sábado, 9 de julho de 2016

Quando te vi!



_Vovó, quando foi que você conheceu a minha mãe?
_Eu nunca te contei? Então é uma longa historia a mais bonita que eu sei contar: Conheci a sua mãe assim, uma sementinha que foi crescendo dentro de mim, um coração a mais batia dentro de mim, fui percebendo que não estava mais só, carregava comigo uma nova vida...
_Jura vovó?
_Acordávamos juntas, tomávamos o café da manhã juntas, tudo bem juntinhas, estávamos coladas, no espelho eu via a minha barriga crescer, dava para sentir os movimentos, sentia quando estava dormindo e quando acordava, dava para ver até os pezinhos. Eu adorava passar as minhas mãos nos pezinhos, fazia carinho, também conversava muito com ela...
_Vovó, como ela cabia na sua barriga?
_Você também já morou na barriga da sua mãe e cabia direitinho, pois na barriga das mães tem um berço bem quentinho. Sua mãe também falava e cantava pra você, você lembra?
_Vovó na barriga da minha mãe tinha televisão?
_Acho que não, pois só cabia o seu berço.
_Vovó a minha mãe era bem pequena?
_Todo nenê nasce pequeno e com muita fome, aí a mamãe com muito amor da um leitinho gostoso, olha bem para a carinha dele e escolhe o nome.
_Vovó, você gostou de conhecer a minha mãe?
_Foi amor a primeira vista!!!
_Vovó, quando foi que você me conheceu?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Novos trabalhos....

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domingo, 3 de julho de 2016

Carta para Maria



São Paulo, 3, de julho de 2016


Maria, 


Como vai?
Ontem quando li sua carta, senti que já não é mais a mesma. Também pudera, perder o companheiro de uma vida toda... 
Bem sei eu o que é perder alguém, parece até uma punição, castigo. Nas palavras discretas que me escreve senti a cara da tristeza, a tristeza que também me acompanha... Por que será que  o tom da vida perdeu as antigas cores? O azul do céu por exemplo já não
é tão azul, nem o olhar da minha mãe perpetuado na minha lembrança, tem o azul risonho, que sempre me divertiu... Por que sera?
Senti a sua solidão, como se enxergasse no fundo da sua alma, um buraco, um vazio, a falta de um elo,  como se visse você vagando, perdida, vagando sem direção!
Querida, o que dizer então sobre as suas dores, dores ainda em plena existência? Também conheço, não sei quando serão curadas! Uns dizem que passa, uns dizem que vira saudade, outros não dizem nada... Bom seria se o silencio fosse quebrado, e se as vozes fossem ouvidas... Bom seria  se os olhos se despedissem mais uma vez...
Bom seria se as mãos fossem tocadas, se novamente as batidas do coração soprassem e lá a vida, outra vez a vida.
Minha amiga, a vida segue! Segue aqui o meu abraço!

Clotilde

PS: percebi em suas palavras a  vontade de marcamos um café, eu quero que saiba que também 
quero...

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Encontro com um antigo namorado



O dia estava claro, perfumado... Perfume de patchouli. Calça lee, boca de sino, tamancos de plataforma, bem altos. A bata da Índia, azul do céu...  Pronta para te encontrar!
         O viço da pele, o rosto pintado, cores de menina. O sorriso, os lábios puros, a boca pequena pronta para o primeiro beijo. O corpo perfeito para ser tocado...  A música, a entrega.
Veio então a primavera: perfumes novos, outras cores. O primeiro filho, o primeiro amor do ventre, o leite no peito, a seiva da vida. A correria, a alegria: brinde à vida... Já então mulher, vestida de sonhos. No jardim as roseiras se multiplicavam, novos filhos, novos amores.
O verão chegou de repente: seu calor escaldante, secando a pele, fincando as marcas, o coração mais maduro. No quebra cabeça da vida algumas peças se perderam.
 Chegou o outono com suas nuances. Trouxe outro olhar, olhar Curioso. Sabedoria em querer te encontrar novamente e começar tudo de novo. Você que nunca me deixou, sempre ao meu lado, caminhamos juntos. Te procuro e te encontro, amigo e cumplice.
Hoje me visto para você, o dia está claro, perfumado. A juventude da alma me persegue, ainda sou a menina pronta para o encontro.
“Quando o inverno chegar, eu quero estar junto a ti...” Colocarei a camisola branca de seda e renda, escolherei as taças de vinho... O vinho será tinto.  Ficarei em frente ao espelho me enfeitando. Quando o seu reflexo me encontrar eu vou sorrir... Me despedir jamais!

sábado, 28 de maio de 2016

Amor de entranhas...


Estava uma tardinha dormindo com o Enrico, meu primeiro neto, já faz tempo, hoje ele tem 10 anos, a minha cachorrinha Nina, nossa anjinha, deitadinha, encostadinha em mim.......
Momento que eu lembro até hoje,pois senti o seguinte,
"Que se morresse naquele momento, morreria feliz"
Tamanha era a minha felicidade, gratidão, eu estava me sentido
em paz, uma paz inteira.......
Sentimento que não tem com explicar, amor de avó......
Depois veio o Enzo, o Pedro, a Alice, os encatadores da minha vida,
e estou pronta para os novos amores, aprendi que mais é sempre melhor.....
Cada neto tem um particular, como o filho, não tem como dizer gosto mais de um ou de outro, pois o maximo desse amor é justamente perceber o que cada um tem de especial.......
Quando disse morrer, palavra forte, me referia a plenitude da existência .........
Mamãe Clô
Vovó Cô.........
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