Quantas vezes olho para o nada e vejo quanto mistério existe. Imagino um poço sem água, vazio, e tantas pessoas morrendo de sede e tanto silencio. Mas mesmo assim escuto o universo agitado implorando por um abraço. Esbarramos em pessoas, mas são invisíveis, não olhamos e não sorrimos!
Ando por uma rua antiga e penso nos séculos da sua idade, penso nos meus ancestrais, escuto o barulho do salto do sapato de alguém que já passou por lá, um homem ou uma mulher. Mas muitos já estiveram indo e vindo com um jornal na mão ou um saco de pão... Ou talvez apenas acompanhado pela sua própria juventude.
As árvores centenárias são molduras, permanecem. A pintura envelhecida, quase em branco e preto, desbotada, lembra a historia de muitos... O homem morre, o dia amanhasse a noite acontece. A lua presa na escuridão transborda seu silencio, o mar traz suas ondas sem pressa na sua cantiga soberana e milenar.
Fecho meus olhos, gostaria de poder voar, gostaria de ser uma gaivota na imensidão do tempo. O tempo não fala comigo, viajo só, sem companhia... Quantos anos tem uma alma?
Sinto o amparo de mim mesma, a minha sombra, feito um cão fiel que não me pergunta nada, divide esse momento, tão só como eu, transcende tanto como eu, nos meus pensamentos secretos... Ela e eu somos uma só!

Almas são fortes e poderosas e claro transcedentais. Vez ou outra andando por aí, achamos almas que se conhecem há tempos. Essa é a magia da vida, minha cara amiga.
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