domingo, 3 de julho de 2016

Carta para Maria



São Paulo, 3, de julho de 2016


Maria, 


Como vai?
Ontem quando li sua carta, senti que já não é mais a mesma. Também pudera, perder o companheiro de uma vida toda... 
Bem sei eu o que é perder alguém, parece até uma punição, castigo. Nas palavras discretas que me escreve senti a cara da tristeza, a tristeza que também me acompanha... Por que será que  o tom da vida perdeu as antigas cores? O azul do céu por exemplo já não
é tão azul, nem o olhar da minha mãe perpetuado na minha lembrança, tem o azul risonho, que sempre me divertiu... Por que sera?
Senti a sua solidão, como se enxergasse no fundo da sua alma, um buraco, um vazio, a falta de um elo,  como se visse você vagando, perdida, vagando sem direção!
Querida, o que dizer então sobre as suas dores, dores ainda em plena existência? Também conheço, não sei quando serão curadas! Uns dizem que passa, uns dizem que vira saudade, outros não dizem nada... Bom seria se o silencio fosse quebrado, e se as vozes fossem ouvidas... Bom seria  se os olhos se despedissem mais uma vez...
Bom seria se as mãos fossem tocadas, se novamente as batidas do coração soprassem e lá a vida, outra vez a vida.
Minha amiga, a vida segue! Segue aqui o meu abraço!

Clotilde

PS: percebi em suas palavras a  vontade de marcamos um café, eu quero que saiba que também 
quero...

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Encontro com um antigo namorado



O dia estava claro, perfumado... Perfume de patchouli. Calça lee, boca de sino, tamancos de plataforma, bem altos. A bata da Índia, azul do céu...  Pronta para te encontrar!
         O viço da pele, o rosto pintado, cores de menina. O sorriso, os lábios puros, a boca pequena pronta para o primeiro beijo. O corpo perfeito para ser tocado...  A música, a entrega.
Veio então a primavera: perfumes novos, outras cores. O primeiro filho, o primeiro amor do ventre, o leite no peito, a seiva da vida. A correria, a alegria: brinde à vida... Já então mulher, vestida de sonhos. No jardim as roseiras se multiplicavam, novos filhos, novos amores.
O verão chegou de repente: seu calor escaldante, secando a pele, fincando as marcas, o coração mais maduro. No quebra cabeça da vida algumas peças se perderam.
 Chegou o outono com suas nuances. Trouxe outro olhar, olhar Curioso. Sabedoria em querer te encontrar novamente e começar tudo de novo. Você que nunca me deixou, sempre ao meu lado, caminhamos juntos. Te procuro e te encontro, amigo e cumplice.
Hoje me visto para você, o dia está claro, perfumado. A juventude da alma me persegue, ainda sou a menina pronta para o encontro.
“Quando o inverno chegar, eu quero estar junto a ti...” Colocarei a camisola branca de seda e renda, escolherei as taças de vinho... O vinho será tinto.  Ficarei em frente ao espelho me enfeitando. Quando o seu reflexo me encontrar eu vou sorrir... Me despedir jamais!

sábado, 28 de maio de 2016

Amor de entranhas...


Estava uma tardinha dormindo com o Enrico, meu primeiro neto, já faz tempo, hoje ele tem 10 anos, a minha cachorrinha Nina, nossa anjinha, deitadinha, encostadinha em mim.......
Momento que eu lembro até hoje,pois senti o seguinte,
"Que se morresse naquele momento, morreria feliz"
Tamanha era a minha felicidade, gratidão, eu estava me sentido
em paz, uma paz inteira.......
Sentimento que não tem com explicar, amor de avó......
Depois veio o Enzo, o Pedro, a Alice, os encatadores da minha vida,
e estou pronta para os novos amores, aprendi que mais é sempre melhor.....
Cada neto tem um particular, como o filho, não tem como dizer gosto mais de um ou de outro, pois o maximo desse amor é justamente perceber o que cada um tem de especial.......
Quando disse morrer, palavra forte, me referia a plenitude da existência .........
Mamãe Clô
Vovó Cô.........
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O regate dos valores.......
Estava então pensando com os meus botões ......
Se a minha mãe fosse viva, o que ela acharia desse mundo de agora,
os tempos do branco e preto, do sapatos engraxados do meu avô,
"Parecem espelhos de tão bem engraxados"
Depois ,mamãe diria,
"Coma de boca fechada"
"Tenha modos menina"!!!
Tempos do branco e preto.....
Tempo do respeito, sim, não era medo, era respeito....
Tempo do almoço servido, hora do encontro, papai na
cabeceira, mamãe ao seu lado...
Tempos do branco e preto, mas o céu era o mais azul que
já vi, as cores daquele tempo não estavam descoradas, nem estavam
pálidas...
Tempos da delicadeza....
O que se apreciava não eram as (bundas grandes), alias palavra muito pouco usada, o verbo "ter" era conjugado de outra maneira....
Eu tenho respeito,
Tu tens amor,
Ele tem caráter,
Nos temos coragem,
Vos tens amigos,
Eles tem liberdade,
Tempos do branco e preto, o tempo mais colorido que conheci,
não era o mundo perfeito, mas era um mundo que eu aprendi
os verdadeiros valores, acho que eram valores fincados na alma,
pois jamais esqueci....
Plantei assim as flores do meu jardim.....
Os tempos do branco e preto, tempo que da até saudade....
O que mamãe diria desse tempo de agora?.....
Clotilde Camargo Magano 26.05.2016

domingo, 15 de maio de 2016

Saudade!

'SAUDADE DA CASA QUE MOREI,
DO TERRAÇO BANHADO DE SOL,
DA MINHA MÃE, DO MEU IRMÃO,
DO QUINTAL, DO BEM-TE-VI,
DO CAMINHO QUE NUNCA MAIS FIZ"...

Abri a porta e lá estava intacta, a sala...
escutei a voz do meu pai, os meninos que riam...
a musica, ainda a mesma, mamãe e suas melodias!!!
o sol invadindo a vidraça...
a juventude dos meus pais, tudo ainda está lá,
a mocidade daquele tempo, eu também era uma menina,
o céu era tão azul e eu perguntando,
Bem -te-Vi, Bem -te-Vi, eu vou ser feliz?

Clotilde Camargo Magano...
15.05.2016