segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um convite




Dia vinte e três de setembro, final de mês, mais um mês que correu tão depressa, não parou na curva e não esperou ninguém. Me pego observando essa rapidez, vivemos numa dinâmica de vida, mal dormimos e já estamos levantando... Há uns anos atrás parecia que o relógio da vida não tinha tanta pressa, o Natal demorava a chegar... Hoje vejo que o Natal esta na nossa porta e seus preparativos já dão ares de festa!

Acho que gostaria que tudo andasse mais lentamente, que o tempo não voasse e que pudéssemos saborear com mais intensidade o dia, a noite e até a madrugada - escutar seu silencio e festejar o canto feliz dos passarinhos - reparar em pequenas coisas, sentar à mesa e tomar um café da manhã delicioso, jogar conversa fora, cortar com as mãos aquele pãozinho crocante e quentinho que saiu do forno a instantes, sentir o aroma do café sendo coado - aquele perfume que invade a casa e te enche de desejo. Não me esqueci da manteiga, combinação perfeita do pão, como diria minha avó: “Pão com manteiga é igual a abraço com beijo”.... Tudo de bom!

A fruta pode ser manga, é a minha preferida. Gosto muito de um bom queijo... Não tenho nem vontade de me levantar dessa linda mesa que divido com vocês, pois sinto a presença de todos, cada um contando suas histórias, relembrado coisas importantes, falando de saudades e das novidades. As flores do vaso combinam com a nova estação, são lindas e perfumadas, a toalha nova tem a cor suave e um trabalho de crochê branco que da um toque refinado a esse momento tão especial. O bolo é de fubá, gostoso, tem uma pitada de erva-doce... Ficaria muitas horas me deleitando, mas o relógio já me informa, estou atrasada... Atrasada, mas muito feliz pela companhia desses amigos nesse tão lindo dia... A Primavera chegou!



sábado, 8 de setembro de 2012

Quando eu vim para esse mundo...





Outro dia estava assistindo a minissérie Gabriela, escutando um dialogo do coronel Ramiro e sua neta, Gerusa... Naquela época era normal se escolher o noivo de uma moça, no entanto a neta do Coronel Ramiro quebrou totalmente as regras o desafiando e o deixando perplexo. Desse episódio surgiu uma reflexão da minha filha Maria Claudia, ela me perguntou se essa cena me fazia lembrar de alguma coisa e claro que fiz uma viagem no tempo. Não é tão distante as lembranças de um tempo onde se morria de medo dos mais velhos, os mais velhos eram senhores de tudo, os mais jovens se calavam não era comum poder se expressar livremente.

Não sou da geração “Gabriela”, mas sou de uma geração que traz um ranço de tais costumes, me lembro de ter medo dos mais velhos e não por respeito e sim porque eram “assustadores”, eram “grandes”, olhavam com uma cara de recriminação e critica. Tudo era muito rigoroso, não tão verdadeiro, mas para Inglês ver. As coisas pareciam objetos de cristaleira, tudo “perfeito”, as ordens eram ORDENS, nada podia ser muito questionado. Acho que a hipocrisia rolava de baixo dos panos!

Vejo hoje que o mundo mudou, o jovem ficou mais livre, ele tem mais poder e liberdade, o mais velho sofre preconceitos no trabalho, na família, na vida, o jovem tem a juventude, um mundo onde ele acha que é dono, sabe tudo, o velho é ultrapassado, fora de moda, vivemos num mundo que se descarta valores e que se adquire bens materiais... O mundo mudou, não sei se para melhor...

Não quero que meus netos tenham medo de mim, não quero ser rabugenta e nem ter as regras como mandamentos. Quero aprender com os mais jovens e trocar os ensinamentos que a vida me proporcionou. Acho que deveria ser assim ,tudo na medida equilibrada, um completando o outro... Velho e jovem, respeito e confiança, admiração versos admiração... O mar é tão antigo e continua soberano, cada pétala que nasce de uma rosa é a vida nascendo.




domingo, 26 de agosto de 2012

Ser brega é ser feliz

 
Estava aqui me lembrando o quanto já fui criticada pelo meu gosto musical. Quantas vezes por pressão fui obrigada a mudar o rádio de estação. Hoje fico feliz por sempre ter assumido sem culpa meu gosto por certas musicas, tidas como bregas. Poxa, que alivio descobrir que Caetano Veloso, em uma entrevista, diz gostar de músicas desse estilo... Aliás ele cantando “Você não me ensinou a te esquecer”, de Frenando Mendes, para mim, é super lindo... Acho linda a letra, o arranjo demais, adoro!
Ontem, escutando uma entrevista dada por Lia Sophia para um blog vizinho, o Canal  Principal, fiquei novamente muito contente. Bom, Lia Sophia é uma cantora do Pará que esta fazendo muito sucesso com a música “Ai Menina”, que é tema da Valéria na novela “Amor eterno Amor”. A vi outro dia também no programa da Fátima Bernardes. Acho que Lia promete ser a próxima explosão como cantora.
Escutando a entrevista senti seu carisma e personalidade, ela resgata um ritmo alegre e contagiante que é o Carimbó... Acho que ela é a própria “Ai Menina”, sua juventude se mistura a uma grande sabedoria, a de gostar de ser eclética. Uma cantora sem fronteiras, gosta de tudo e diz que música brega não é música cafona e sim um som que liberta... Sensacional, bateu forte com o que eu sinto... O quanto me permito dar asas ao meu coração e escutar músicas de Reginaldo Róssi, Odair José, Biáfra, Antônio Marcos, Laírton dos Teclados, José Augusto, Os Vips, Márcio Greick, Wanderleia e muitos outros, todos direto do túnel do tempo.
Assim como a jovem cantora, também me julgo aberta a todo tipo de estilo... Agora escrevendo esse texto me delicio a escutar uma música clássica, belíssima de tocar a alma, Serenade, de Franz Schubert... Gosto de tudo, a música faz a alma viajar, nos leva a sonhar, nos faz pensar!  A música nasceu com o homem, ela é parte integrada ao sentimento, alegre ou triste nos movimenta... Faz pular, dançar... Embala grandes amores. Seja brega ou chique, seja feliz!
 
 

domingo, 19 de agosto de 2012

Queridos amigos


Tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo, crescendo... E de repente, me vi assim completamente encantada! Foi no dia quatro de junho de 2011, em plena revolução de vida, que resolvi, apoiada pelos meus filhos, a criar um blog... Afinal era uma vontade antiga de escrever, talvez um projeto... Que ficou guardado a sete chaves dentro de mim!

O RG 9.000 é uma referencia a minha carteira de identidade, queria falar com pessoas próximas, da mesma geração, principalmente para mulheres, mulheres com os mesmos questionamentos. Nessa época conheci o blog que me inspirou, “Um canto para o conto” da minha amiga virtual Ligia Cerri... E assim nasceu o meu RG 9.000, produção visual criada pelo Lu, meu filho caçula. Meio insegura postei meu primeiro texto... Poxa, achei que seria visitado pelas minhas filhas, Ana Carolina, Maria Claudia, Ana Maria pele minha irmã Bebel, pela sobrinha Gabriela e talvez algumas outras pessoas curiosas, querendo saber sobre esse meu arrojado projeto.

Como fiquei feliz! Foram tantas visitas, que eu não acreditei. Juro que foi um momento que jamais vou esquecer, afinal estava precisando muito me sentir prestigiada, não andava assim com uma agenda de amigos tão grande. Segundo texto, novamente uma chuva de acessos... Como não ficar surpresa e feliz? Terceiro texto, quarto e hoje já mais de 50.

Como não dizer queridos amigos, como não estimar esses queridos amigos, que tão delicadamente me abraçam e me acolhem sem precisar fazer escolhas? São queridos, muito queridos, amigos para sempre... Coisa de alma! Dizem que um verdadeiro amigo não precisa estar do seu lado, precisa sim estar com você mesmo a mil milhas de distância, pois a amizade transcende espaço e tempo... A verdadeira amizade se carrega no coração. Dura para sempre, vai além da vida!

Quero agradecer as quase 9.000 visitas, os amigos que fiz, alguns de outros países... EUA, Alemanha, França, Rússia, Canadá, República Tcheca, Itália, Portugal e Inglaterra. Amigos novos, pessoas, muitas que não conheço mas as recebo com meu peito aberto e com meu sorriso largo e feliz! Muito obrigada!!!!


domingo, 12 de agosto de 2012

Novos licores, novos aromas


10 de julho de 2012, oito horas da manhã, toca o interfone, o caminhão da mudança chegou. Meio-dia não há mais nada, olho o espaço vazio, é possível escutar o eco dos passos. As paredes nuas e brancas, o chão sujo, cheio de papel bolha, cheio de uma poeira, poeira de tantos anos. Encontro num canto, encravada entre o roda pé e o taco da sala, uma medalhinha... É de Nossa Senhora, achei muito significativo, fiquei até arrepiada. Para mim um sinal! 

Dou mais uma olhada, viro para traz, me pergunto, se estou triste... Tento escutar as vozes de outrora, as rizadas animadas de outros tempos... Mas já não me diz mais nada! Tranco a porta, nunca mais serei dona dessa chave, uma página virada... Vou embora, embora com uma nova bagagem!

Abro uma outra porta, sinto o sol iluminando minha nova casa, uma varanda cheia de vasos, flores, aprecio esse momento. Uma sala aconchegante, tenho vontade de cantar aquela música que está fazendo sucesso... “ Vou te esperar na minha humilde residência... laiá-laiá!!!!!” 

Sei que demorarei um pouco até colocar tudo em ordem, vim lotada de caixas, lotada de sonhos... Lotada de planos! Descobri nessa minha mudança tantas coisas desnecessárias, guardei tantas coisas inúteis que, minha primeira providência foi colocar em uso meu jogo inglês de jantar para o dia-a-dia. Pensei assim, guardamos tanto para que? Para usarmos quando? Me desfiz de pratarias escuras... Claro que tenho alguns xodós, minhas licoreiras coloridas de cristais... Essas são para sempre! Tenho até que dizer, muitas coisas deixei pelo caminho com dor no coração, mas fiz questão de me dar novos presentes que alegraram meus olhos... Minha nova vida! 

Agradeço o carinho e o amor dos que me amam, na rua, na chuva, na fazenda... Ou no sol! Conto com esse amor que me acolhe e me fortifica e garanto que terei muitas histórias novas para contar, Como por exemplo, a minha mais nova aquisição de Licores de 1814. Conto com sua visita... Até lá! Beijos com saudades!

domingo, 15 de julho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Simplesmente Mãe


Gosto de rezar ante de dormir, fecho os meus olhos e sempre me vem na cabeça a imagem de Deus junto de Nossa Senhora. Sei que esse assunto é muito particular e acho complicado exprimir pensamentos sobre nossa religiosidade, pois parto do principio da liberdade de cada um escolher e ter suas próprias convicções. Eu mesma já tive muitas duvidas, já fui deitar católica e acordei espirita, mas sempre a forte imagem de Maria me garantiu e nunca deixei de tê-la como nossa Mãe...

Não consigo imaginar a possibilidade de não termos uma mãe e verifico que em tantãs religiões a figura de Maria é de fundamental importância...  Ressalto duas que me chamam a atenção, no Candomblé e na Umbanda, por exemplo, a mãe dos homens é vista com muita beleza e reverência.

Outra noite quando fechei meus olhos e comecei minhas orações encontrei Maria vestida de Nossa Senhora das Graças, das suas mãos poderosas a luz cicatrizante aquecia meu coração, então pensei o quanto esse calor me fazia sentir protegida, o quanto me acalentava seu braços abertos, braços e abraços de mãe, vestida assim tão singela, pronta para me colocar na cama e me fazer dormir.

Às vezes fecho meus olhos e encontro Maria vestida de Rainha, poderosa, com um olhar de cumplicidade ela me faz sentir o quanto intercede por nós... Me acalma, tranquiliza. Não preciso usar da minha vós para chamá-la, basta o olhar, olhos nos olhos e a certeza que escuta o meu coração... Amiga e mãe, socorrista, não se esquece de nenhum filho, tem o mesmo olhar para todos!

 Em outros momentos de oração me deparo com ela, revestida com seu manto azul - cor da noite, bordado do céu - imagem que me emociona. Sinto como se estivesse fazendo uma visita, vestida tão bela para nos encantar. Entra na minha casa, se senta ao meu lado, me escuta e nada passa batido, pois sente a minha alma, sabe de tudo que me inquieta e também de tudo que me faz feliz..

Tantas Marias, Maria de Guadalupe, Maria de Medigórie, Maria do Menino Jesus... Tantas Nossas Senhoras,  Senhoras dos Navegantes, Senhora dos Aflitos, Senhora Desatadora dos Nós... Maria e sua coroa, escolhida para cuidar, para passar na frente e iluminar com sua luz majestosa a nossa estrada! A vejo assim, fecho meus olhos e lá vem vestida de Amor!!! Nossa Senhora de todos nós, sem distinção... De todos Nos!