terça-feira, 10 de março de 2015

VOLTAR É PRECISO!

Faz tempo que não escrevo, minha novas crônicas estão por ai.....perdidas em cadernos, em folhas!!!
Tenho desenhado muito, posto bastante no face, mas meu Blog, anda  as moscas!
Inspiração não é como uma receita de bolo, as vezes falta os ingredientes, o essencial, a inspiração...
Porem, hoje me bateu saudade, saudade de ir alem, chamar amigos que fiz e que tanto me prestigiaram,
Andei sumida, até de mim,  mas hoje quero  fazer as pazes... hoje eu quero também me escutar...
pois quando eu escrevo,é minha alma que vai ditando, sentindo, vai pincelando, traduzindo o que eu quero dizer.
Tenho dois lados, um que adora fazer graça, interagir com todos e rir.... me pego em gargalhadas, penso
em algumas pessoas e me divirto sozinha...
O meu outro lado, é o que me torna sonhadora, gosto de dar movimentos ao que falo, pinto de cores os
meus textos e sinto o perfume  das imagens que faço.
Volto ao passado, danço com o tempo, escuto musicas que ecoam na minha historia.
Saudade da minha infância, do porta retrato, da fotografia bonita, mãe, pai e filhos....
um quebra cabeça completo, as peças preenchidas, que formavam um lindo lar!
Conto dos meus amores de mãe, de avó, conto das minhas conquistas.....
das descobertas e do meio  seculo e um tantinho mais da minha jornada.
Ontem a noite quando fui deitar, fiz um desafio, amanha vou voltar as publicar meus
textos, não se deixa para traz um sonho....
Escrever era um sonho, que a muito tempo andava a dormir dentro de mim, hoje sei
o quanto é importante ir em busca do desejo, do que vale a pena, pois a brevidade da vida,
não permite só sonhos, precisamos realizar, a felicidade é a vitoria da conquista!....


segunda-feira, 5 de maio de 2014

O BALÉ DAS FOLHAS

Estou aqui, o silêncio não é bem um silêncio, acabo de escutar o som de um avião escondido nas nuvens...
O dia está nublado, faz frio e esse convite natural de não sair da cama, ela esta quentinha...
Da Janela do meu quarto fico espiando... É uma bela apresentação, o balé das folhas.
Fico em silêncio, como numa plateia calada que admira a delicadeza da apresentação, verdadeira sintonia, a melodia do vento orquestrada por um maestro, o Tempo.
As folhas verdes e seus degrades, desenhos e tamanhos diferentes, bailarinas que se exibem numa coreografia original.
Fixo meus olhos, elas me encantam, nos olhamos e elas me saldam , me convidam a dançar, chego mais perto da janela....
Elas se movimentam gentilmente, descem quase até o chão, como uma reverencia, sobem alegres, se agitam, estão vivas de vida.
E eu, as aplaudo em pé, é o show da vida!!!!!!!!


Por: Clotilde Magano

sábado, 12 de abril de 2014

A criança que habita em mim


Mamãe dizia: “Você é muito sentimentalista (uma  boba)”. Lembro do nó na minha garganta, tudo doía muito, uma sensibilidade que precisei  engolir num choro e desengasgar logo em seguida, para poder crescer...

Os adultos se esquecem que já foram crianças ou apenas fingem que nada existiu... Guardado num porão, junto de discos e revistas,  a infância fica  lá esquecida, como se fosse uma muda de roupa que não te serve mais. Uma mala jogada num canto qualquer, cheirando passado, sem cor, sem voz, longínqua e solitária. A Infância amadurece e muda de nome...
As crianças sofrem, tudo é muito misterioso. Ela curiosa precisa entender o mundo, a angustia é apertada e o medo é real.

Quando tinha uns sete anos, morava  numa cidade pertinho de São Paulo, em Guarulhos, lembro quando fui passar uns dias na casa da minha avó, no interior de são Paulo, em Tietê. Me recordo que a noite era um terror, pois tinha medo de dormir no escuro e a minha avó deixava tudo apagado. Só escutava os passos das pessoas andando na calçada, pensava que fossem os sapatos de salto alto da minha mãe, enfim, ela estava chegando para me buscar, não deixava minha avó dormir, bastava ela fechar os olhos para eu abri-los com as mãos, minha avó não aguentou, mamãe foi me buscar.

Lembro que quando estava no terceiro ano primário, uma coleguinha minha faltou por vários dias, sua mãe tinha morrido... Chorei de imaginar quem ela ia chamar de mãe quando precisasse de  um abraço, nunca mais ela teria o abraço quentinho da mãe, nunca mais... Engana-se quem pensa que criança não sofre crises existenciais. Que criança não tem insônia, dor de cabeça... No meu quarto de menina, imaginava que uma parede era a porta de um outro mundo, lá eu vivia um sonho encantado de castelos  e de bichinhos vestidinhos, onde todos eram amigos e se visitavam, meu refúgio e assim conseguia dormir...

Procurava a cama dos meus pais, o abrigo perfeito, meus pés ficavam quentinhos e meu coração se acalmava. Lembro bem de um fim de tarde, o sol se apagava no céu quase sem nuvens, me senti tão só, tão pequena, mamãe cuidava da minha irmã menor e eu tão desprotegida  naquele momento. Acho que estava  ventando e pela primeira vez senti a solidão. Voltar nesse tempo, que tudo parecia ser de ciranda, me faz lembrar que o anel que tu me deras era vidro e se quebrou e a rua de pedrinhas de brilhante não existe mais!

sexta-feira, 21 de março de 2014

O tom do passado


Conheci o Arnaldo depois que postei uma foto antiga, da família da minha mãe, no face. Foto dos meus avós jovens e seus filhos pequenos, mamãe ainda bebe. Ele conta que foi vizinho, por muitos anos, da casa dos meus avós, além de ser do mesmo ano de nascimento da minha mãe, diz também da amizade com a família... Lendo sua mensagem, in box, senti algo tocante, como se de repente o telefone tocasse e do outro lado da linha fosse minha mãe - falecida em 2009.

Arnaldo devolveu para mim um raio de sol na estrada perdida do tempo, coberta de folhas amareladas, me deu a sensação de estar num tapete macio e de uma caminhada feliz!

Tietê, 1933, ano de nascimento da minha mãe... Hoje, em 2014 volto distante para as memorias de lá. Escuto sua voz, enxergo sua letra escrita em seu caderno de poesia... Vejo mais: sua juventude perpetuada na foto em branco e preto - doce saudade - lá estão pessoas amadas: Afonso, Clotilde, Irma, Ilse, Irio, Isa... Um momento que existiu mesmo e foi colorido, Arnaldo foi prova disso! Obrigada amigo, me senti voltando pra casa....

P.s. Na fotografia citada não está meu tio Ivo, ele ainda não tinha nascido.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Ao som de Prelúdio


Sentada em sua cadeira preferida, Dona Francisca, de olhos fechados, sonha com os tempos coloridos da sua vida. Muitas vezes prefere ficar assim, de olhos fechados, como se pudesse ressuscitar as vozes, os passos e quem sabe os dias felizes que ficaram pra trás.  
          Dona Francisca gosta de dizer que tem 88 anos, ela mesma se surpreende com a sua idade, não  gostaria de estar velha e tão pouco de precisar do auxílio de cuidadores. Ela, que era tão independente, hoje se vê quase cega e com sérios problemas na coluna, perdeu  o timão do seu barco e tudo ficou a deriva.
          De olhos fechados consegue voar, talvez sonhe com seus filhos quando ainda eram crianças e juntos se reuniam à mesa de jantar para saborear sua comida, comida de mãe feita com tanto carinho. Hoje seus filhos já estão adultos, cada um num lugar diferente, não é mais tão fácil reunir toda família, os netos ela adora, também já tem quatro bisnetos... Quem diria que veria tudo isso?
          Seu marido partiu há alguns anos atrás e ela está viva, mais ou menos viva, como costuma dizer, sente tanta saudade, saudade que dói e não tem remédio que cure.
          Dona Francisca segura a minha mão... “Mão de menina”, fala com sua voz um pouco fraca. Sinto o esforço que faz para não perder a conexão com a realidade... Ela me pede com carinho para que eu a visite, se sente muito só e eu sinto a sua solidão. Novamente segura a minha mão e pergunta se sou feliz, digo que sim e ela sorri.
           Me fala também da música que estamos ouvindo: “É do Vinicius de Morais, Prelúdio de Amor, linda musica”. Ainda pergunta: “Ele já morreu?”. Digo que sim e ela fecha novamente seus olhos e reflete: “Para onde ele foi?”.
          Fecho meus olhos pois não sei a resposta, tenho que ir Dona Francisca... Ela me pede, com seus olhos quase sem luz: “Fica!”. Seguro suas mãos tremulas e prometo que volto amanha...


domingo, 10 de novembro de 2013

Profissão: Mãe



Sônia andava nas nuvens, imaginando a roupa que iria usar no jantar de homenagem ao presidente da multinacional que seu marido trabalha. Ela, que quase não faz programas diferentes, com esse convite não parava de sonhar! Digo isso, pois Sônia era dona de casa e mãe de três filhos pequenos.  Afastada totalmente do meio corporativo, seu mundo atual era de fraldas e mamadeiras. Vivia de roupa de ginástica, tênis, cabelos presos e sem nenhuma maquiagem... Falta de tempo total!

Adorava ser mãe, mas também sentia falta do glamour dos seus saltos altos de outrora. Sônia era professora e quando seu primeiro filho nasceu parou de trabalhar, quando pensou em voltar engravidou de gêmeos, ficando impossível retornar a antiga rotina.

Pediu então para Dona Margo, sua sogra, dormir em sua casa no dia tal festa, havia feito um regime, mas mesmo assim não entrava em suas roupas, precisava de roupas novas, ir ao salão de beleza, se produzir, se sentir bonita e notada.

O Jantar num hotel de luxo já mostrava a elegância do evento, mulheres lindas, homens bem vestidos, flores, velas, música, tudo perfeito. Mas o grande momento foi o convite do Dr. Vinicius, que pediu para que ela se sentasse ao seu lado. Ela gelou por um momento... O que iriam conversar? Sobre papinhas? Sobre a fadinha do dente? Ou de noites mal dormidas?


Dr. Vinicius, logo de cara, fez um elogio ao marido Raul: “Bem que se diz que atrás de um grande homem existe uma linda mulher”.  Já relaxada, apreciava agora o jantar que se iniciava. Primeiro um coquetel de frutas com camarões e uma bela salada verde, logo em seguida um medalhão com peras tingidas de vinho. 

Papo vem, papo vai, um prosecco geladíssimo aqui, outro lá e aconteceu o inevitável! Sônia assumiu o comando. Pegou o prato do Dr. Vinicius e, como para uma criança, cortou em pedacinhos o medalhão. O chefe do marido, vendo a situação, se aproximou dela e perto do ouvido sussurrou : "Agradeço a gentileza, mas eu sei cortar.". 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Encontro marcado

Ana coloca uma música, tudo pronto para aquele momento especial, a mesa posta com capricho, a louça rosa de porcelana inglesa e a toalha de renda branca. Sobre a mesa um pequeno arranjo de mini rosas coloridas enfeita e perfuma a sala de jantar, copos de cristal e um porta-gelo de prata no aparador completam a decoração. Há muito tempo ela espera por esse momento, quase 20 anos, seu coração esta em festa...

Quando conheceu Eduardo teve a certeza de que já se conheciam, pensava até que era de outras eras, de outras vidas, mas apenas se encontraram nos olhares e sorrisos e nada mais... ficou o sonho! Cantarola uma canção: “Hoje eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier, para enfeitar a noite do meu bem...”

O interfone avisa, ele chegou... Ana sente suas mãos molhadas, um frio congela sua alma, Eduardo a abraça e com lindas flores silvestres a presenteia... Quanto tempo! Conversam sobre tantas coisas, contam suas historias do passado, riem das banalidades da vida, do que construíram e a noite prossegue com suas estrelas e luar. Seus olhos ainda se encontram, os sorrisos são os mesmo de antigamente. Eduardo convida Ana para dançar, uma música do passado, poderia até ser a música deles... Não sei! Suas mãos se procuram, se enlaçam, era muita saudade...