Num período da infância de meus filhos, quando morávamos num prédio da Rua Apinagés, havia uma turma ótima, querida até hoje.Meus filhos cresceram lá, a porta da minha casa não ficava trancada, um entra e sai de criançada o tempo todo, teatrinho, coreografias musicais, lanchinhos, uma delícia inesquecível.
No meu andar tinham quatro apartamentos. Dois eram ocupados por pessoas mais velhas, o meu com quatro crianças e o da minha vizinha de porta Bel, com três crianças. Um andar cheio de barulho, alegria e muito agito. Nossos vizinhos mais velhos nos “adoravam”, melhor dizendo, nos “suportavam”. Um desafio viver em paz com eles...
Foi aí que descobrimos uma maneira gentil de compensar, ao menos, uma de nossas idosas vizinhas, caridade mesmo! Ela passou a ser até mais carinhosa com nossas crianças. Perto do nosso prédio havia uma Igrejinha bem acolhedora e todo sábado uma bonita missa nos enchia de um amor bem grande pelo próximo e esse próximo escolhido foi dona Ana Rosa. Oferecíamos carona a ela que ia toda feliz, acolhida e confortável à igreja conosco.
Quando voltávamos para casa continuávamos conversando no hall do nosso andar, foi numa dessas nossas conversas que dona Ana Rosa contou-nos que tinha estudado no mesmo colégio que eu. Fiquei eufórica, descobri que ela era, além de minha vizinha, também uma colega da mesma escola... Agora ela seria até mais simpática com todos nós, fiquei bem satisfeita. Tentei encontrar professores comuns, partilhar momentos que nos unissem ainda mais.
Nada se encaixava. Ela não conhecia nenhum professor meu e eu também não conhecia nenhum dela; Achei estanho e perguntei: “Em que ano a senhora estudou no colégio Santana?”. E com sua voz bem própria de quem já tinha mais de setenta me falou: “Estudei em 1925!”. Em seguida me fez a mesma pergunta: “E você?”. Pela primeira vez o nono andar ficou em silêncio, era evidente demais a diferença entre nossas idades. Eu estudei lá no colégio em 1974, portanto quase cinco décadas depois...
Foi difícil nos controlarmos para não rir, nossa turma já se conhecia bem e só no solhamos e nos contivemos. Será que Dona Ana Rosa percebeu nossa vontade de rir?
Rir faz bem para a alma e o coração
O caso de D. Ana Rosa serve de alerta. Costumo fazer comentários sobre professores de meu tempo e terei mais cuidado agora pois afinal meu RG é 5.000..rsss.
ResponderExcluirEssa música de R.Carlos me transportou direto pra adolescência. Curti muito (pela TV e escondida de meu pai)essas belas tardes de domingo.
Obrigada pela emoção que me proporcionou em plena tarde de segunda-feira!
Parabéns pelo blog!!!
Ligia Maria, agradeço seu comentário sobre essa matéria. Imagina só o RG da Dona Ana Rosa!
ResponderExcluirBeijos,
Clô