domingo, 26 de julho de 2015

Verbo Amar.

Papo firme e reto, conversando com Aninha Magalhães colocamos o papo em dia,
ela me conta um pouco da sua vida passada, de como deixou o tempo decidir por ela,
e eu vou fazendo um retrocesso do tempo e chego na minha historia também.
Quando eu era menina, fui muito protegida, achava que Deus tinha feito o mundo para mim,
meu mundo cercado de flores coloridas e de castelos encantados, onde eu era a princesa.
Aninha me conta que também se sentia assim,  seus pai era Diplomata e por esse motivo
ela teve uma vida escolar partida, sem uma  trajetória  normal, e logo perdeu o fio da meada,
Lembro que para mim também foi assim, devido a carreira do meu pai, mudanças de cidades,
escolas, amigos, acho que foi esburacado esse pedaço da minha vida, importante ter amigos e
criar historias, eu tive turmas queridas, mas fui deixando para traz......
Aninha me conta que fez; Violão, Inglês, Francês, Escola de Arte, Natação....
Digo a ela que eu também fiz tudo isso, mas que na época achava tudo um tédio,
ela riu e me contou que para ela o que mais "gostava" era do espelho, pois se achava
"linda"!....
Também dou gargalhadas, outra semelhança , meu mundo era de glamour, adorava
sonhar, sonhar e sonhar....
O tempo passa, e hoje Aninha e eu, duas senhoras "enxutas" pois continuamos a gostar
do espelho e dos sonhos, chegamos a algumas conclusões...
Não se da tudo para quem não tem maturidade de decidir, de graça não tem graça.
Já somos avós e é assustador, ai ficamos sérias e preocupadas, um mundo gigante,
bem diferente do nosso, tudo era mais simples e natural.
Hoje a roda-gigante do mundo é tão maior, tudo cresceu de forma global, sem
limites e barreiras.
O mundo ficou tão material, se tem tudo, se pode tudo, as crianças já nascem com
a tecnologia  na digital, o consumismo é o primeiro mandamento, o individualismo,
é bem pior que o espelho que  Aninha  se enxergava.
A criança e a escola, as obrigações, as tarefas, os cursos extras, as tiranias infantis,
são adultos pequenos sem controle remoto, sem pilhas antigas, mas baterias potentes.
Mundo do consumo, da cara centrada no computador, mundo sem cirandas e cirandinhas,
mundo da musica apelativa , sem poesia e sem pudor....
Mundo ligeiro, é a roda gigante que roda, roda, roda numa velocidade rápida e sem freio,
Aninha muda de assunto, me conta da sua viagem a Roma, da Fontana de Trevi, da rua
chique e elegante, a rua Do Corso, onde o vai evem de pessoas coloridas, pessoas que se
esbarram mas nem se olham, do calor escaldante, do passado cheio de Historias registradas,
sobreviventes do tempo.....
Bom, ta na minha hora, escuto a voz deliciosa de um dos meus netos,
"Vovó, vovó"!!!!
"Viemos de buscar"!!!!!!
Abraço Aninha e vou embora.
Abraço meu neto, quero que ele seja apenas feliz, num mundo calmo, talvez mais lento,
sem pressa, onde amar fosse o verbo principal....













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