sábado, 22 de outubro de 2011

O dilema de Maria


Já fazia dias que Dona Joana observava Maria. Via-lhe praticamente nua, tentando desfazer seu vestido de festa. Ficava horas na frente de uma máquina de costura, como se na vida pudesse perder tanto tempo.
Maria estava paralisada por uma dor, não conseguia enxergar alternativas para recomeçar. Joana, com seu jeito prático de ser, pensava como fazer para Maria sair de dentro de si e encontrar armas para enfrentar o que no momento era seu maior problema, “viver”.
Foi então que resolveu agir...Estava na sala com Maria, Dona Joana com seus “oclinhos”, enxergando mais do que havia lá, disse: “Numa guerra você atira ou morre”. Maria encolhidinha escutava toda aflita, pois sabia que Dona Joana tinha toda razão.
Maria precisava crescer, mas era bem difícil encarar as mudanças da sua vida. Dona Joana dizia: “Você é o único ser adulto que acredita em Papai Noel”. Maria sentia seu coração bater mais forte, pois tudo o que queria era acreditar em sonhos, era bem mais confortante, muito melhor do que encarar o mundo real.  Quando Maria se imaginava em uma guerra, de sua arma saia bolinhas de sabão ou lacinhos cor de rosa...não queria matar ninguém. No seu mundo ideal tudo era bom, céu e mar, sol, as pessoas...
Dona Joana com o dedo indicador em riste e com um tom firme fazia Maria tremer. “Maria decida sua vida, se não os acontecimentos decidirão por você”. Era tudo muito certo e claro, mas como fazer? Era “A escolha de Sofia” , nascer de novo ou apenas morrer...

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