São Paulo, 3, de julho de 2016
Maria,
Como vai?
Ontem quando li sua carta, senti que já não é mais a mesma. Também pudera, perder o companheiro de uma vida toda...
Bem sei eu o que é perder alguém, parece até uma punição, castigo. Nas palavras discretas que me escreve senti a cara da tristeza, a tristeza que também me acompanha... Por que será que o tom da vida perdeu as antigas cores? O azul do céu por exemplo já não
é tão azul, nem o olhar da minha mãe perpetuado na minha lembrança, tem o azul risonho, que sempre me divertiu... Por que sera?
Senti a sua solidão, como se enxergasse no fundo da sua alma, um buraco, um vazio, a falta de um elo, como se visse você vagando, perdida, vagando sem direção!
Querida, o que dizer então sobre as suas dores, dores ainda em plena existência? Também conheço, não sei quando serão curadas! Uns dizem que passa, uns dizem que vira saudade, outros não dizem nada... Bom seria se o silencio fosse quebrado, e se as vozes fossem ouvidas... Bom seria se os olhos se despedissem mais uma vez...
Bom seria se as mãos fossem tocadas, se novamente as batidas do coração soprassem e lá a vida, outra vez a vida.
Minha amiga, a vida segue! Segue aqui o meu abraço!
Clotilde
PS: percebi em suas palavras a vontade de marcamos um café, eu quero que saiba que também
quero...
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