segunda-feira, 16 de março de 2015

Coisa de Vó

Enzo tem cinco anos, ele me diverti com suas observações, o que me encanta é a pureza dos comentários...
Por que falar do Enzo, tenho notado seu olhar um pouco triste e num desse dias passados ele assistindo uma postagem de uma Calopsita , desandou a soluçar, chorou um bocado e nos sensibilizamos muito.
Na casa do Enzo, morava o Sol, uma calopsita amarela de bochechas alaranjadas, o Sol vivia livre e adorava pousar na cabeça de todos, carinhoso, pedia cafuné e quem não se derretia por suas graças...
Um belo dia, uns meses atras,o Sol bateu asas e voou... foi para onde, nunca mais voltou...
Como gostaria que fosse uma historia de final feliz, talvez uma estorinha contada na hora de dormir, cujo o final fosse assim, " Numa linda manha de sol, quem chega cantando na janela do quarto do Enzo, o seu amigo Sol"!!!.
Tão pequeno, Enzo, e já percebendo que a vida é bem mais complicada, não tem nada de um conto de fadas e ai surgem os medos, criança tem suas angustias, suas perguntas sem respostas.
Outro dia fez um comentário, bem curioso, "Já pedi tantas coisas para Deus, mas ele não me atendeu"!
Claro que seus pedidos, são  de um menino de cinco anos, que sonha em ganhar muitos presentes (quer o mundo e o fundo).....
Mas seu olhar deixa claro, ele já sabe que tem partidas sem voltas.
Para o meu neto querido Enzo, o meu abraço de mãe, meu colo de avó e todas as orações que eu sei,
para Enrico, Pedro, Alice, queria guarda-los no meu ventre de mãe, infinito amor!!!!


 
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sábado, 14 de março de 2015

'IRMA&SAUDADES.... saudades de você!!!!

"A chuva caiu, caiu lá na serra, molhou minha alma, lavou meus pecados"
E foi assim no dia marcado, na hora certa, ela se foi...
No carrinho de mão, caminhou sozinha, era certo que o lampião de gaz iluminava
a estrada, os aplausos, as pétalas rosas, o perfume das rosas, as rosas pálidas...
O que eu pude guardar, as lembranças, sua voz, seu sorriso.
No balaustre, que hoje não existe mais, a moça bonita encantava...
protegida em seu mundo de flores, cantava a marchinha de carnaval,
"Um pierrot apaixonado, que vivia só cantando, por causa de uma colombina,
acabou chorando, acabou chorando"......
E assim, partiu, partiu também meu coração, meu coração que só guardava amores,
começava, agora, também guardar saudades!
Saudade, palavra triste, quando se perde um grande amor....
E a chuva caiu, molhou a terra que te escondeu, o perfume da chuva, a chuva na terra
fofa, a terra preparada para florir....
Deve existir um outro jardim, um outo lugar...

quinta-feira, 12 de março de 2015

OUTRA NOITE

Benzinha  acende as luzes da sala, liga a tv, estende a toalha branca sobre a mesa,
o azeite, o sal, o pimenteiro, os pratos brancos, os talheres, as taças coloridas, guardanapos...
Hoje vai ser uma deliciosa salada, alface, agrião, tomatinhos, kani, azeitonas, mussarela de búfala e mais...
no forno  esquentando o tortellini quatro fomaggi, o vinho posto, decantando, tudo pronto.
O brinde de sempre.
Depois o sofá, a manta para esquentar os pés,  mãos dadas, as noticias, a conversa, o filme, o relógio não esquece de anunciar, já é outro dia, uma da manha, o vento balança os anjinhos presos na rede da varanda.
Benzinha vaia na cozinha, enche dois copos com água, Benzinho fecha a televisão, fecha as janelas, fecha as luzes da sala....
A noite descansa, tudo é silencio...



quarta-feira, 11 de março de 2015

TIRANDO DA GAVETA

Já contei essa historia no blog, mas me deu vontade de contar novamente, mesmo porque, quem conta um conto, aumenta o conto, mas é tudo verdade, faz tempo.... uns trinta e dois anos se passaram e hoje me lembrei e ri sozinha, alias chorei de rir....
Estava gravida da minha filha Ana Maria, eu estava na casa dos meus pais, era sábado, aos sábados nos reuníamos sempre, dia da família  toda se encontrar, saudade!!!!
Mas nesse sábado, especialmente, mamãe nos comunicou que sua amiga  Noemi, nos faria uma visita, e logo depois do almoço, a campainha tocou, era Noemi e seu filho Adalberto.
Noemi era uma grande amiga da  minha mãe, uma mulher inteligente, espirituosa, mas no quesito beleza,
não era possível dizer o mesmo.
Mamãe também comentou,
"Clotilde, não vá na sala, melhor você ficar no quarto, você esta gravida  e Adalberto acabou de sofrer um acidente, ele esta todo deformado e você pode ficar chocada"!!!
Mas não resisti e fui  me juntar a eles.
A sala estava com todos da casa, em um sofá Noemi e Adalberto, juntos,  beijei Noemi, e quando fui abraçar Adalberto, aconteceu o inesperado, minha boca foi mais rápida do que minha delicadeza e saiu assim,
"Nossa Adalberto, você esta a cara da sua mãe"!!!!!
Quase de imediato, me virei de costas, tremia de tanto rir, pois percebi o desastre...
e dei de cara com todo mudo rindo....
Na verdade ele estava a cara da mãe, o que me recordo também é do sorriso tordo que ele me deu...
Papai, depois me disse,
"Perdemos uns amigos"!!!

terça-feira, 10 de março de 2015

VOLTAR É PRECISO!

Faz tempo que não escrevo, minha novas crônicas estão por ai.....perdidas em cadernos, em folhas!!!
Tenho desenhado muito, posto bastante no face, mas meu Blog, anda  as moscas!
Inspiração não é como uma receita de bolo, as vezes falta os ingredientes, o essencial, a inspiração...
Porem, hoje me bateu saudade, saudade de ir alem, chamar amigos que fiz e que tanto me prestigiaram,
Andei sumida, até de mim,  mas hoje quero  fazer as pazes... hoje eu quero também me escutar...
pois quando eu escrevo,é minha alma que vai ditando, sentindo, vai pincelando, traduzindo o que eu quero dizer.
Tenho dois lados, um que adora fazer graça, interagir com todos e rir.... me pego em gargalhadas, penso
em algumas pessoas e me divirto sozinha...
O meu outro lado, é o que me torna sonhadora, gosto de dar movimentos ao que falo, pinto de cores os
meus textos e sinto o perfume  das imagens que faço.
Volto ao passado, danço com o tempo, escuto musicas que ecoam na minha historia.
Saudade da minha infância, do porta retrato, da fotografia bonita, mãe, pai e filhos....
um quebra cabeça completo, as peças preenchidas, que formavam um lindo lar!
Conto dos meus amores de mãe, de avó, conto das minhas conquistas.....
das descobertas e do meio  seculo e um tantinho mais da minha jornada.
Ontem a noite quando fui deitar, fiz um desafio, amanha vou voltar as publicar meus
textos, não se deixa para traz um sonho....
Escrever era um sonho, que a muito tempo andava a dormir dentro de mim, hoje sei
o quanto é importante ir em busca do desejo, do que vale a pena, pois a brevidade da vida,
não permite só sonhos, precisamos realizar, a felicidade é a vitoria da conquista!....


segunda-feira, 5 de maio de 2014

O BALÉ DAS FOLHAS

Estou aqui, o silêncio não é bem um silêncio, acabo de escutar o som de um avião escondido nas nuvens...
O dia está nublado, faz frio e esse convite natural de não sair da cama, ela esta quentinha...
Da Janela do meu quarto fico espiando... É uma bela apresentação, o balé das folhas.
Fico em silêncio, como numa plateia calada que admira a delicadeza da apresentação, verdadeira sintonia, a melodia do vento orquestrada por um maestro, o Tempo.
As folhas verdes e seus degrades, desenhos e tamanhos diferentes, bailarinas que se exibem numa coreografia original.
Fixo meus olhos, elas me encantam, nos olhamos e elas me saldam , me convidam a dançar, chego mais perto da janela....
Elas se movimentam gentilmente, descem quase até o chão, como uma reverencia, sobem alegres, se agitam, estão vivas de vida.
E eu, as aplaudo em pé, é o show da vida!!!!!!!!


Por: Clotilde Magano

sábado, 12 de abril de 2014

A criança que habita em mim


Mamãe dizia: “Você é muito sentimentalista (uma  boba)”. Lembro do nó na minha garganta, tudo doía muito, uma sensibilidade que precisei  engolir num choro e desengasgar logo em seguida, para poder crescer...

Os adultos se esquecem que já foram crianças ou apenas fingem que nada existiu... Guardado num porão, junto de discos e revistas,  a infância fica  lá esquecida, como se fosse uma muda de roupa que não te serve mais. Uma mala jogada num canto qualquer, cheirando passado, sem cor, sem voz, longínqua e solitária. A Infância amadurece e muda de nome...
As crianças sofrem, tudo é muito misterioso. Ela curiosa precisa entender o mundo, a angustia é apertada e o medo é real.

Quando tinha uns sete anos, morava  numa cidade pertinho de São Paulo, em Guarulhos, lembro quando fui passar uns dias na casa da minha avó, no interior de são Paulo, em Tietê. Me recordo que a noite era um terror, pois tinha medo de dormir no escuro e a minha avó deixava tudo apagado. Só escutava os passos das pessoas andando na calçada, pensava que fossem os sapatos de salto alto da minha mãe, enfim, ela estava chegando para me buscar, não deixava minha avó dormir, bastava ela fechar os olhos para eu abri-los com as mãos, minha avó não aguentou, mamãe foi me buscar.

Lembro que quando estava no terceiro ano primário, uma coleguinha minha faltou por vários dias, sua mãe tinha morrido... Chorei de imaginar quem ela ia chamar de mãe quando precisasse de  um abraço, nunca mais ela teria o abraço quentinho da mãe, nunca mais... Engana-se quem pensa que criança não sofre crises existenciais. Que criança não tem insônia, dor de cabeça... No meu quarto de menina, imaginava que uma parede era a porta de um outro mundo, lá eu vivia um sonho encantado de castelos  e de bichinhos vestidinhos, onde todos eram amigos e se visitavam, meu refúgio e assim conseguia dormir...

Procurava a cama dos meus pais, o abrigo perfeito, meus pés ficavam quentinhos e meu coração se acalmava. Lembro bem de um fim de tarde, o sol se apagava no céu quase sem nuvens, me senti tão só, tão pequena, mamãe cuidava da minha irmã menor e eu tão desprotegida  naquele momento. Acho que estava  ventando e pela primeira vez senti a solidão. Voltar nesse tempo, que tudo parecia ser de ciranda, me faz lembrar que o anel que tu me deras era vidro e se quebrou e a rua de pedrinhas de brilhante não existe mais!