sábado, 28 de janeiro de 2012

Só a Vera Lucia mesmo!

Vera Lucia é uma super querida amiga, ela tem o RG igual ao meu e me diz que anda perplexa com essa história de idade, não sabe bem lidar com tais mudanças. O pior é que ela acha que está ficando surda e meio cega... Exagerada. Risos!
Ela esta namorando e seu namorado é um pouco mais novo, pessoa bem antenada com a tecnologia e muito viajada... Sabe de coisas de um  mundo que ela andava meio por fora. Confusa, não sabe se procura um geriatra ou faz terapia. Nos encontramos sempre nas caminhadas matinais e ela faz questão de manter sua forma física, pelo menos nisso ela dá de dez a zero em muitas meninas, pois é magra e mantem um visual bem jovem.
Me contou coisas bem divertidas, como por exemplo, no dia que estava com o namorado e passando por uma rua viu escrito na placa de uma padaria: “PÃO DURO” e comentou com ele: “Nossa que nome nada convidativo para colocar numa padaria...”. Ele olhou e nada comentou. Depois de uns dias passando pelo mesmo lugar, olhou para a mesma padaria e leu: ”PÃO DE OURO” e ai foi sua vez de olhar para o namorado séria e nada comentou...
Também passou carão na época de um campeonato de futebol em que o Palmeiras seria campeão e seu técnico era o Felipão o namorado fez um comentário relacionado ao Felipão, e ela entendeu que ele o Felipão estava em Cuba, detalhe, ele havia dito: “Felipão não tem culpa!”.
Vera Lucia tem uma miopia muito forte costuma dormir com seus óculos, pois garante que ao acordar quer enxergar e sem eles não vê nada... Fica tudo nublado! Quando está com seu namorado usa uma estratégia, para ele não vê-la de óculos, levanta antes coloca suas lentes de contato, volta para cama e até dorme mais um pouquinho. 
Ela também me confessou algo difícil de lidar... Seus cabelos crespos vivem as voltas com chapinhas e escovas para deixa-los bem lisinhos. Então para entrar numa banheira de espuma com seu namorado - olha que sex! - precisa usar uma touca de banho de plástico, do tempo de vovó virgem... Palavras de Vera Lucia. Amiga, só falta você me dizer que se empeteca de cremes. 
Seu namorado não diz nada... Ela desacostumada com tais novidades me confessa que vive nervosa. Outro dia comprou uma base nova pra se maquiar, pois anda mais vaidosa, e na hora que seu namorado olhou para ela não se conteve e disse: “Você mudou de cor!”. Foi aí que reparou que estava negra, a base que ela comprou era para pele morena/negra, detalhe: Ela é mais branquela que a Deborah Evelyn. Vera Lucia corou e, olha, tem outras coisas que eu considerei impublicáveis. Prefiro nem comentar! 
Amiga querida, relaxa, tem coisas nessa vida que seu cartão Visa não compra... Te vejo feliz e isso é importante. Faças seus exames rotineiros, vá ao oculista! Faça uma audiometria... Ah, e não se esqueça de olhar seu coração... Amor faz bem para pele, tira mau humor e da novos sonhos. Portanto vá em frente, seja muito feliz!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Flor de Primavera

Falando de RG, recebi um e mail de uma amiga que leu o meu texto e rindo me contou que seu RG é 600. risos!
Ela diz o seguinte: “Clotilde, nunca me senti tão jovem. Há cinco anos fiquei viúva depois de passar os meus últimos quinze anos cuidando do meu marido doente. Hoje, refeita de tanta dor, pus-me a seguir em frente. Claro que não conto muito com o apoio dos meus três filhos homens, eles são extremamente machistas e querem cuidar de mim como se eu fosse uma criança, mas enfim faz parte de um contexto cultural que não se muda da noite para o dia.” E  continua dizendo que, assim que ficou viúva se sentiu nascer de novo. Ela é bem bonita, tem olhos azuis cheios de muita luz, pele conservada e sempre bem arrumada. Bom, ela conta que agora sai com amigas e vai  para os bailes da terceira idade, dança e tem até um par.
Ela se diz apaixonada e feliz. Outro dia chegou em sua casa depois das cinco horas da manhã, entrou como se fosse uma adolescente, tirou os sapatos para não fazer barulho, pois um de seus filhos, solteiro, estava dormindo... E confessou que estava meio tontinha, ressaca de uma noite feliz.
Achei incrível toda a historia da Flor de Primavera. Ela pediu que eu não falasse seu nome verdadeiro, ela pede descrição, claro amiga querida, obrigada pela confiança.
A juventude esta na alma, concluí que  não importa quando acontece o start da sua vida, o importante é acreditar que você nasceu para viver e pode usufruir da sua vida se permitindo ousar, se desafiar a buscar caminhos novos e não se contentar olhando o relógio marcar as horas, como se você fosse um criado-mudo. Hoje eu quero falar muito, rir, estar aqui nesse mundo que não para nunca,
Linda amiga, estou contagiada com a sua energia. É muito bom conhecer pessoas que nos ensinam, por isso vou dividir seu exemplo com outros amigos queridos. Beijos!
Para finalizar esse texto, quero lembrar que todos nós já tivemos o perfume da juventude e, para mostrar que ser jovem já fez parte de todos nós, não importa o RG, quero mostrar a beleza de uma mulher que, sem duvida, será lembrada como linda e bela. 
Só não envelhecem aqueles que fazem sua viagem, antes, para um outro mundo, onde a importância da idade não existe, lá o RG é totalmente feito de outra maneira... E eu nem quero saber como!


sábado, 14 de janeiro de 2012

50: Carta fora do baralho

Um dia estava pensando o quanto a vida é ingrata.. Não sei se é a vida ou somos nós que nutrimos tal sentimento. Dele veio a vontade de ter um blog e colocar o nome de RG 9.000. Alguma coisa dizia para mim como nós, mais velhos e ao mesmo tempo tão jovens ainda, ficávamos esquecidos. Não me recordo de nada que faz referencia a nós, de meio século, e acho triste, afinal somos ainda parte integrante desse universo. Rs
Nem o Rei Roberto Carlos fez música para nós. Ele fez músicas para baixinhas, gordinhas, mulheres de óculos e até para as quarentonas. Mas nós, cinquentonas, não recebemos nem uma homenagem! Só mulheres jovens são chamadas para propagandas de lingerie, como se nós não tivéssemos mais aquele “corpicho”. Tudo bem, mudou um pouquinho... O triste é que só aparecemos em propagandas de cremes que mostram como se faz para evitar as marcas do tempo.
Muito injusto, mas sei que o tempo passa e fico abismada quando vejo no Face book pessoas que conheci ainda na barriga de suas mães, hoje são elas que estão com seus filhos pequenos.
Lembrei de uma música que fala um pouco da mulher mais velha, aquela do Sergio Reis, Panela Velha! Puxa quanta honra sobrou para nós... Fazemos comida boa! Sensacional, continuamos sendo lembradas na cozinha... Fazendo galinhada!
O incrível é que, mais do que nunca, nós mulheres maduras estamos em evidência. O que dizer da nossa presidenta da republica que tem um RG mais ou menos 9000 e governa nosso país ou então de algumas atrizes que continuam protagonizando novelas importantes ainda cheias de charmes.
 Nesse nosso novo e moderno mundo, onde existe até cigarro eletrônico e podemos usufruir de tanta tecnologia – peitos de silicone, plásticas cada vez mais convidativas - percebo algo que não da para mudar... É a nossa idade. Não tem como olhar para o espelho e pensar: sou ainda uma mocinha! É missão impossível, mesmo porque já ganhamos tantãs experiências, muitas de nós somos até avós.
Quando olho e vejo a caminhada e a construção da minha idade e percebo em mim um coração jovem indago ao Criador: Com que cara ele me vê? Será que é como me vejo no espelho ou se é a cara que o meu coração tem? Por fim, detesto quando me chamam de senhora... Não quero ser fofolete, mas sim uma mulher de RG 9.000, cada dia mais convicta que a juventude é um estado de espirito.
O RG 9.000 é o registro de um tempo, de uma era super criativa, por isso vai ser difícil envelhecer... Seremos jovens para sempre!!!


sábado, 31 de dezembro de 2011

Festa quase trágica

Fomos passar o ano novo em um haras, no interior de São Paulo, um lugar muito bonito. Todos nós estávamos felizes, a familha toda reunida, até a Nina estava. Fora da casa havia um espaço coberto, como se fosse outra casa, porém sem portas. Lá tinha uma cozinha bem grande, era o lugar perfeito para nossa reunião. A piscina ao lado, tudo perto, dia de sol, musica, risadas.
Quando dei inicio aos preparativos da ceia, ainda de manhã, pedi ao meu filho Luís Fernando sua ajuda, pois ele é um ótimo chef, os demais curtiam aquela gostosa manhã , na piscina. Entretida, me divertia escutando o falatório, o Lu, todo ocupado, preparava o tender, com uma faca bem afiada, fazia os famosos losangos para colocar os cravos, tudo tranquilo... De repente, o Lu, branco e muito pálido, me fala assim: “Mãe cortei o pulso!” O que qualquer pessoa pensaria? 
Entrei em desespero, primeira providencia, sem olhar, joguei um pano de prato para ele cobrir o braço.... Ele continuava nervoso e me pareceu muito assustado, comecei a gritar feito louca, já imaginando meu filho se esvaindo em sangue e como seria seu socorro pois era bem longe da cidade. Todos vieram correndo, saíram da piscina assustados com os meus gritos... O terror tomou conta, quem iria levar o Lu ou mesmo olhar a gravidade do ferimento. Foi quando o Hilton se aproximou, tentando parecer calmo, tirou a toalha do braço do Lu...
            Para nossa surpresa, o tal corte no pulso era totalmente insignificante, um risquinho de sangue. Que sangue? Apenas um leve corte, bem inexpressivo! Graças a Deus, mil graças! Por um momento achei que aquele final de ano seria a maior tragédia.
Na hora da Ceia, recordávamos e riamos muito do incidente. Foi um delicioso jantar, comida caprichada, noite linda! E juntos, todos felizes brindávamos o novo ano, inesquecível, estávamos ansiosos a espera do Enrico meu primeiro neto...
Recordo desse réveillon e aproveito o tema para desejar a todos  que o ano de 2012 seja um ano de PAZ, AMOR e de realizações plenas!! Beijos! Que o velho adormeça e o novo nos traga a esperança da vida!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Parei e refleti



Olhando a Avenida Paulista toda enfeitada e linda, movimentada, em clima total  de Natal, não  consegui deixar de refletir. A mesma Avenida Paulista, palco de tantas intolerâncias e vandalismo, nesse mês de dezembro o que mais se vê por lá são pessoas se divertindo com toda a magia de enfeites e papais-noéis.  Lembrei de um filme que assisti na seção da tarde, na época que era gostoso e gratificante passar a tarde vendo filmes românticos de humor, filmes de grandes mensagens...não me lembro do nome desse filme, sei que era numa cidade do interior dos Estados Unidos e mostrava a vida de uma menina, vou chama-la de Greice, pois não me lembro do seu nome.
Greice era ma criança linda, loirinha e de olhos azuis, vivia com sua mãe na maior pobreza. A mulher era alcoólatra  e muito revoltada, a filha não era amada por ela, era tratada com indiferença  e desprezo e não recebia nenhum tipo de cuidado... Literalmente abandonada! Um casal da cidade, o marido era médico, que não tinha filhos, condoídos com a situação de Greice, pediram para a mãe a adoção da menina, para poder cuidar e também ama-la.
Adoção concedida, Greice chegou em sua casa nova - pais novos, vida nova – blindada, não se permitia ser amada. Seus novos pais percebendo essa dificuldade de se adaptar, com muito carinho deram pra ela um pássaro, também vou batiza-lo de Sol. Greice se tornou inseparável e o considerou seu melhor amigo, com ele sim ela demonstrava amor confiança e carinho.
Matriculada na melhor escola da cidade e lá todos conheciam a sua historia de abandono, novamente foi rejeitada. Nenhuma criança de sua classe conversava com ela... Ficou totalmente excluída! Um dia sua professora perguntou para ela se Greice tinha amigos, então, a menina contou do Sol, seu único e melhor amigo, quase um pássaro encantado.  Foi aí que, pela primeira vez, seus coleguinhas fizeram contato com ela, todos queriam conhecer o Sol.  Greice convidou sua classe toda para conhecer seu famoso amigo.
  Sol fez o maior sucesso, voava livre em seu quarto....era tão pequeno e delicado.... Mas, nesse alvoroço de novidade, um coleguinha de Greice tirou do bolço de seu uniforme varias pedrinhas e começou a jogar no sol, as crianças se agitaram e, gargalhando, começaram a fazer o mesmo. Greice o que fez? Vendo aquele bando de crianças, todas unidas e ela toda fazendo parte da turma, pegou uma pedrinha, depois outra, mais uma e  seu melhor amigo todo machucado, morto... Morto por um bando de crianças!
Ao ver seu melhor amigo sem respirar, parado, sem voar, ela saiu correndo do seu quarto e pela primeira vez procurou o abraço de seus pais adotivos. Foi naquela hora que se abriu e se deixou ser abraçada por eles. Em  prantos sentiu a dor do que fez! Matou seu melhor amigo!
Não maltrate seu coração e nem a sua alma. A beleza do ser humano é ser puro e muitas vezes para nos sentirmos aceitos e acolhidos esquecemos a nossa essência. Que o desejo  do amor seja sempre nosso verdadeiro caminho.  Quem se sente amada e respeitada sempre vai amar e respeitar o outro! Um feliz Natal pra todos!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sou ré, confesso!

Estava de antena ligada na conversa de três meninos, sentada a beira de uma árvore num parque gostoso e me divertindo com a conversa dos três. Um falou para os outros: “Você já matou formiga?” Um deles respondeu: “Claro, várias!”. O terceiro menino deu uma risada desafiadora e disse: “Eu mato formigas com meu berro”. “Como assim?”, quiseram saber. “É fácil, capturo a formiga e ponho dento de um copo, quando ela começa a subir eu dou um grito bem forte e ela cai, outro berro ela fica tonta, grito tanto que ela morre.”
Também já matei formiga, barata, sempre achei correto matar pernilongos, mosquitos e ratos. Matar, palavra feia... mas muitas vezes matamos! Até com inocência. Sei que alguns bichinhos são mortos com crueldade... Essa conversa das crianças, provavelmente crianças de sete, oito anos, me fez viajar no túnel do tempo... Estava, com a minha família, na casa de meus cunhados e sobrinhos participando de um lanche bem bacana. Na hora de arrumar a bagunça fui incumbida de tirar a mesa, isso é, pratos, copos e talheres... a toalha toda suja de coca-cola teria de ir direto para a máquina de lavar roupa, mas minha cunhada pediu para eu coloca-la no banheiro das crianças... foi o que eu fiz! Fomos embora felizes, uma tarde bem especial. No dia seguinte: bomba, bomba, bomba!!! Matei as tartaruguinhas de estimação do meus sobrinhos, Fê e Giu. As tartaruguinhas estavam dentro do bidê, justamente onde coloquei a toalha, não enxerguei, pois eram pequenos cágados, não vi. Me senti assassina! Elas morreram sufocadas... considero uma verdadeira maldade! Que dó! 
Bem eu que só mato baratas, que são asquerosas. Sou do tipo que tenho horror de matar, mesmo que seja um grilo... Adoro encontrar joaninhas, mandorovás e borboletas me encantam. Esse meu delito, com as pequenas tartaruguinhas, só me fez prestar mais atenção e ter mais cuidado. Sempre olho bem quando vou colocar a roupa suja na máquina, pois acabei de me lembrar que numa dessas, já lavei uma perereca*.




*Perereca, animal anfíbio da família Hylidae, também conhecido por rela.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Por que não era José?


Participei outro dia de um jantar de negócios com quatro senhores, um evento bem formal. Fui acompanhada de um irmão e ele antes de chegar ao restaurante me disse: “Você está tão acostumada a fazer os pratos dos seus filhos que é bem capaz de querer cortar o filé do prato do dono da empresa, presta atenção, pois hoje você é uma mulher de negócios”.
No restaurante, estrategicamente, meu irmão sentou ao meu lado. Descobri depois o intuito, sai de lá com minha canela cheia de pequenos roxos, por varias vezes, quando ia falar sentia seus delicadinhos chutes me censurando.  Já bem segura do meu papel de mulher de negócios, resolvo perguntar o nome de um dos senhores, “Como é mesmo o seu nome?” Que pregunta mais infeliz que fiz, antes tivesse ficada calada.
Preciso fazer um aparte, foi na semana que eu ia postar o texto contando sobre o meu nome e como superei chamar Clotilde, pois por muito tempo meu nome me dava muito desgosto, fiz nessa mesma semana algumas pesquisas para encontrar nomes estranhos em desuso, encontrei vários, bem piores que o meu, tipo:  Bocetildes, Gervasio, Pauterio..... Então eu estava povoada com tantos nomes não comuns, tudo muito fresco na minha cabeça.
Voltando a minha pergunta “como é  mesmo seu nome? Ele respondeu: “Eucario”. Não teve como escapar, na hora me deu um ataque de riso, momento de silencio, as lagrimas escorriam dos meus olhos, evitei olhar par o meu irmão, fingi estar tendo um acesso de tosse. Não conseguia parar de rir...todos na mesa perceberam, mas continuaram a conversa, foi o momento que o chutinho do meu irmão doeu mais, levantei da mesa, fui ao toalete e nada, estava chorando de rir!
Dr. Eucario, no mínimo, gostaria de me dar o troco. Na hora, me fuzilou com os olhos, devia estar pensando que moral eu tinha para tirar sarro do nome dele...Como se meu nome fosse lindo... Na saída meu irmão falou, “Clotilde você não é filha da mesma mãe” entre outras coisinhas mais!
                Só para constar, Dr. Eucário, naquele momento de riso me senti super solidária ao senhor e, digo mais, nossos nomes não são lindos mas são exclusivos, não é mesmo?