sábado, 27 de agosto de 2011

Livre como um peixe

 
Quando era adolescente, morava em Vila Galvão, um bairro de Guarulhos. Era um lugar privilegiado, havia um lago muito bonito e a natureza era bem abundante,
Mas o que eu mais gostava era do Clube, o “Nosso Clube”, considerava a minha segunda casa. Lembro com saudade dos bailes e festas juninas, também de pessoas que, sem dúvida, não dá para esquecer, Seu Silvio, Seu Nelson, Seu Eduardo, Dona Marina, Dona Inez e uma turma de amigos bem bacana.
As piscinas deliciosas me fizeram ter uma grande identificação com a água, portanto nadar era uma paixão, adorava mergulhar e atravessar 25 metros de baixo d’agua. Nadava clássico, crawl e borboleta, tinha meus talentos atléticos e me considerava um peixe. Talvez por isso, tenha sido convidada para participar de um campeonato de natação, o “Inter Clubes”, aceitei convicta, era uma forte concorrente.
No dia da prova clube lotado, torcidas organizadas, todo mundo estava em festa. Meus pais e irmãos todos lá para me prestigiar. Já me via com as medalhas penduradas no pescoço, corria de um lado para o outro fazendo aquecimento, me sentindo a dona do pedaço, pois na minha prova eu era a representante oficial do “Nosso Clube”.
Chegou enfim o momento mais importante, a torcida já gritava meu nome e me preparei para o mergulho, o juiz apitou.
Sai nadando clássico, o estilo mais lento da natação...Da para acreditar?! Isso mesmo, quando o apresentador do evento anunciou a prova e disse nado livre eu entendi que era mesmo livre e então caprichei achando que eu poderia escolher qualquer estilo, só que pela regra era pra sair no crawl.  Só escutei as vaias...Uhhhhhh! Fui a última a chegar...Que mico! Passei a maior vergonha...


sábado, 20 de agosto de 2011

Joaquim e Joaquina

Estava na sala de jantar observando o Joaquim, nosso canário amarelo.
Ele passa seu tempo no poleiro, praticamente é só isso que ele faz, sempre na mesma posição. Achei bem sem graça sua vida, logo me imaginei nessa posição, parada, olhando sempre o mesmo lugar, que triste!
Será que lá no céu os anjos voam? Ou ficam em suas nuvens branquinhas, silenciosos e sonolentos?
Como o Joaquim se diverte? E os anjos?
Resolvi fazer uma experiência, comprei uma canarinha para fazer companhia para o Joaquim e pedi para nossa secretária, a Noi, que há muito tempo trabalha em nossa casa, para escolher um nome para a nossa mais nova agregada e com muita criatividade ela a batizou de Joaquina.
Percebi que algo mudou na vida do Joaquim, ele está mais feliz, se agita, pula de um poleiro para outro...Ele não é mais o mesmo.
Agora o Joaquim olha para a Joaquina... Se olham e cantam, um par de namorados, um casal de amigos!
E acho que os anjos também se divertem... Eles usam suas nuvens para namorar as estrelas, o luar, fecham seus olhinhos para contemplar o arco ires, deslizam pelos raios do sol, pulam de nuvem em nuvem brincando de amor, rindo de paixão...Tendo no universo a paz . Como os anjos e os pássaros, nós seres humanos precisamos da beleza do amor para existir e realmente ser feliz!!!


sábado, 13 de agosto de 2011

O Baile da “Graça”

Salve, salve as nossas memórias...Não é que fui buscar no meu baú de Narizinho uma historia que eu achei ótima.
Tenho uma amiga de muito tempo e ela me revelou que seu primeiro baile de mocinha ficou marcado para sempre. Não como uma boa lembrança e sim como algo que até hoje a faz corar de vergonha.
Foi na década de 60, os tempos eram bem diferentes, primeiro preciso dar algumas informações:
Na preparação do dia do baile, as mocinhas acordavam cedo, iam ao salão de beleza, lá passavam a manhã inteira com bobs e pequenas redes para preservar os cabelos até a noite, pintavam as unhas com cores claras e delicadas, faziam as sobrancelhas a Lá Greta Garbo, bem fininhas. Depois, passavam a tarde imaginando qual vestido e sandálias que ficariam mais bonitos para a ocasião.
Era um dia de muitos sonhos, afinal era comum encontrar um príncipe encantado, todas as moças se esmeravam, o dia era todo voltado a esse evento. Esqueci de contar, as meninas usavam vestidos longos e os rapazes ternos, era bem formal, as mocinhas nunca iam desacompanhadas ou iam com seus pais ou com uma tia solteirona...Eu tive uma tia solteirona, tia Irma muito querida, ela era a nossa guardiã nos bailes de mocinhas!
Segunda informação: O salão ficava todo propicio ao amor. As mesas tinham arranjos lindos, flores e velas.  A orquestra era toda preparada para esse clima, era noite de romance e musicas, para namorar até casar...
Voltando ao que aconteceu com minha amiga... ELA cumpriu todas as exigências, foi linda para o baile. Mas ficou horas esperando...esperando e não recebia um convite para dançar. Estava toda cheia de si, mas nada acontecia.  Já estava ficando entediada ou talvez infeliz, foi quando um rapaz se aproximou e  falou com ela. Mais que depressa ela se levantou, pronta para a dança, mas ele repetiu: “Dá licença para eu passar!!!”
Ela sorriu um sorriso amarelo e o rapaz passou...Coitada, Ficou com enxaqueca, precisou ir embora e ate tomar Engov.


domingo, 7 de agosto de 2011

Dona Irene

Sábado, 6 de agosto de 2011, 9:30 da manhã, atendo meu celular, é dona Irene. Ela é amiga da minha tia Estela, ligou para saber o numero do celular da minha prima Ligia, pois queria cumprimentar minha tia, que faz aniversario.
Falei que eu não estava na minha casa, portanto sem a minha agenda. Perguntei por que ela não ligava para a casa do meu pai, assim conseguiria o numero.
Ela me falou: “Já liguei e ele esta assistindo a missa, não quis interrompê-lo”.
Meu pai vê todas as missas da Rede Vida, momentos “Sagrados”, ele não fala com ninguém. Dona Irene e eu começamos uma conversa bem gostosa, ela quis saber a idade do meu Pai , contei: “86 anos e a senhora?” Toda orgulhosa diz: “89”.
Sua voz firme e sua lucidez me impressionaram: “A senhora deve estar muito bem...”
“Graças a Deus, agradeço a ele todos os dias, ainda dirijo, viajo, faço compras, sou feliz.”
Como é bom escutar pessoas entusiasmadas pela vida. E ela ainda me diz, tenho uma filosofia de vida: “Tem pessoas que só olham para baixo e só vêem os buracos, eu não, gosto de olhar para cima, vejo o céu e as flores.”
Nossa quanta sabedoria. E ainda bem humorada finaliza rindo: “Olho tanto para cima que às vezes levo uns tombos, o último que levei quebrei uma costela, só que quando levanto há sempre uma nova flor para eu olhar!”
Lindo, dona Irene, que haja sempre um jardim em sua vida, Parabéns.


sábado, 30 de julho de 2011

A estrela cadente


Era uma noite escura de outono, sim, haviam estrelas pipocadas no céu, uma lua gorda e generosa olhando pra mim. 
Estava distraída dirigindo meu carro, ouvindo a música de sempre (My way), pois a acho linda.
O farol fechou e eu, tão envolta em meus pensamentos, nem percebi um cadeirante se aproximar do carro e falar: “Me dá um sorriso?” Eu na hora respondi: “Não tenho!”. Então ele disse: “Mas eu só te pedi um sorriso..." e eu sorri pra ele. Foi um sorriso puro e espontâneo, como se de repente tivesse visto uma estrela caindo do céu. Como alguém te pede um sorriso? Quer coisa mais gratuita que isso? Sem saber, ele me proporcionou uma enorme vontade de rir, não apenas um sorriso, fiquei feliz,  me senti feliz...
Temos cinco sentidos, visão, audição, olfato, paladar e o tato. Não somos parados, estáticos, temos movimentos e vivemos. Executamos todos os nossos sentidos e sorrir me fez ver o quanto estou viva.
Mudei de música, aumentei o som do CD e cantei: “É bonita, é bonita e é bonita...viver e não ter a vergonha de ser feliz...” Simbora gente!


sábado, 23 de julho de 2011

Um mistério intrigante!


Há muito tempo minha irmã Bebel e eu dormíamos no mesmo quarto, era muito bom. Às vezes encostávamos nossas camas e ficávamos horas conversando, sempre havia um radinho embaixo do nosso travesseiro, adorávamos ouvir a Difusora ou Excelsior, naquele tempo as rádios AM mais badaladas, músicas como Feeling, Bem e tantas outras que até hoje fazem a gente sonhar. Adoro voltar ao passado... Dá para perceber, não é mesmo? Tenho algo nostálgico no meu DNA, não é coisa de idade pois sempre fui assim, não se trata de crise ou Alzheimer, acho que fui é muito feliz! A Bebel tinha um coelho de feltro verde com armação de arame, ele era um pouco grande e segurava uma cenoura laranja, era seu enfeite de prateleira. Era comum acontecerem coisas estranhas no nosso quarto (numa próxima vez eu as conto), ta bom, uma só, já plantei até bananeira dormindo... Coisas incríveis num quarto das meninas... Lembra Bel? Dos travesseiros...isso é impublicável! A gente morria de rir.... Bom, voltando ao coelho verde; coitado, jamais encontrado... Bebel acordou no meio da noite engasgada, desesperada, fazendo movimentos estranhos que eu não conseguiria descrever, só sei dizer o que vi e ouvi; ela dizia: “comi o coelhinho, comi o coelhinho, comi o coelhinho!”. Colocava a mão na garganta desesperada e chorava. Meus pais se levantaram e ninguém entendia tanto barulho, luzes se ascenderam e todos acordaram, até os cachorros latiram, foi quase um drama. Bebel suada, transtornada, acho que seu pescoço estava até maior, ela ficou muito assustada e jurava que tinha comido o coelho verde. Mas o incrível dessa história vem agora, a verdade é que nunca mais encontramos o tal coelho, nem verde nem azul, nunca mais se viu o tal enfeite. Quando olho para o passado, fico abismada e pergunto: “Bebel, onde estão os arames? A cenoura? O feltro verde? O Que aconteceu?” É... não temos respostas.

Ela jura que seu coelhinho foi tragado num momento de bocejos e depois, de um susto enorme, não conseguiu colocá-lo para fora. Segundo ela, ele está alojado em uma de suas vértebras e quando o tempo muda, ela sente muita dor.

A verdade é um mistério, não tenho provas concretas, mas percebo que às vezes Bebel me lembra vagamente uma coelhinha. Beijos Clô.


sábado, 16 de julho de 2011

Como é seu Deus?

 
Ele tem olhos orientais ou olhos ocidentais??? É gordo ou magro???
Suas roupas são de surfista ou usa terno e gravata??? Fala inglês ou alemão? Tem mãos grandes, mais de 2 metros de altura, é um atleta que faz caminhada no céu e conversa com todo mundo? Ele dá risada, chora, ouve música... Qual é seu filme predileto, será que gosta de assistir novela?
Como é seu Deus? Ele te escuta sempre e troca idéias com você? Ele é jovem ou velho? Seu Deus tem sonhos... Se comove, se agita, fica perplexo com o mundo? Ele gosta de um vinho ou prefere Coca Zero... Como é seu Deus?  Você é íntimo dele? Ele conhece seus desejos, te visita? Ele gosta de pizza?
Te carrega, te levanta, com qual igreja Ele se identifica e em quais esquinas Ele para, toca e abraça as pessoas?  Seu Deus tira férias... Faz viagens para o Nordeste, vai para a África, Pólo Norte ou faz maratonas...Investe na bolsa? Ah, já sei, assiste Datena! Escuta as previsões do tempo...
Como é seu Deus? Você o chama de amigo ou Ele te chama de filho?  Ele fica bravo, tem depressão, se encontra num happy hour para relaxar com seus escolhidos? Ele é só ou namora? Como é seu Deus? E a Sua casa, tem grades nas janelas, portas grandes, jardim, cachorro de estimação ou gato, talvez canários!
Já sei, vai convidar um exército de homens influentes para seu próximo almoço e talvez mulheres tristes para um chá  das 5 horas. Espere, acabo de escutar um trovão, acho que ouço Sua voz, escuto um sussurro que vem com o vento... Nossa, que calor! É ele que chega me dizendo: “Filha, - Numa voz de violino - você não Me vê , mas você pode Me  escutar. Sou o regente e criador desse infinito de luz, do dia, da noite,  do mar. Você gosta?”. “Sim”, por isso pensei numa canção para mostrar o quanto gosto daquilo que me mostra. Como ele consegue criar tudo isso? Deve ser por muito amor! Devo olhar e me encantar, afinal faço parte de tudo isso.
Talvez seu Deus deva ser do jeito que você imagina... o meu Deus pode voar, se multiplicar, se dividir, estar agora aqui e também em vários outros lugares. Ele não é exclusividade  minha, mas segura minhas mãos, me abraça, me escuta....