sábado, 23 de junho de 2012

Simplesmente Mãe


Gosto de rezar ante de dormir, fecho os meus olhos e sempre me vem na cabeça a imagem de Deus junto de Nossa Senhora. Sei que esse assunto é muito particular e acho complicado exprimir pensamentos sobre nossa religiosidade, pois parto do principio da liberdade de cada um escolher e ter suas próprias convicções. Eu mesma já tive muitas duvidas, já fui deitar católica e acordei espirita, mas sempre a forte imagem de Maria me garantiu e nunca deixei de tê-la como nossa Mãe...

Não consigo imaginar a possibilidade de não termos uma mãe e verifico que em tantãs religiões a figura de Maria é de fundamental importância...  Ressalto duas que me chamam a atenção, no Candomblé e na Umbanda, por exemplo, a mãe dos homens é vista com muita beleza e reverência.

Outra noite quando fechei meus olhos e comecei minhas orações encontrei Maria vestida de Nossa Senhora das Graças, das suas mãos poderosas a luz cicatrizante aquecia meu coração, então pensei o quanto esse calor me fazia sentir protegida, o quanto me acalentava seu braços abertos, braços e abraços de mãe, vestida assim tão singela, pronta para me colocar na cama e me fazer dormir.

Às vezes fecho meus olhos e encontro Maria vestida de Rainha, poderosa, com um olhar de cumplicidade ela me faz sentir o quanto intercede por nós... Me acalma, tranquiliza. Não preciso usar da minha vós para chamá-la, basta o olhar, olhos nos olhos e a certeza que escuta o meu coração... Amiga e mãe, socorrista, não se esquece de nenhum filho, tem o mesmo olhar para todos!

 Em outros momentos de oração me deparo com ela, revestida com seu manto azul - cor da noite, bordado do céu - imagem que me emociona. Sinto como se estivesse fazendo uma visita, vestida tão bela para nos encantar. Entra na minha casa, se senta ao meu lado, me escuta e nada passa batido, pois sente a minha alma, sabe de tudo que me inquieta e também de tudo que me faz feliz..

Tantas Marias, Maria de Guadalupe, Maria de Medigórie, Maria do Menino Jesus... Tantas Nossas Senhoras,  Senhoras dos Navegantes, Senhora dos Aflitos, Senhora Desatadora dos Nós... Maria e sua coroa, escolhida para cuidar, para passar na frente e iluminar com sua luz majestosa a nossa estrada! A vejo assim, fecho meus olhos e lá vem vestida de Amor!!! Nossa Senhora de todos nós, sem distinção... De todos Nos!


domingo, 3 de junho de 2012

Tem madame no Serasa


Fui dormir dando rizada, Iraty me contou um fato que foi inédito para ela e confesso, para mim também. Aconteceu nessa semana. Iraty é um ser comum, simpática e falante, mas quando entrou na sala do Serasa, com certeza, não estava tão falante assim... Lá havia outras pessoas e ela pegou sua senha e se sentou.

 O Serasa é um órgão de consulta, lá você fica sabendo como esta seu CPF... Alguns, muitas vezes, mais sujos que fraldinha de bebê, com dívidas, cobranças, faturas atrasadas... (Senhor nos proteja! rs).

Naquela sala de terror, mulheres e homens simples, pessoas sombrias aguardavam silenciosamente o grande momento... Foi quando entrou ali uma senhora totalmente diferente de todos os outros, muito bem vestida, cabelo arrumado – segundo Iraty, tinha tanto laquê que mais parecia um capacete –, usando um belo óculos escuros, toda enjoiada, joias de ouro grandes que chamavam a atenção e a destoava totalmente do contexto... Uma verdadeira madame!

Bom , Iraty contou que a tal senhora pegou sua senha preferencial e logo foi chamada, lá foi toda feliz e ao ser atendida disse num tom super alto e todos escutaram: “ENTÃO NÃO TEM MAIS NADA NO MEU NOME, GRAÇAS!!!!” Como se um bonde tivesse saído de suas costas pegou sua bolça poderosa e chique, tirando então sua carteira, de couro, vermelha, sacou duas notas azuis de 100 reais e deu ao moço que a atendia, ele na hora respondeu: “Não posso aceitar!” Ela respondeu: “É só um presente!” Nesse momento Iraty percebeu que todas as pessoas se entreolharam e compreendeu o desejo imenso de todos... Quem não gostaria de receber tal Presente?

A senhora se afastou do guichê, estava suando muito precisava tomar agua e se sentou ao lado de Iraty, que providenciou um copo fresquinho de agua para ela, pois percebeu que a “madame” estava bem desnorteada com o peso que tinha tirado das costas, perguntou se ela estava bem e engatou uma conversa com aquela senhora tão elegante, ela se chamava Maria Beatriz de Moura Paranhos – Até o nome era de uma finesse...

Dona Maria Beatriz sem nenhum constrangimento abriu o jogo, contou que descobriu, depois da morte do seu marido, que ele torrou todo seu patrimônio com uma amante. Iraty, sempre muito curiosa perguntou para dona Maria beatriz: “A senhora deve ter ficado furiosa, não é?” Calma e distinta, ela respondeu: “Meu marido foi maravilhoso comigo, me cobriu de mimos e presentes... Sinto muito a sua falta!“

Dona Maria Beatriz conta que quando chegaram a São Paulo, há mais de quarenta anos, enfrentaram muitas dificuldades. Tinham poucas coisas, não possuíam garfos nem colheres e ao longo de suas vidas conquistaram muitos confortos. Hoje, mora num bairro nobre da cidade, tem seus filhos e netos e, graças a Deus, seu CPF está novinho em folha.

 Nesse momento o numero da senha de Iraty foi chamado, que pena, ela se levantou  até que consolada, afinal o mundo não perdoa nem as Madames que vestem Prada... Toda feliz, descobriu que seu CPF também esta “limpinho”. Segundo ela, Dona Maria Beatriz deu muita sorte e ela saiu de lá saltitante! Mas antes de partir foi dar um beijo naquela senhora... Disse que ficaram “quase” melhores amigas, pena que o tempo foi curto demais.



sábado, 26 de maio de 2012

Uma viagem vertical


Há algum tempo atrás peguei um táxi para um percurso mais ou menos longo. Nesse dia eu não estava muito a fim de conversar, só que foi inevitável, seu Fernando, o motorista, logo no primeiro momento já me fez rir e daí para frente sua história me envolveu tanto que eu já pensava numa forma de, quando chegasse no meu destino, parar tudo e só descer depois de escutar o desfecho - história que contarei numa outra oportunidade. O fato é que com o que ouvi do seu Fernando aprendi coisas que gostaria de dividir com vocês.

Seu Fernando teve uma experiência mística no Mosteiro de São Bento, em um momento de dificuldade e de total perda de esperança ele olhou para a janela da igreja, enxergou os raios do sol, de uma linda manhã, atravessando e iluminando o vitral e naquele momento sentiu a forte presença de Deus. Contou para mim que a partir dai começou a só rezar com o coração...

Como assim? Perguntei. Então me disse: “Faço assim, entro no meu quarto, perfumo esse momento com uma essência para que o ambiente fique digno para tal conexão, coloco uma musica, escolho aquela que mais me aproxima para tal viagem e me entrego... Muitas vezes acordo no dia seguinte, a sensação é que realmente estive lá, lugar  de uma beleza única, e de uma paz infinita! Me sinto abraçado por Deus, rodeado por anjos, sinto o carinho de uma mãe que me sorri e me faz sentir seu filho, filho especial e amado, sinto também a presença forte das pessoas que amo e que quero tanto incluir nesse momento de ternura e proteção. Me sinto no espaço entre nuvens, numa paisagem de flores, cantos mágicos, um sol que aquece e me entorpece... Me sinto tão feliz. É uma comunhão real estou perto de Deus!”

Seu Fernando me falou com tanta fé desse seu momento pleno que resolvi experimentar... Afinal quem não deseja esse encontro? Então segui seus passos... E juro, foi a viagem vertical mais deliciosa da minha vida... A mais inesquecível que já fiz! Escolhi para essa viagem uma música que me faz ter certeza que ela foi feita no céu. Borrifei um perfume suave e delicado em meu quarto, fechei meus olhos e então adormeci...

Espero ter novamente tal felicidade e a certeza que existe mais mistérios entre o céu e a terra que a nossa vã sabedoria conhece! A música é essa, recomendo... Boa viagem!!! 



sábado, 19 de maio de 2012

As verdadeiras cascatas


Tenho ouvido falar de um tal Cachoeira... Cachoeira daqui, Cachoeira dali. O Tal é homem envolvido com o jogo do bicho e com políticos que escoam seus valores no esgoto de um rio morto.

Sabemos que esse assunto já é comum, se perde tempo e na verdade não se constrói nada de novo. Não acabam ao menos com uma pizza de sabor original, é sempre a mesma historia e o mesmo desfecho. Nos resta engolir a mesma pizza com o mesmo sabor – ou será dissabor? É uma falta de respeito e muita cara de pau!

Falo tudo isso, pois hoje quero ressaltar algo de lindo que foi construído com a inspiração de Deus, a verdadeira cachoeira... Queda de água, cascata, cataratas, cursos de água que correm por cima de uma rocha... São tão lindas que nos encantam, abundância de um presente divino que nos prova a todo instante a incontestável obra de um ser que, além de criar o homem, caprichou em nos dar a beleza da natureza, nos deu de graça o encanto de coisas naturais que muitas vezes nem sabemos apreciar.

Outro dia vi pela televisão algo lindo, um papagaio europeu, ele era todo feito de um degrade de cinza, começava bem clarinho e terminava num tom mais escuro, mas o que eu mais achei incrível foi sua calda vermelha... Uma verdadeira pintura, combinação perfeita – Obra feita por Deus... Me pergunto, nesse universo de tamanha beleza, o céu, as estrelas, o mar, as cachoeiras, flores, perfumes e cores , melodias, sons harmoniosos que penetram na alma, porque o homem destoa tanto, já que ele é o principal personagem de toda essa criação? Basta olhar o milagre da vida para ter certeza que fomos criados para contemplarmos essa plenitude gratuita.

O que nos falta então? Será que a ambição é mais forte? O homem só tem uma certeza, a morte e essa ele não pode mudar. “Cachoeira” passará, mas não passarão as cachoeiras belas deste mundão. 


domingo, 13 de maio de 2012

Pra não dizer que não falei de flores



Encontramos pelo caminho pessoas parecidas ou não, fisicamente de várias feições...  O que temos em comum, são os olhos, nariz, boca, detalhes que nos identificam como seres humanos. Mas se somos compostos também de alma e essa é invisível, como podemos nos descobrir e perceber nossas reais semelhanças?
Imagino que poderia ser pelo caminho das afinidades. Então acho que, na verdade, seriamos mais identificados pelo que sentimos do que pelo que enxergamos. Temos um avesso guardado, protegido e esse sim é imortal. Existem pessoas de altura e largura interiores que vieram ao mundo para acrescentar, somar, construir. Que iluminam e fazem o mundo valer a pena. Mas existem outras que minusculamente dão suas parcas contribuições, são pessoas egocêntricas, mesquinhas, egoístas, não sabem aproveitar o dom da vida.
Me vem na memoria uma profissão, na verdade é um dom, a de ser bombeiro... Pessoas que apagam o fogo, o incêndio, salvam vidas. Paralelamente existe o incendiário... Coloca o fogo, incendeia e mata cruelmente qualquer tipo de vida.
Na vida podemos escolher livremente o que queremos ser: Bombeiros ou incendiários... Uma escolha que vem de dentro! Temos exemplos cruéis de incendiários que conspiram covardemente, que se sentem com o poder da destruição. São tão acima de uma consciência verdadeira que o que fazem não pesa, acima de tudo esta seu próprio poder, orgulho e suas armas repletas de ódio e balas certeiras.
No entanto, vejo e sinto que o universo tem suas leis e ele é mais poderoso do que tudo, faz sua conspiração divina... Existem também muitos anjos, que semeiam com amor e bondade o caminho de que acreditam num mundo cheio de flores e cores.


sábado, 5 de maio de 2012

Nova estação


Adoro flores, plantas... Cada brotinho novo que vejo brotar verdinho me deixa muito feliz. Me sinto responsável e agradecida pelas vidas novas que vejo desabrochando. Também adoro ter como companheira minha mais que amiga Nina, seu corpinho peludo e quentinho, sua respiração em sintonia com a minha, me lembra que estou viva,  infinitamente VIVA!

Adoro ter sido multiplicadora de vidas, ter dado através do meu ventre a vida dos meus filhos... E meus filhos a vida dos meus netos! Adoro poder sorrir e receber sorrisos.

Outro dia a Carol, minha filha mais velha, me falou: “Mãe, não vejo mais você comprar suas “coisinhas”... Suas galinhas, seus pinguins, seus galheteiros, enfim aquelas coisas todas de casa que você sempre adorou comprar, copos novos, mantas, almofadas, você sempre tinha uma novidade para sua casa!”. Disse isso num tom meio perplexa... Fiquei pensando!

Hoje, recordando a minha conversa com a Carol, descobri o que mudou para mim, não é que deixei de gostar dessas coisas todas, aprendi a gostar mais das coisas que já tenho, aprendi a olhar com mais carinho tudo que me cerca. Minhas 10 galinhas (adoro galinhas de enfeite porem, tenho pavor, morro de medo, das de verdade - rs), os meus 8 pinguins e tantas outras excentricidades,  como minha chaleira de porquinho, ganharam de mim um olhar novo. Não sou colecionadora de objetos, o que já possuo é suficiente para me alegrar, adoro minha casa enfeitada, sou romântica, cada canto cada espaço é muito especial.

 Não quero comprar coisas novas para ter de guardar as outras, quero curtir sim outras coisas novas! E aí, o que mudou em mim? Me sinto despojada, desejando ter experiencias “novas”, sair de dentro de um mundo conhecido para outros horizontes... Olhar mais para as pessoas, olhar mais para os lugares, descobrir que o céu é infinito e o mundo não é uma rua e nem uma sala de visita... Como é imenso!

Não existem as quatro estações - Primavera, Verão, Outono e Inverno?  Não são sete as cores do arco-íris? Que graça teria a vida da gente se fosse sempre noite ou sempre dia? Gostei de mudar!


domingo, 29 de abril de 2012

O pedaço maior de mim

Outro dia Sheila, minha fisioterapeuta, me fez uma observação, me disse assim, “Acho tão engraçado quando você fala com seus filhos, você se refere a você na terceira pessoa, assim, a mamãe faz para você, a mamãe esta com saudades, a mamãe te ama...” Achando graça e rindo muito ainda concluiu  “Parece o Pelè, ele que se refere a ele dizendo porque o Pelé joga bola, o Pelé esta orgulhoso com esse time... Ele fala dele como se fosse uma outra pessoa e você faz também assim, repara!”

Não é que é verdade, me peguei diversas vezes falando assim, não apenas com os meus filhos, mas principalmente com os meus netos.

­_Vovó você brinca comigo?
_A vovó brinca com você, meu amor!
_Vovó faz agora meu mama?
_A vovó vai fazer seu mama...
_Vovó, você comprou bala?
_A vovó comprou bala
­_ Vovó me conta uma historinha?
_A vovó conta!

Mãe, vovó... Como é divino e majestoso estas duas palavras! Não são verdadeiras palavras.  São mantras, orações! Cala tão fundo na alma, como uma melodia, um som único como uma digital, ecoa dentro como sinal , uma senha, só sua.

 Eu não digo desse prazer com exclusividade de quem gera no ventre um filho, digo amplamente desse sentimento de tantas outras mulheres que geram pelo coração... Ambos são escolhas, escolhas que se formam de uma liberdade... Liberdade própria do Amor!

O amor não tem limites, não tem preconceitos, ele é feito sem receita, ele é entendido pelo olhar. Por isso respondo para a Sheila, toda as vezes que falo “a mamãe” ou “a vovó”, falando de mim mesma, é mesmo da Mamãe ou mesmo da Vovó, pois nesse momento de troca não é a Clotilde que diz e sim meu coração, um coração de mãe repleto de amor!

Quando escuto mamãe ou vovó, vou usar uma metáfora, é como se jogasse uma pedrinha numa lagoa... Não formam ondinhas? Então, acho que é assim, quando escuto mamãe ou vovó é a mesma sensação, ondas numa mesma sintonia, ou mesmo um violino que só transmite sua melodia quando tocado pelo arco, a única diferença é que todo esse sentimento passa por uma transfusão ou uma simbiose que vem das entranhas,  é invisível e ao mesmo tempo real.

A mamãe – a vovó – acha que essa foi a maior missão e a maior recompensa de sua vida! Um beijo para Carol, Cacau, Ia, Lu, Pedro, Enzo, Enrico e quem mais vier!