10 de julho de 2012, oito
horas da manhã, toca o interfone, o caminhão da mudança chegou. Meio-dia não há
mais nada, olho o espaço vazio, é possível escutar o eco dos passos. As paredes
nuas e brancas, o chão sujo, cheio de papel bolha, cheio de uma poeira, poeira
de tantos anos. Encontro num canto, encravada entre o roda pé e o taco da sala,
uma medalhinha... É de Nossa Senhora, achei muito significativo, fiquei até
arrepiada. Para mim um sinal!
Dou mais uma olhada, viro
para traz, me pergunto, se estou triste... Tento escutar as vozes de outrora,
as rizadas animadas de outros tempos... Mas já não me diz mais nada! Tranco a
porta, nunca mais serei dona dessa chave, uma página virada... Vou embora, embora
com uma nova bagagem!
Abro uma outra porta,
sinto o sol iluminando minha nova casa, uma varanda cheia de vasos, flores,
aprecio esse momento. Uma sala aconchegante, tenho vontade de cantar aquela música
que está fazendo sucesso... “ Vou te esperar na minha humilde residência... laiá-laiá!!!!!”
Sei que demorarei um
pouco até colocar tudo em ordem, vim lotada de caixas, lotada de sonhos... Lotada
de planos! Descobri nessa minha mudança tantas coisas desnecessárias, guardei
tantas coisas inúteis que, minha primeira providência foi colocar em uso meu
jogo inglês de jantar para o dia-a-dia. Pensei assim, guardamos tanto para que?
Para usarmos quando? Me desfiz de pratarias escuras... Claro que tenho alguns
xodós, minhas licoreiras coloridas de cristais... Essas são para sempre! Tenho
até que dizer, muitas coisas deixei pelo caminho com dor no coração, mas fiz
questão de me dar novos presentes que alegraram meus olhos... Minha nova vida!
Agradeço o carinho e
o amor dos que me amam, na rua, na chuva, na fazenda... Ou no sol! Conto com esse
amor que me acolhe e me fortifica e garanto que terei muitas histórias novas
para contar, Como por exemplo, a minha mais nova aquisição de Licores de 1814.
Conto com sua visita... Até lá! Beijos com saudades!

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
ResponderExcluirFernando Pessoa
Muitas felicidades nessa nova etapa de sua vida Clotilde.
Bjs
Ligia querida, que a felicidade sempre acompanhe as mudanças das nossas vidas. beijo grande!
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