ano sem comer doce. Tive de me contentar vendo meu filho comer uma bela panacota de mel, que segundo ele estava sensacional. É um pudim de leite bem leve com calda de frutas vermelhas... Que tortura!
O Alê é um dos garçons, muito especial seu carinho conosco. Se vamos voltar... Claro! Já voltamos e fomos recebidos de braços abertos... Muito bom ser tratado com esse cuidado.
Como disse, fomos a pé e voltamos do mesmo jeito, acho que foi providencial, comemos tanto, que foi preciso uma caminhada para fazer a digestão.
Emillia, uma mulher de RG como o meu e que está em pleno vigor de sua vida... Planos e sonhos... Emillia nota 1.000.
Quem disse que as mulheres não acalentam suas intimas fantasias? Maria se abriu comigo e confesso que seus olhos brilharam, tamanho eram seus desejos ao fazer a seguinte revelação....
"Uma mulher, para ser feliz, precisa ter sete homens. O primeiro, um homem marido, que seja um porto seguro, pai dos filhos e provedor da casa; Segundo, o homem amante, aquele que paparica, que te faz ser exclusiva, te encontra a cada 15 dias e, sempre disponível, te envolva com sonhos; terceiro, o homem amigo, aquele que te oferece o ombro, chora com você - nem liga para a sua TPM – e é solidário as suas inseguranças e crises existenciais; quarto, um homen gay, aquele que te olha e jura que você esta supervitaminada, gostosa e repara no seu corte de cabelo, maquiagem, no seu novo vestido e principalmente te dá o endereço de um shopping de luxo com novidades da Dolce Gabbana; quinto, um homem dançarino, adora dançar, que apenas te coloca nos braços e te leva nos seus passos e compassos, silencioso e cheio de ritmo não reclama nem dos seus pisoes de pé, dança tango, bolero e cai com você numa gafieira; sexto homem, o companheiro, aquele que fica no sofá massageando seus pés, beijando seu rosto, desenrolando seus cabelos, que faz você até dormir, não canta, mas usa seus poderes de encantador; o sétimo homem, um garanhão - para tirar o seu fôlego - avassalador, de fazer a terra virar céu, e te invade de tanto amor...”
Quando pensei que Maria já tinha terminado com seus livres desejos, continuou... “Acho que deveria existir um oitavo!” Perguntei: "Mas o que está faltando?" E ela, com seus olhinhos claros e límpidos e um sorriso bem típico de nós mulheres, me diz: “Um homem adivinho, que descubra sempre os nossos desejos”.
Maria divertida, arteira, criativa, sábia, corajosa, intensa e acima de tudo verdadeira... Uma mulher de sete véus.